Carnaval e beijo na boca: o que você precisa saber sobre os riscos à saúde
Por entre blocos lotados, confete no ar e hits que grudam na cabeça, o Carnaval brasileiro também é a temporada oficial do beijo entre os solteiros. A pergunta que volta todo ano é simples: beijar na boca faz mal? Quais são os riscos?
"Como infectologista, com base na prática clínica e nas diretrizes brasileiras em infectologia, é importante esclarecer que o beijo na boca pode, sim, ser uma via de transmissão de algumas doenças, especialmente quando há presença de feridas na cavidade oral", diz Dr. Guenael Freire.
O médico infectologista conta que entre as infecções mais conhecidas está a mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr, popularmente chamada de “doença do beijo”. "Que se transmite facilmente pela saliva e pode provocar sintomas como febre, dor de garganta e cansaço prolongado".
O herpes simples, tipos 1 e 2, responsável pelas lesões conhecidas como herpes labial, também pode ser transmitido pelo beijo, inclusive quando não há feridas visíveis, já que pode ocorrer eliminação viral mesmo sem lesões aparentes.
"Além disso, vírus respiratórios, como os da gripe, do resfriado comum e da Covid-19, podem ser transmitidos pelo beijo, devido ao contato direto com secreções respiratórias. Outros agentes, como o citomegalovírus, também podem ser transmitidos pela saliva, e algumas bactérias da cavidade oral podem causar infecções de garganta e, em casos mais raros, até meningite", alerta.
Em situações mais específicas, doenças como a sífilis e o condiloma causado pelo HPV podem ser transmitidas pelo beijo, embora essa forma de transmissão seja menos comum.
Durante o Carnaval, período marcado por maior contato físico e beijos frequentes, alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de infecções. "O principal deles é evitar beijar muitas pessoas. Mesmo sem sinais claros de infecção, ainda há chance de transmissão. Manter uma boa higiene oral, com escovação regular e uso de fio dental, contribui para a saúde da mucosa e reduz a quantidade de microrganismos na boca", recomenda.
Além disso, o médico alera para nunca compartilhar copos, garrafas, canudos ou outros objetos que tenham contato com a boca de outras pessoas como medida simples e eficaz. "Caso, após o Carnaval, surjam sintomas como febre persistente, dor intensa na garganta ou lesões na boca, a orientação é procurar avaliação médica para diagnóstico e tratamento adequados", conclui.