O que é neoplasia cervical, tipo de tumor identificado no narrador Luis Roberto?
Principais fatores de risco para o quadro são o tabagismo, o etilismo e a infecção por HPV
O narrador esportivo Luís Roberto, da Rede Globo, vai se afastar da cobertura da Copa do Mundo de 2026 após ser diagnosticado com neoplasia cervical. A informação foi divulgada pelo GE.
De acordo com Cheng Tzu Yen, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o termo neoplasia cervical é amplo e genérico. Ele engloba tumores benignos e malignos que surgem na região do pescoço, incluindo áreas como a cavidade oral, orofaringe, hipofaringe, laringe e tireoide.
A diferenciação entre um tipo e outro — benigno ou maligno — é feita por meio de biópsia. "A neoplasia benigna, na maioria das vezes, é acompanhada e, eventualmente, é removida cirurgicamente por estar comprimindo algum órgão. Mas, em muitos casos, não tem um crescimento agressivo e não necessita de quimioterapia ou radioterapia", diz o médico.
Fatores de risco
Segundo Aline Lauda, colíder nacional de oncologia de cabeça e pescoço da Oncoclínicas, os três principais fatores de risco são o tabagismo, o etilismo (ou os dois associados) e o papilomavírus humano (HPV). Yen complementa que a má higiene oral também pode favorecer o surgimento de tumores malignos na região.
O quadro, segundo Yen, não tem um grupo de risco muito bem definido, mas tabagistas e homens de meia-idade costumam ser mais atingidos pelo quadro. "Mas o registro de tumores entre mulheres e jovens não tabagistas ou pouco tabagistas vem aumentando", pondera.
Sintomas
Os sintomas podem passar despercebidos, de acordo com Aline. O principal sinal é o surgimento de caroços indolores no pescoço. "Se um caroço aparecer e durar mais que três semanas, o paciente deve procurar o médico", orienta.
Outros sinais, como uma afta na boca que não cicatriza, rouquidão persistente ou sangramentos no nariz, também merecem investigação médica, segundo a oncologista.
Os sinais, no entanto, podem não ser tão evidentes em estágios iniciais. Por isso, Yen recomenda o acompanhamento com profissionais da saúde e a realização de exames, em especial de imagem.
"Na menor suspeita, o paciente deve procurar um cirurgião de cabeça ou pescoço ou um otorrinolaringologista, além de ter um bom acompanhamento com o dentista."
Quando identificado de forma precoce, o tumor tem taxas de cura de 80% a 90%, de acordo com o médico.
Tratamento
Segundo Aline, o tratamento depende do subtipo do tumor. Os linfomas — cânceres que afetam as células do sistema linfático — podem necessitar de quimioterapia ou uso de outros medicamentos.
Já os carcinomas — tumores malignos originados em células epiteliais, que revestem órgãos e tecidos — podem demandar quimioterapia, radioterapia, procedimentos cirúrgicos e imunoterapia.
"A escolha do tratamento vai depender do subtipo do tumor, de onde ele está localizado, idade do paciente e se ele tem outras comorbidades", detalha Aline.
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