Dermatilomania: 5 sintomas do transtorno que Giulia Costa trouxe à tona
Entenda o Transtorno de Escoriação, condição que afeta o controle de impulsos e a saúde da pele
Recentemente, a atriz e cineasta Giulia Costa utilizou suas redes sociais para um desabafo corajoso sobre sua luta contra a dermatilomania. Ao compartilhar imagens de lesões em seus dedos e braços, ela acendeu um alerta necessário sobre um tema frequentemente negligenciado.
Falar abertamente sobre saúde mental é o primeiro passo para quebrar o estigma que cerca transtornos de comportamento repetitivo, transformando a vergonha em busca por tratamento.
Tecnicamente conhecido como transtorno de escoriação, a dermatilomania vai muito além de um "hábito de cutucar a pele". Trata-se de uma condição de saúde mental listada no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), relacionada ao espectro do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
Abaixo, detalhamos os 5 principais sintomas para compreender como esse transtorno se manifesta:
1. O impulso incontrolável
Diferente de uma escolha consciente, a dermatilomania se manifesta como uma necessidade física e mental urgente de cutucar, espremer ou raspar a pele. O indivíduo sente uma tensão crescente que só é interrompida pelo ato.
Não é falta de força de vontade; é um impulso compulsivo onde o cérebro interpreta o comportamento como uma tarefa que "precisa" ser executada para aliviar um desconforto interno.
2. O tempo perdido no espelho
Um sintoma clássico é o comprometimento da rotina. A pessoa pode passar minutos ou até horas em frente ao espelho tentando "corrigir" imperfeições mínimas, como poros abertos, cravos quase invisíveis ou pequenas crostas.
Durante esses episódios, ocorre uma perda da noção do tempo, e o que deveria ser um cuidado estético se transforma em uma sessão de danos à integridade da pele.
3. Lesões e cicatrizes recorrentes
O sinal físico mais evidente são as feridas que nunca cicatrizam totalmente. Como o indivíduo volta a cutucar a mesma área repetidamente, as crostas de cicatrização são removidas precocemente.
Isso gera um ciclo de lesões abertas, risco de infecções bacterianas e, a longo prazo, marcas e cicatrizes permanentes que alteram a textura e a pigmentação da derme.
4. A busca por "alívio" na ansiedade
Para quem sofre de Transtorno de Escoriação, o ato de cutucar funciona como uma válvula de escape. Em momentos de estresse, tédio ou ansiedade extrema, o comportamento gera uma sensação temporária de satisfação ou relaxamento.
É um mecanismo de regulação emocional disfuncional: a dor física acaba "anestesiando" momentaneamente a dor ou o desconforto psicológico.
5. O impacto emocional
O sofrimento da dermatilomania é silencioso. Após o episódio, surge um forte sentimento de culpa e arrependimento. Isso leva ao isolamento social: a pessoa passa a usar roupas compridas (mesmo no calor), maquiagem pesada ou curativos para esconder as marcas.
Evitar piscinas, praias ou eventos sociais por medo do julgamento alheio é uma consequência comum que agrava quadros de depressão.
Existe saída
A exposição de Giulia Costa é um lembrete de que ninguém precisa carregar esse peso sozinho. A dermatilomania tem tratamento e envolve uma abordagem multidisciplinar.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especialmente com técnicas de reversão de hábito, é o padrão-ouro para o controle dos impulsos. Em paralelo, o acompanhamento dermatológico é essencial para tratar as lesões e recuperar a saúde da pele. O acolhimento, e não a crítica, é a chave para a recuperação.
Onde buscar ajuda?
Se você se identificou com esses sintomas, procure ajuda profissional:
- Psicólogos: Especialistas em TCC ajudam a identificar os gatilhos emocionais e a mudar o comportamento compulsivo.
- Psiquiatras: Podem avaliar a necessidade de intervenção medicamentosa para controlar a ansiedade ou sintomas obsessivos.
- Dermatologistas: Essenciais para tratar infecções e minimizar as cicatrizes físicas.