Estudo sugere que aspirina em baixa dose reduz risco de câncer colorretal
Especialista alerta para uso apenas com prescrição médica após resultados da pesquisa publicada no The New England Journal of Medicine
A aspirina voltou ao centro das discussões científicas durante a campanha Março Azul-Marinho, dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal.
Um estudo europeu recente aponta que o uso diário de aspirina em baixa dose pode reduzir o risco de recorrência da doença em pacientes com predisposição genética.
A pesquisa foi publicada no The New England Journal of Medicine, uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo.
Segundo o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, o uso do medicamento ainda não é rotina na prática clínica.
"Já há muito tempo se fala na aspirina como prevenção do câncer, mas ela ainda não é utilizada rotineiramente. Esse uso deve ser feito apenas com recomendação médica e em baixa dose", explica.
Câncer colorretal: números preocupam no Brasil
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 45 mil novos casos de câncer colorretal por ano no triênio 2023-2025.
A incidência é maior nas regiões Sudeste e Sul.
No mundo, quase dois milhões de pessoas são diagnosticadas anualmente com a doença. Entre 20% e 40% desenvolvem metástases, o que dificulta o tratamento e aumenta a mortalidade.
O que o estudo revelou
O ensaio clínico, chamado ALASCCA, avaliou mais de 3.500 pacientes com câncer de cólon e reto em 33 hospitais da Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia.
Os participantes passaram por cirurgia e apresentavam mutações na via de sinalização PIK3, alteração genética presente em cerca de 40% dos casos.
Eles foram divididos em dois grupos:
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Um recebeu 160 mg de aspirina por dia durante três anos.
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Outro recebeu placebo.
O resultado foi significativo.
Pacientes com a mutação genética que usaram aspirina tiveram redução de 55% no risco de recorrência do câncer colorretal em comparação ao placebo.
Por que a aspirina pode funcionar?
A aspirina contém ácido acetilsalicílico e pertence ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).
Segundo os pesquisadores, o medicamento pode atuar por diferentes mecanismos:
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Redução da inflamação.
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Inibição da função plaquetária.
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Bloqueio do crescimento tumoral.
Essa combinação pode tornar o ambiente menos favorável ao desenvolvimento do câncer.
Para o especialista, o estudo representa um avanço na chamada medicina de precisão.
"É um exemplo claro de como podemos usar informações genéticas para personalizar o tratamento e reduzir sofrimento", afirma.
Aspirina não deve ser usada sem orientação médica
Apesar dos resultados promissores, a aspirina não deve ser utilizada por conta própria para prevenção do câncer colorretal.
O medicamento pode causar efeitos colaterais, como:
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Irritação e dor no estômago.
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Úlceras.
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Aumento do risco de sangramentos.
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Possíveis danos ao fígado em uso inadequado.
Pessoas com úlceras, distúrbios hemorrágicos, asma ou alergia ao ácido acetilsalicílico devem evitar o uso.
"A aspirina é acessível e barata, mas não é isenta de riscos. O médico deve sempre avaliar benefícios e possíveis complicações antes de indicar o uso diário", reforça o oncologista.