'Quem queremos ser ao final da vida?': Lúcia Helena Galvão propõe reflexão sobre nossas escolhas
Em uma reflexão, a filósofa Lúcia Helena Galvão convida a pensar sobre propósito, valores e como as pequenas escolhas do presente moldam quem nos tornaremos no futuro
É comum imaginar o futuro como um lugar distante, onde finalmente seremos mais felizes, mais realizados ou mais próximos da pessoa que desejamos ser. Mas e se essa transformação não dependesse de um grande acontecimento? E se ela estivesse sendo construída, silenciosamente, nas pequenas decisões que tomamos todos os dias?
Essa é a reflexão proposta pela filósofa Lúcia Helena Galvão, professora da organização Nova Acrópole. Em um vídeo recente, ela convida o público a olhar menos para as circunstâncias externas e mais para o próprio processo de crescimento interior.
Quem você deseja ser no fim da vida?
Em vez de perguntar apenas quais metas deseja alcançar ou quais bens pretende conquistar, Lúcia Helena propõe questões ainda mais profundas: "O que nós queremos ser no final desse processo? Quando estiver terminando a nossa vida, que tipo de ser humano você gostaria de ser? Que valores gostaria de ter? Que vícios, que defeitos você gostaria de ter polido e deixado para trás? O que você gostaria de ter feito pela humanidade, por si próprio, pelo outro?".
A pergunta desloca o foco do "ter" para o "ser". Afinal, quando olhamos para trás, é provável que o que permaneça não sejam apenas os resultados alcançados, mas as qualidades que desenvolvemos, os vínculos que construímos e a forma como impactamos a vida das pessoas ao nosso redor.
Um propósito que orienta o presente
Na sequência, a filósofa faz outra provocação: "Ou seja, qual é o teu propósito como ser humano? Qual é o teu ideal? Porque a partir disso, você saberia o que fazer no dia de hoje."
Essa ideia dialoga com um princípio conhecido tanto pela filosofia quanto pela psicologia: ter clareza sobre os próprios valores facilita a tomada de decisões. Quando sabemos quais princípios desejamos cultivar, fica mais fácil escolher entre agir por impulso ou com consciência, entre buscar satisfação imediata ou investir em algo que realmente faça sentido no longo prazo.
O propósito, nesse contexto, não precisa ser algo grandioso ou extraordinário. Ele pode estar presente em atitudes simples, como agir com honestidade, cultivar a generosidade, desenvolver paciência ou aprender a lidar melhor com os próprios erros.
O futuro nasce nas pequenas escolhas
Ao final da reflexão, Lúcia Helena lembra que grandes transformações raramente acontecem de uma só vez. "Porque o futuro não é construído por grandes momentos, mas por pequenas escolhas feitas com consciência, dia após dia."
Essa talvez seja uma das ideias mais libertadoras. Muitas vezes acreditamos que a mudança depende de uma segunda-feira perfeita, de um novo emprego, de um novo ano ou de uma grande oportunidade. Mas a realidade costuma ser mais discreta.
Ela se constrói quando escolhemos ouvir antes de responder, quando reconhecemos um erro, quando estudamos por alguns minutos, quando oferecemos ajuda, quando descansamos, quando colocamos em prática aquilo que dizemos valorizar.
A pessoa que seremos daqui a alguns anos dificilmente será resultado de um único acontecimento marcante. Ela será consequência da repetição dos pequenos gestos que escolhemos cultivar. No fim das contas, a pergunta permanece aberta: se o ser humano que você deseja se tornar está sendo formado agora, quais escolhas de hoje estão ajudando a construir essa versão de você?
Ver essa foto no Instagram
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.