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Abundância marinha: os peixes que dominam os mares brasileiros

Descubra qual é o peixe mais abundante nos mares do Brasil e conheça sardinha, anchoveta e outros peixes costeiros na pesca e ecologia

8 fev 2026 - 16h02
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Entre as espécies marinhas que vivem na costa brasileira, algumas se destacam pela grande quantidade de indivíduos e pela forte presença na pesca comercial. A sardinha-verdadeira costuma aparecer entre as principais candidatas ao posto de peixe mais abundante nos mares do Brasil, mas outros peixes pelágicos costeiros, como a anchoveta e diferentes tipos de manjuba, tainhas e corvinas, também ocupam papel relevante. A avaliação depende do recorte utilizado: abundância natural, volume desembarcado nos portos ou presença na alimentação da população.

Os ambientes costeiros brasileiros, que incluem estuários, baías e a plataforma continental, abrigam cardumes extensos que servem de base para diversas cadeias alimentares. Nesses locais, espécies pequenas, de crescimento rápido e ciclo de vida curto tendem a ser mais numerosas. Muitas delas são classificadas como peixes pelágicos de pequeno porte, que vivem em águas abertas, próximos à superfície, movimentando-se em enormes agregações e respondendo rapidamente a variações de temperatura, nutrientes e correntes marinhas.

O que significa um peixe ser o mais abundante?

Quando se pergunta qual é o peixe mais abundante nos mares do Brasil, é importante diferenciar alguns conceitos. Abundância natural diz respeito à quantidade de indivíduos que existem no ambiente, incluindo todas as faixas etárias, sem necessariamente considerar a pesca. Já o volume de captura se refere ao que é efetivamente retirado do mar pelas frotas pesqueiras, dado que depende de esforço de pesca, tecnologia e demanda do mercado.

Um peixe pode ser extremamente numeroso na natureza, mas pouco capturado, seja por não ter valor comercial, seja por habitar áreas pouco exploradas. Em outros casos, uma espécie pode aparecer como líder nas estatísticas de desembarque simplesmente porque é alvo preferencial de grandes frotas. Por isso, apontar apenas um "mais abundante" pode ser simplificador demais, pois cada grupo apresenta dinâmica própria, associada a fatores ecológicos, econômicos e sociais.

Espécies como sardinha e anchoveta são numerosas na natureza, essenciais para a cadeia alimentar e fundamentais para a economia pesqueira – depositphotos.com / benedixs
Espécies como sardinha e anchoveta são numerosas na natureza, essenciais para a cadeia alimentar e fundamentais para a economia pesqueira – depositphotos.com / benedixs
Foto: Giro 10

Peixe mais abundante: sardinha-verdadeira é a principal candidata?

A sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) é um dos peixes mais emblemáticos da costa brasileira. Trata-se de um pequeno pelágico que forma cardumes densos na plataforma sudeste e sul, especialmente entre o Espírito Santo e Santa Catarina. Essa espécie apresenta elevada fecundidade, crescimento rápido e grande capacidade de formar biomassa em pouco tempo, características associadas a populações naturalmente abundantes.

Historicamente, a sardinha ocupa o topo das estatísticas de captura de peixes marinhos no país, o que reforça sua importância para a pesca comercial e para o consumo humano. Ela é usada tanto na forma fresca quanto enlatada e também como matéria-prima para farinha e óleo de peixe. Do ponto de vista ecológico, funciona como elo intermediário entre o plâncton e predadores maiores, como atuns, bonitos, golfinhos e aves marinhas.

No entanto, a abundância da sardinha varia bastante ao longo dos anos, influenciada por fatores ambientais, como temperatura da água, disponibilidade de alimento e mudanças em correntes, além da pressão de pesca. Em períodos de declínio, outras espécies passam a ganhar espaço nas capturas, o que mostra que a "liderança" em abundância pode mudar conforme o cenário.

Sardinha, anchoveta e outros peixes costeiros: quais são os mais comuns?

Além da sardinha-verdadeira, a anchoveta e outros peixes pelágicos de pequeno porte compõem um grupo numeroso e estratégico na costa brasileira. A anchoveta (chamada em algumas regiões de manjuba ou enchova pequena, a depender da espécie e do local) também forma grandes cardumes e serve de alimento para peixes de maior porte, mamíferos marinhos e aves. Em determinados anos e áreas, a biomassa de anchovetas pode ser bastante expressiva, aproximando-se, em importância ecológica, da sardinha.

Na faixa costeira próxima a estuários e manguezais, destacam-se ainda:

  • Tainhas e paratis: peixes que utilizam áreas estuarinas para alimentação e crescimento, muito comuns em regiões sul e sudeste.
  • Manjubas e manjubinhas: pequenos peixes capturados em grande quantidade, especialmente em foz de rios e baías.
  • Corvinas e pescadas: mais associadas ao fundo (demersais), porém bastante presentes em cardumes ao longo da plataforma continental.

Essas espécies, somadas, representam uma fração significativa da abundância de peixes costeiros do país e respondem por boa parte da proteína de origem marinha consumida pela população. Muitas delas também são base para atividades artesanais e de pequena escala, que têm forte impacto social e econômico em comunidades litorâneas.

A sardinha e outros pelágicos costeiros estão entre os mais abundantes do país e ajudam a explicar por que o Brasil tem mares tão produtivos – depositphotos.com / izanbar
A sardinha e outros pelágicos costeiros estão entre os mais abundantes do país e ajudam a explicar por que o Brasil tem mares tão produtivos – depositphotos.com / izanbar
Foto: Giro 10

Por que é difícil definir um único peixe como o mais abundante?

Definir de forma categórica qual é o peixe mais abundante nos mares do Brasil envolve uma série de desafios. As populações de peixes são dinâmicas: sofrem variações naturais, mudanças induzidas pelo clima, impactos da pesca e alterações no habitat, como degradação de manguezais, poluição costeira e construção de empreendimentos ao longo da costa. Além disso, os dados de monitoramento nem sempre cobrem todas as regiões e artes de pesca da mesma forma.

Outro ponto é que a abundância natural não se traduz, necessariamente, em altos volumes de captura. Algumas espécies são alvo preferencial de grandes frotas industriais, enquanto outras aparecem mais em pescarias artesanais, nem sempre registradas com o mesmo detalhamento. Em certos anos, uma espécie pode liderar os desembarques; em outros, ser superada por peixes que se adaptaram melhor às condições ambientais daquele período.

Por esses motivos, em vez de destacar apenas uma espécie como a mais abundante, diversos estudos tratam a sardinha-verdadeira, a anchoveta, as manjubas, tainhas e corvinas como um conjunto de peixes costeiros-chave, que sustentam tanto a teia alimentar marinha quanto a pesca comercial e o consumo humano no Brasil. A observação conjunta desse grupo oferece uma visão mais fiel da riqueza pesqueira do país e da necessidade de manejo cuidadoso para manter esses estoques em níveis biologicamente seguros.

Giro 10
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