Quebra-pedra: 8 benefícios da planta que será utilizada pelo SUS
Ela tem potencial para prevenir pedras nos rins e na vesícula, melhorar a saúde hepática e aliviar a constipação
Encontrada em diversos habitats tropicais, a quebra-pedra (Phyllanthus niruri) carrega diversos relatos sobre sua aplicação prática no cuidado da saúde. É uma planta medicinal com potencial para prevenir pedras nos rins e na vesícula, melhorar a saúde hepática e aliviar a constipação, graças à sua composição que inclui flavonoides, ligninas e triterpenos, responsáveis por propriedades antioxidantes e hepatoprotetoras.
O Brasil produzirá o primeiro fitoterápico industrializado a partir da planta quebra-pedra, que é tradicionalmente usada para auxiliar no tratamento de distúrbios urinários. A produção seguirá os protocolos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) firmou acordo com a Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) para o desenvolvimento do medicamento, além de acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Segundo a Fiocruz, primeiro será feita a produção de lotes para estudos de estabilidade. Depois, os resultados devem ser submetidos à Anvisa. Só então, o medicamento poderá ser fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), etapa estimada em até dois anos.
A seguir, confira 8 benefícios da erva quebra-pedra e como usá-la!
1. Redução de cálculos renais
A quebra-pedra é conhecida por sua ação antilitíase, ou seja, sua capacidade de reduzir a formação de cálculos renais. Segundo a tese de doutorado de Nidia Denise Pucci, "Efeitos do Phyllanthus niruri em parâmetros metabólicos de portadores de litíase urinária", da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a ingestão do chá por 15 semanas reduziu significativamente o número de cálculos nos pacientes analisados.
Conforme o Anexo I da RDC Anvisa N° 10, de 9 de março de 2010, da resolução que dispõe sobre a notificação de drogas vegetais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dá outras providências, a infusão da planta pode ser usada para ajudar no tratamento de litíase renal, por auxiliar na eliminação de cálculos renais pequenos.
2. Prevenção da hipercalciúria e hiperuricosúria
Ainda conforme o estudo "Efeitos do Phyllanthus niruri em parâmetros metabólicos de portadores de litíase urinária", o uso da erva é eficaz na prevenção de condições como hipercalciúria (excesso de cálcio na urina) e hiperuricosúria (excesso de ácido úrico na urina). Essas condições estão diretamente associadas à formação de cálculos urinários, e a quebra-pedra atua equilibrando os níveis metabólicos, reduzindo os fatores de risco.
3. Eficácia no combate à leishmaniose cutânea
No estudo "Prospecção e identificação de compostos isolados de Phyllanthus amarus Schum and Thonn com potencial atividade leishmanicida", publicado na revista Planta Medica, pesquisadores da Unicamp investigaram os efeitos da quebra-pedra na leishmaniose cutânea, doença infecciosa e não contagiosa que causa úlceras na pele e mucosas.
O estudo demonstrou que as lignanas presentes na planta agem reduzindo a capacidade energética do protozoário Leishmania amazonensis, principal causador da doença. Além disso, os compostos mostraram baixa citotoxicidade para células humanas, tornando a planta uma opção promissora para tratamentos alternativos e menos tóxicos.
4. Potencial terapêutico na doença de Chagas
O mesmo estudo publicado pela Planta Medica identificou que as lignanas extraídas da quebra-pedra apresentam ação relevante contra o Trypanosoma cruzi, protozoário responsável pela doença de Chagas. As substâncias interferem no metabolismo do parasita sem causar danos significativos às células do hospedeiro, o que é crucial considerando a alta toxicidade de medicamentos convencionais. Essa descoberta representa um avanço no desenvolvimento de alternativas terapêuticas mais seguras e eficazes.
5. Propriedades antioxidantes e protetoras celulares
O estudo "Prospecção e identificação de compostos isolados de Phyllanthus amarus Schum and Thonn com potencial atividade leishmanicida", mostrou que os compostos bioativos isolados da quebra-pedra, como flavonoides e polifenóis, têm papel antioxidante, que protegem as células contra danos causados por radicais livres. Essa propriedade pode se mostrar particularmente importante no contexto de doenças parasitárias, pois ajuda a mitigar os danos inflamatórios gerados pelas infecções.
6. Potencial antibacteriano e ação contra microrganismos
Além dos benefícios já conhecidos, a quebra-pedra também apresenta potencial antibacteriano. De acordo com o estudo "Molecular docking analysis of bioactive compounds from Phyllanthus niruri reveals potential antiviral and antibacterial activity", disponível na National Library of Medicine (NLM), análises computacionais indicaram que compostos bioativos da planta têm capacidade de se ligar a alvos bacterianos e virais, sugerindo uma possível ação antimicrobiana.
Esse efeito foi reforçado por evidências experimentais do estudo "Evaluation of antibacterial activity of aqueous and methanolic extracts of Phyllanthus niruri", que demonstrou que extratos da planta, especialmente das folhas, inibiram o crescimento de bactérias como Staphylococcus aureus — incluindo cepas resistentes à meticilina (MRSA) — e Bacillus cereus, em testes in vitro. Os pesquisadores associam essa atividade à presença de flavonoides, taninos e compostos fenólicos, apontando a quebra-pedra como uma fonte promissora de compostos naturais com ação antibacteriana.
7. Tem ação diurética
A quebra-pedra tem ação diurética, ou seja, ajuda a aumentar a produção de urina pelo organismo. Esse efeito favorece a eliminação de líquidos e toxinas acumuladas, contribuindo para o bom funcionamento dos rins e do trato urinário. Ao estimular a diurese, a planta pode auxiliar na redução do inchaço e na limpeza natural das vias urinárias, sendo tradicionalmente utilizada como apoio em cuidados relacionados à saúde renal.
8. Pode ajudar na digestão
A quebra-pedra pode ajudar na digestão, pois seus compostos naturais estimulam o funcionamento do sistema digestivo. O consumo da planta é tradicionalmente associado ao alívio de desconfortos como sensação de estufamento, gases e digestão lenta. Além disso, ela pode favorecer a produção de secreções digestivas, contribuindo para uma digestão mais leve e eficiente após as refeições.
Como usar a erva quebra-pedra
Conforme a Cartilha das Plantas Medicinais da Política Intersetorial de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Rio Grande do Sul, a infusão da quebra-pedra é recomendada para uso oral em pessoas acima de 12 anos. Para preparar, utilize 1 colher de sopa das partes aéreas secas da planta em 150 ml de água fervente. Deixe repousar por 10 a 15 minutos e consuma duas a três vezes ao dia.
Além da infusão, o chá com as partes secas da quebra-pedra é uma das formas mais comuns de consumo. Este preparo é simples e mantém as propriedades diuréticas, antioxidantes e hepatoprotetoras da planta. Para fazer, adicione 1 colher de sopa da erva seca em 200 ml de água, leve ao fogo até ferver, desligue e deixe em infusão por cerca de 10 minutos. A bebida deve ser consumida em pequenas porções ao longo do dia, sempre com moderação e sob orientação médica, especialmente para evitar possíveis efeitos colaterais.
Atenção às contraindicações
O uso da quebra-pedra é contraindicado em casos de insuficiência renal grave, devido ao risco de sobrecarga nos rins. Além disso, o consumo prolongado ou em doses inadequadas pode causar desequilíbrios eletrolíticos, manifestados por sintomas como fraqueza e tontura. Grupos como crianças pequenas, gestantes, lactantes e idosos devem evitar o uso da planta sem avaliação profissional.