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Asma e obesidade: reduzir peso melhora função pulmonar e diminui crises

Doenças estão relacionadas devido ao quadro inflamatório, excesso de corticoide e sedentarismo

12 set 2019
07h14
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JOÃO PESSOA - A asma e a obesidade são condições que podem caminhar juntas. Se, por um lado, a primeira leva à segunda devido aos remédios e questões emocionais, por outro, o sobrepeso está associado ao maior risco de desenvolver ou complicar a doença que afeta as vias aéreas. A boa notícia é que uma pequena redução de peso já melhora a função pulmonar e diminui as crises asmáticas.

Para entender como elas se relacionam, é preciso identificar como cada uma age no organismo. A asma é uma doença inflamatória crônica que faz as vias respiratórias incharem e estreitarem. Isso dificulta a passagem de ar e torna o ato de respirar muito difícil.

O tratamento básico é feito com corticoide inalatório (bombinha), que vai diminuir a inflamação. Quando a pessoa necessita de doses muito altas dessa substância, no caso de asma grave, há uma predisposição para a obesidade.

"Um dos principais efeitos colaterais do corticoide é o ganho de peso, porque ele favorece o acúmulo de gordura. É o hormônio do estresse e faz com que a gente se prepare para dificuldades e uma das formas de se preparar é acumular gordura", explica o pneumologista Alvaro Cruz, coordenador do Programa de Controle da Asma (ProAR) de Salvador, na Bahia.

Um estudo conduzido pelo núcleo com 172 pessoas diagnosticadas com asma grave identificou que 81,4% delas estavam acima do peso ou obesas. A tendência é global. Cruz afirma que os dados nacionais são semelhantes a um estudo europeu que analisou pessoas com mesmo índice de massa corpórea, mesma idade e com alteração da função pulmonar.

Perda de peso melhora quadro de asma

O pneumologista Roberto Stirbulov, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, diz que 60% das pessoas com asma grave nos Estados Unidos estão obesas. "Esse é um perfil que cada vez mais vamos enfrentar", afirmou durante apresentação no 12º Congresso Brasileiro de Asma, realizada em 15 de agosto. Segundo ele, uma redução de 5% do peso já melhora a função do pulmão.

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) mostrou que dieta balanceada associada a uma rotina de exercícios físicos melhora a resposta pulmonar e os mediadores inflamatórios da asma em pessoas obesas com nível grave da doença. Depois de três meses, foi constatado também melhora nos sintomas de depressão e baixo risco de apneia do sono.

"Para controlar a asma, tem de agir em todas as situações que permeiam a doença e afastar outras condições clínicas que podem atrapalhar: refluxo, apneia do sono, obesidade e exposição à fumaça de cigarro", orienta João Rio, pediatra e endocrinologista pediátrico pelo Hospital das Clínicas da FMUSP.

Obesidade, asma e impactos emocionais

A obesidade, por ser também uma doença crônica e induzir a liberação de substâncias inflamatórias, está associada a alterações que limitam a capacidade respiratória e é fator de risco para asma. Um dos elementos produzidos pela gordura é a interleucina 6, proteína muito agressiva que age no mecanismo da doença respiratória. Outro agravante é que a gordura abdominal empurra o diafragma para cima e limita a expansão do pulmão.

Segundo os especialistas, o processo inflamatório desencadeado pela obesidade também diminui a resposta ao tratamento da asma uma vez que os receptores de corticoide ficam mais resistentes. Com as duas condições agravadas, é difícil imaginar que alguém se proponha a fazer atividades físicas — e o ciclo se repete.

A inatividade física também é resultado do impacto socioemocional causado pela asma, que deixa a pessoa mais deprimida. "O paciente asmático, em pouco tempo, já não frequenta mais a escola, vai ter muita falta no trabalho e evita o convívio social", diz Raissa Cipriano, presidente da Associação Brasileira de Asma Grave (Asbag). "É muito interessante ter um psicólogo junto, porque todo mês tem de hospitalizar para receber medicação [imunobiológica]. É a carga de ser um paciente crônico, não ter informação e começar a tirar prazeres da vida", completa.

Para que a asma não leve à obesidade ou esta não desencadeie a doença respiratória, seguir o tratamento correto é fundamental. Atualmente, existe um imunobiológico com o ativo mepolizumabe que age contra a ação da interleucina 5, um dos sinalizadores de inflamação na asma. "[O medicamento] ajuda porque controla a asma e começa a diminuir a necessidade de corticoide oral, responde mais ao corticoide inalatório e a pessoa começa a caminhar, fazer atividade e perde peso", explica Stirbulov.

Para Raissa, é muito importante que a pessoa com asma conheça bem a própria doença, o que ela pode desencadear e como prevenir consequências negativas, que variam de um paciente para outro. "Alguns levam uma vida normal. Com trabalho contínuo, [a pessoa] consegue ter qualidade de vida."

*O E+ viajou a convite da GSK

Estadão
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