Teste e vacina podem brecar hepatite, afirma especialista
Entre 2020 e 2024, mais de 800 mil casos foram registrados no Brasil; forma mais comum é a hepatite C.
As hepatites virais são um desafio de saúde pública no Brasil, afetando silenciosamente o fígado e podendo causar complicações graves como cirrose e câncer. A campanha 'julho amarelo' reforça a importância da testagem, vacinas e tratamentos disponíveis no SUS, além de alertar para sintomas e formas de prevenção, como higiene e sexo seguro. 🩺
Médico alerta para a evolução silenciosa da doença: "ausência de sintomas não significa ausência de risco"
As hepatites virais continuam sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil. Embora muitas vezes sejam silenciosas, essas infecções atingem o fígado e podem causar alterações leves, moderadas ou graves. Quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, algumas formas podem evoluir por anos e levar a complicações como cirrose, câncer de fígado e necessidade de transplante. O tema ganha relevância neste mês: chama-se "julho amarelo" a campanha de conscientização, prevenção e controle das hepatites virais.
Números da hepatite
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 826.292 casos da doença entre 2000 e 2024. Nesse período, a maior proporção foi de hepatite C, seguida por hepatite B e hepatite A. Apenas em 2024, o país registrou mais de 11 mil casos de hepatite B e mais de 19 mil de hepatite C.
Diferenças entre os tipos
Para a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), o cenário reforça a necessidade de ampliar a informação sobre as diferenças entre os tipos de hepatites virais. As hepatites A e E são mais associadas à transmissão fecal-oral, por água ou alimentos contaminados, e condições inadequadas de higiene e saneamento. As hepatites B, C e D, por sua vez, estão mais relacionadas ao contato com sangue, secreções, relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de objetos cortantes e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
"O grande desafio das hepatites virais é que muitas pessoas convivem com a infecção sem saber. A ausência de sintomas não significa ausência de risco", afirma o médico Paulo Roberto Abrão Ferreira, presidente da Sociedade Paulista de Infectologia. Ele enfatiza a necessidade de testagem, vacinação e acompanhamento médico para evitar complicações e interromper as cadeias de transmissão.
Vacina previne tipo B
A hepatite B pode ser prevenida por vacina, disponível gratuitamente no SUS, mas ainda não tem cura definitiva. Assim, com acompanhamento e tratamento, é possível controlar a infecção e reduzir os riscos. Já a hepatite C não conta com vacina, mas há tratamento com antivirais de ação direta, também disponível no SUS, com altas taxas de cura quando iniciado corretamente. A hepatite D, por sua vez, depende da presença do vírus da hepatite B, razão pela qual a vacinação contra hepatite B também ajuda a prevenir a forma Delta (hepatite D).
"A população precisa saber que existem testes rápidos, vacinas e tratamentos disponíveis no sistema público. O diagnóstico precoce muda o curso da doença, especialmente nos casos de hepatite B e C, que podem se tornar crônicas e evoluir silenciosamente por décadas", explica o médico.
Conheça os sintomas
A SPI também alerta para sintomas que podem aparecer em alguns casos, como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Mesmo assim, a entidade frisa que a testagem não deve depender apenas da presença de sintomas, especialmente em pessoas com fatores de risco ou histórico de exposição.
"O enfrentamento das hepatites virais passa por informação clara, redução do estigma e acesso à prevenção. Quanto mais cedo a pessoa descobre a infecção, maiores são as chances de tratamento adequado e menor o risco de transmissão", destaca Ferreira.
Como se prevenir?
- manter a vacinação em dia;
- usar preservativo;
- não compartilhar lâminas, alicates, seringas e agulhas;
- não compartilhar escova de dente;
- exigir materiais esterilizados em procedimentos estéticos e de saúde;
- higienizar bem as mãos e os alimentos;
- consumir sempre água tratada.
Edição: Fernanda Villas Bôas
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