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Por que a população de onças pintadas está em declínio no Brasil

A onça-pintada, muitas vezes confundida com a jaguatirica, é o maior felino das Américas e um dos símbolos da fauna brasileira.

8 fev 2026 - 15h02
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A onça-pintada, muitas vezes confundida com a jaguatirica, é o maior felino das Américas e um dos símbolos da fauna brasileira. Ao longo das últimas décadas, sua população tem diminuído em várias regiões do país, principalmente fora da Amazônia. Esse declínio não ocorre de forma isolada: está ligado a mudanças no uso do solo, à expansão de atividades econômicas e a conflitos diretos com seres humanos.

No Brasil, a espécie enfrenta uma combinação de ameaças que afeta tanto a quantidade de indivíduos quanto a qualidade de seus habitats. Biomas como Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal já perderam grande parte de sua vegetação nativa, o que reduz as áreas disponíveis para caça, reprodução e deslocamento dos animais. Ao mesmo tempo, esses felinos passam a circular mais perto de áreas rurais, onde surgem novos riscos e desafios.

Desmatamento e perda de habitat: principal motivo do declínio

onças pintadas – depositphotos.com / AndrewLozovyi
onças pintadas – depositphotos.com / AndrewLozovyi
Foto: Giro 10

Entre as razões mais citadas para o declínio da onça-pintada no Brasil, a destruição e fragmentação de florestas ocupa posição central. A conversão de áreas nativas em pastagens, lavouras e empreendimentos imobiliários deixa os animais com menos espaço e menos presas naturais. Em muitos casos, os fragmentos de mata restantes são pequenos e isolados, dificultando o encontro entre indivíduos e reduzindo a variabilidade genética.

Essa perda de habitat é especialmente perceptível em regiões de agricultura intensiva e pecuária extensiva. Ao avançar sobre florestas e matas ciliares, essas atividades modificam cursos d'água, reduzem a cobertura vegetal e alteram a dinâmica ecológica de todo o entorno. Como a onça-pintada depende de grandes áreas para se deslocar e caçar, qualquer redução significativa em seu território pode comprometer a sobrevivência da espécie em escala local.

Além disso, o desmatamento costuma vir acompanhado de estradas, cercas e infraestrutura que fragmentam ainda mais o ambiente. Esses elementos criam barreiras físicas ao movimento dos animais e aumentam o risco de atropelamentos, encontros com pessoas armadas e acesso facilitado de caçadores a regiões antes isoladas.

Por que o conflito com criadores de gado afeta tanto a espécie?

Outro fator importante para entender o declínio da onça-pintada é o conflito com a pecuária. Com a redução de presas silvestres e a aproximação de áreas produtivas, alguns indivíduos passam a atacar rebanhos de gado, ovelhas ou outros animais domésticos. Para muitos produtores rurais, essa perda representa prejuízo econômico, o que frequentemente resulta em retaliação.

Em diferentes regiões do Brasil, há registros de abate intencional de onças como forma de proteção dos rebanhos. Esse abate pode ocorrer de maneira direta, por meio de caça armada, ou de forma indireta, com o uso de armadilhas e venenos. Embora em alguns casos, o animal é morto mesmo sem ter atacado o gado, apenas pela possibilidade de causar danos futuros.

Especialistas apontam que a adoção de medidas de manejo, como cercas mais adequadas, proteção noturna dos rebanhos e uso de técnicas de convivência, tende a reduzir o número de ataques. No entanto, a implementação dessas estratégias depende de informação, assistência técnica e políticas públicas voltadas para a conciliação entre produção rural e conservação da fauna.

Caça, atropelamentos e outros fatores que pressionam a onça-pintada

Embora o desmatamento e os conflitos com a pecuária sejam amplamente discutidos, outras causas também contribuem para a redução da população de onças-pintadas no país. A caça ilegal ainda ocorre em diferentes contextos, seja por perseguição direta, seja como consequência da caça de presas naturais do felino, como capivaras, veados e queixadas. Ao diminuir a disponibilidade de alimento, esse tipo de atividade afeta indiretamente a espécie.

Com a expansão da malha rodoviária, atropelamentos de fauna tornaram-se um problema recorrente. Embora felinos de grande porte, ao cruzar rodovias que cortam áreas de mata ou ligações entre fragmentos florestais, ficam expostos ao tráfego intenso, sobretudo em regiões onde não há passagens de fauna ou sinalização adequada. Em trechos que cruzam o Cerrado, a Mata Atlântica e o entorno do Pantanal, já foram registrados casos de morte de onças em estradas.

Somam-se a esses fatores os incêndios florestais, que se tornaram mais frequentes e intensos em algumas regiões brasileiras, como o Pantanal em anos recentes. Queimadas de grandes proporções podem destruir abrigos, ninhos e áreas de caça, levando à morte direta de animais ou obrigando-os a se deslocar para territórios desconhecidos, onde o risco de conflito aumenta.

Quais caminhos podem ajudar a frear o declínio da espécie?

Diante desse cenário, diferentes estratégias vêm sendo discutidas e aplicadas para tentar estabilizar e, em alguns casos, recuperar as populações de onça-pintada no Brasil. A criação e ampliação de unidades de conservação em áreas estratégicas é uma das principais ferramentas, pois garante trechos contínuos de habitat onde a espécie pode viver com menor interferência humana.

Outra frente importante envolve projetos de monitoramento com colares de GPS, armadilhas fotográficas e análises genéticas. Esses estudos permitem entender melhor o tamanho das populações, suas rotas de deslocamento e a saúde genética dos grupos. Embora a partir desses dados, torna-se possível planejar corredores ecológicos, que conectam fragmentos de mata e reduzem o isolamento das populações.

Iniciativas de educação ambiental e programas que aproximam comunidades rurais, produtores e pesquisadores também exercem papel relevante. Quando há acesso a informação, assistência técnica e alternativas econômicas, as chances de conflito tendem a diminuir. Embora em algumas regiões, atividades de turismo de observação de fauna vêm sendo organizadas de forma controlada, gerando renda e reforçando a importância da conservação dos grandes felinos.

  • Preservação de habitat: proteção de florestas e matas ciliares.
  • Melhoria na pecuária: manejo dos rebanhos para reduzir ataques.
  • Fiscalização: combate à caça ilegal e aos crimes ambientais.
  • Infraestrutura segura: passagens de fauna e sinalização em rodovias.
  • Pesquisa científica: monitoramento contínuo das populações.

Embora ao observar todos esses elementos em conjunto, fica claro que o declínio da onça-pintada no Brasil resulta de múltiplos fatores interligados. A reversão desse quadro depende de ações coordenadas entre governo, setor produtivo, instituições de pesquisa e comunidades locais, com foco na manutenção dos ecossistemas e na redução dos conflitos que ainda hoje ameaçam a espécie.

onças pintadas – depositphotos.com / hdamke
onças pintadas – depositphotos.com / hdamke
Foto: Giro 10
Giro 10
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