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Inteligência artificial pode mudar a forma como vacinas são desenvolvidas; entenda estudo

Pesquisa da Universidade de Cambridge usa IA para identificar padrões comuns entre coronavírus e acelerar o desenvolvimento de imunizantes mais abrangentes

8 jul 2026 - 17h40
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A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço em diferentes áreas da medicina e agora também desperta interesse na produção de vacinas. O motivo é simples: a tecnologia consegue analisar milhões de dados genéticos em pouco tempo, o que pode acelerar a busca por imunizantes capazes de proteger contra vírus que ainda nem surgiram.

Pesquisa da Universidade de Cambridge usa IA para identificar padrões comuns entre coronavírus e acelerar o desenvolvimento de vacinas
Pesquisa da Universidade de Cambridge usa IA para identificar padrões comuns entre coronavírus e acelerar o desenvolvimento de vacinas
Foto: Sezeryadigar/Getty Images Signature / Bons Fluidos

Um estudo liderado pela Universidade de Cambridge, publicado na revista científica Journal of Infection, traz justamente essa proposta. Os pesquisadores desenvolveram uma vacina experimental de DNA com o auxílio de ferramentas computacionais. A intenção é oferecer proteção contra diferentes coronavírus, em vez de combater apenas uma variante específica. Essa ideia muda a lógica adotada durante a pandemia de Covid-19, quando novas mutações do vírus exigiram atualizações constantes das vacinas.

IA no desenvolvimento de vacinas

Os coronavírus, por exemplo, são tipos de microrganismos que sofrem mutações com frequência, o que dificulta a criação de imunizantes duradouros. Para contornar esse desafio, então, os pesquisadores recorreram à inteligência artificial, a fim de encontrar características compartilhadas entre diversos vírus da mesma família.

Dessa forma, em vez de analisar apenas o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, o sistema avaliou milhares de sequências genéticas de coronavírus humanos e animais pertencentes ao grupo dos sarbecovírus. O objetivo foi identificar regiões da proteína Spike que permanecem praticamente inalteradas ao longo das mutações.

Essas informações serviram de base para a criação de um novo antígeno. Os cientistas incorporaram o componente posteriormente à vacina experimental. Em entrevista ao 'El Comercio', Ronald Vargas, diretor consultivo do Mestrado em Gestão de Serviços de Saúde da Centrum PUCP, explicou que o diferencial da IA está justamente na velocidade da análise.

"O que eles fizeram foi usar inteligência artificial para analisar uma base de dados muito ampla, reunindo todas as informações genéticas e estruturais dos coronavírus, com o objetivo de identificar e construir um antígeno comum a diferentes coronavírus e às variantes que possam surgir", apontou

Segundo ele, sem esse tipo de tecnologia, o processo exigiria muito mais tempo "Isso exigiria muito trabalho e levaria muito tempo se fosse feito pelos métodos tradicionais, com os recursos normalmente utilizados, sem recorrer a um sistema de inteligência artificial", completou.

O que é a chamada "vacina universal"?

Os pesquisadores chamam o imunizante de vacina universal porque o projeto visa reconhecer características comuns dos sarbecovírus. Esse grupo reúne o SARS-CoV, responsável pelo surto de 2002, o SARS-CoV-2 e diversos coronavírus encontrados em morcegos com potencial de infectar seres humanos.

Na prática, isso significa que a resposta imunológica deixa de focar apenas em uma variante específica e passa a mirar regiões do vírus que dificilmente sofrem alterações. A expectativa é que essa estratégia permita uma proteção mais ampla contra futuras ameaças, reduzindo a necessidade de atualizar vacinas sempre que surgirem novas variantes.

O estudo já comprovou a eficácia?

Os resultados divulgados representam apenas uma etapa inicial da pesquisa. Até o momento, portanto, os cientistas consideraram a vacina experimental segura para uso em humanos. Por isso, o projeto conseguiu avançar para os primeiros testes clínicos, um marco importante para esse tipo de tecnologia. No entanto, ainda é necessário demonstrar se a resposta imunológica produzida será suficiente para prevenir infecções.

Uma nova fase da pesquisa deverá envolver cerca de 200 participantes para avaliar melhor a eficácia do imunizante. A pesquisadora Fanny Casado, do Instituto de Ciências Ômicas e Biotecnologia Aplicada (ICOBA), destacou que o maior avanço está no processo de desenvolvimento.

"Como resultado, o efeito foi modesto; como processo, o desenvolvimento é realmente muito inovador. O realmente inovador não é apenas a inteligência artificial, mas o fato de esse projeto ter sido autorizado a avançar até um ensaio clínico em pessoas", disse ao jornal peruano.

Embora ainda sejam necessários novos estudos antes de qualquer aprovação, os especialistas consideram que a pesquisa representa um passo importante para mostrar como a IA pode acelerar o desenvolvimento de vacinas capazes de responder mais rapidamente a futuras pandemias.

Bons Fluidos
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