Sair para festejar e não lembrar de muita coisa na manhã seguinte: a ciência já sabe o que acontece com o seu cérebro
Pesquisas revelam que alterações químicas impedem o cérebro de consolidar experiências e podem deixar consequências além da ressaca
Depois de uma noite intensa de festa, uma frase costuma se repetir: "bebi tanto que tive um branco". Durante anos, a cultura popular tratou esses episódios como se o álcool funcionasse como uma borracha capaz de apagar lembranças do cérebro. A realidade, porém, é diferente: não é que as memórias sejam apagadas, é que elas simplesmente nunca chegaram a ser formadas.
Nossos pais já avisavam que beber em excesso — e usar outras substâncias — podia "fritar o cérebro". E, em parte, eles tinham razão. Pesquisas e metanálises sobre o consumo de álcool e a saúde cerebral ajudam a explicar o que realmente acontece quando exageramos.
O que é o blackout
O que chamamos de "apagão" ou "lacuna" na memória depois de uma bebedeira é, tecnicamente, uma amnésia anterógrada, conhecida como blackout. Durante esse período, a pessoa pode continuar falando, andando — nem sempre em linha reta — e até mantendo conversas aparentemente normais. No entanto, o cérebro deixa de transferir informações da memória de curto prazo para a de longo prazo.
O principal envolvido nesse processo é o hipocampo, região que funciona como o centro de armazenamento das lembranças. É ali que as experiências do dia a dia são consolidadas para que possam ser recordadas depois.
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