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Os sete grupos de sintomas da covid-19

Sintomas que podem acompanhar uma infecção pelo novo coronavírus, da perda de olfato e paladar a problemas gastrointestinais

18 nov 2020
09h22
atualizado às 09h41
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Foto: DW / Deutsche Welle

Garganta irritada, dor de cabeça, calafrios - quais são mesmo os sintomas de covid-19? Um ano atrás, talvez não nos importássemos muito com eles, por considerá-los parte de um simples resfriado. Hoje, no entanto, a situação é outra. Um espirro basta para acionar nossa imaginação: "Onde estive nos últimos dias, com quem tive contato? Ainda posso sentir cheiro e gosto?"

Não se aflija, não é só você que tem essas preocupações. Pesquisadores e médicos também ainda estão tentando rastrear o leque de sintomas da covid-19.

Cientistas da Universidade de Medicina de Viena puderam estruturar uma longa lista de sintomas da doença, identificando sete formas dela. O estudo foi publicado na revista científica Allergy.

O objetivo principal do estudo foi descobrir como seria uma boa imunidade após uma infecção com o novo coronavírus e como isso pode ser medido.

Para isso, os cientistas liderados pelo imunologista Winfried Pickl e pelo alergologista Rudolf Valenta realizaram um estudo incluindo entrevistas e controle sanguíneo de 109 pessoas que estão se recuperando de covid-19 e 98 pessoas saudáveis.

Sete grupos de sintomas

Com base nos dados reunidos, os pesquisadores conseguiram demonstrar que vários sintomas estão relacionados entre si e ocorrem em grupos, dos quais foram identificados sete:

Sintomas semelhantes aos de gripe (febre, calafrios, fadiga e tosse)

Sintomas de resfriado (rinite, espirros, garganta seca e nariz entupido)

Dores musculares e nas articulações

Inflamação dos olhos e das mucosas

Problemas pulmonares (com pneumonia e falta de ar)

Problemas gastrointestinais (diarreia, náuseas e dor de cabeça)

Perda do olfato, do paladar e outros sintomas.

"No último grupo, também descobrimos que a perda do olfato e do paladar afeta mais pessoas com um sistema imunológico jovem", disse Pickl à DW. Um sistema imunológico jovem não é medido pela idade do paciente, mas pelo número de células imunes (linfócitos T) que migraram recentemente do timo.

"Isto significa que fomos capazes de diferenciar claramente os cursos sistêmicos (por exemplo, grupos 1 e 3) dos cursos específicos para órgãos (por exemplo, grupos 6 e 7) da doença primária covid-19", afirma Pickl.

No entanto, isto não quer dizer que não haja sobreposição entre os grupos de sintomas. Entretanto, foram mostradas correlações entre os diferentes grupos e parâmetros imunológicos específicos. Por exemplo, um curso da doença covid-19 com febre alta se correlaciona com a memória imunológica do corpo e pode indicar uma imunidade relativamente longa. A perda do olfato e paladar, por outro lado, foi associada a um nível mais elevado de linfócitos T.

Covid-19 e a impressão digital no sangue

Por meio do sangue, os pesquisadores conseguiram identificar importantes marcadores de covid-19. Dez semanas após a doença, eles descobriram mudanças claras no sistema imunológico − como uma impressão digital no sangue do paciente, por assim dizer.

O número de granulócitos, que são responsáveis pelo combate a patógenos bacterianos no sistema imunológico, foi significativamente menor do que o normal no grupo de covid-19. "Isso foi incrível e completamente novo", disse o imunologista.

"Para isso, as células imunes CD4 e CD8 desenvolvem uma memória e as células T CD8 permanecem fortemente ativadas. Isso mostra que o sistema imunológico ainda está lidando intensamente com a doença muitas semanas após a primeira infecção", disse Pickl.

Essa também pode ser a razão pela qual muitos pacientes se sentem fracos por mais tempo após uma infecção por covid-19. Ao mesmo tempo, as células reguladoras T foram bastante reduzidas − uma situação perigosa, que também pode levar a uma doença autoimune.

Além disso, mais células imunes produtoras de anticorpos puderam ser detectadas no sangue dos convalescentes. Quanto mais alta a febre da pessoa afetada com um curso leve da doença, mais pronunciada foi a imunidade ao vírus.

"Nossas descobertas contribuem para um melhor entendimento da doença e nos ajudam no desenvolvimento de possíveis vacinas, já que agora podemos recorrer a biomarcadores promissores e fazer um monitoramento ainda melhor", enfatizou a equipe de cientistas em seu artigo para a revista científica. "Agora sabemos que os linfócitos B e T são parâmetros importantes para avaliar as vacinas", diz Pickl.

Acima de tudo, o estudo mostra que, com a ajuda conjunta de células imunológicas e anticorpos, o sistema autoimune humano tem uma estratégia de defesa contra uma doença. As células imunológicas também podem memorizar certos "movimentos" do vírus em sua "memória" e reagir a eles.

A tarefa agora é colocar essas descobertas em prática, que podem ajudar no tratamento de pacientes e no desenvolvimento de uma vacina.

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