PUBLICIDADE

SPFW: Luciano Szafir com colostomia e inclusão marcam dia

Terceiro dia mostrou mais uma vez diversidade, com modelos gordos, cadeirantes, idosos, pretos e estreias no evento

19 nov 2021 08h37
| atualizado às 15h30
ver comentários
Publicidade

O terceiro dia do 52ª edição do SPFW, com desfiles digitais e presenciais, todos transmitidos pelas redes sociais do evento, mostrou mais uma vez diversidade, com modelos gordos, cadeirantes, idosos, pretos e estreias no evento ao vivo de estilistas que estão há anos na estrada. Um deles, Walério Araújo, que comemora 30 anos de carreira, com vários desfiles na história e pela primeira vez presencial no São Paulo Fashion Week.

Luciano Szafir com bolsa de colostomia no desfile
Luciano Szafir com bolsa de colostomia no desfile
Foto: Andy Santana / Futura Press

Na passarela de Walério, que apresentou o tema "Noite Ilustrada", o empresário e ator Luciano Szafir finalizou a última apresentação do dia deixando à mostra a bolsa de colostomia que usa desde que passou por cirurgia abdominal em que retirou parte do intestino devido a consequências da Covid-19. A ação faz parte de campanha contra o preconceito a pessoas estomizadas, como ele. Nos bastidores, disse que o procedimento salvou sua vida.

Desfiles mostram inclusão na passarela (Fotos: Rosângela Espinossi)
Desfiles mostram inclusão na passarela (Fotos: Rosângela Espinossi)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

O evento exige já há duas edições 50% de modelos com ascendência afro e indígena, mas também tem aberto espaço para estilistas pretos, como o Projeto Sankofa, que nesta quinta-feira (18), mostrou a moda consistente das jovens marcas baianas Meninos Rei e Ateliê Mão de Mãe. Os desfiles foram marcados por inclusão, com modelos gordos, idosos e até cadeirante na passarela. Confira resumo de cada marca.

Luciano Szafir mostra sequelas da covid-19 durante SPFW:

Projeto Sankofa - Meninos Rei e Atelier Maõ de Mãe

O Projeto Sankofa, que estreou na edição passada do SPFW, foi criado pelo grupo Pretos na Moda para abrir portas a estilistas pretos se apresentarem no evento. Duas marcas abriam o dia no pavilhão das Culturas Brasileiras, no Ibirapuera. Meninos Rei e Atelier Mão de Mãe mostraram uma roupa consistente, seja com tecidos com estampas africanas e ligação direta com o candomblé, inckusive na passarela, seja com  o crochê de primeiríssima linha.

Reiner Cadete e Ícaro Silva, que estão em ‘Verdades Secretas’ (Fotos: Rosangela Espinossi)
Reiner Cadete e Ícaro Silva, que estão em ‘Verdades Secretas’ (Fotos: Rosangela Espinossi)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Meninos Rei desfilou a coleção "Salve o Povo de Rua" os estilistas Céu e Junior Rocha apresentaram 17 modelos e levaram os atores Ícaro Silva e Reiner Cadete à passarela, além de Henrique Borges, 16 anos, filho de Paulo Borges, em sua estreia em desfiles. O desfile teve referências ao candomblé e tecidos africanos. Também cadeirantes e gordos desfilaram para a marca.

Crochê e paleta terrosa foram usados nos looks (Fotos: Rosângela Espinossi)
Crochê e paleta terrosa foram usados nos looks (Fotos: Rosângela Espinossi)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Maiôs, biquínis, saias, vestidos, calças, casacos, tops em tramas coloridas ou puxadas para os tons terrosos se multiplicavam na passarela do Atelier Mão de Mãe, tendo ao fundo imagens de arrebentação de ondas. Peças masculinas e femininas, para gordas ou magras cruzaram a passarela e provaram que o crochê está cada vez mais em alta como peças sofisticadas, para todas as horas.

Ronaldo Silvestre

Explosão de cores e tons terrosos pintaram o desfile de Ronaldo Silvestre
Explosão de cores e tons terrosos pintaram o desfile de Ronaldo Silvestre
Foto: André Solano/Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Em sua segunda participação no São Paulo Fashion Week, o estilista mineiro Ronaldo Silvestre usou para inspiração de seus looks tudo que seja relacionado ao divino. Como 'molde', a maioria em tons terrosos - mas também abusou do amarelo cítrico e laranja -, ele desfilou saias de cintura alta, blusas fluídas, linho, camurça, vestido balonê (moda anos 1990), plissado e muitas franjas. A coleção foi inspirada em trançados, tramados, cestarias e plumagem (inclusive em vestidos). Tudo muito orgânico e usável no dia a dia. 

"A manipulação têxtil realizada no Instituto ITI, continua como grande destaque em nosso trabalho, em que eu procuro descobrir a essência e a alma dos tecidos, afinal eles são a nossa segunda pele", explicou Silvestre. 

João Pimenta

As alfaiatarias aparecem ajustadas e largas no desfile de João Pimenta (Fotos: Rosângela Espinossi)
As alfaiatarias aparecem ajustadas e largas no desfile de João Pimenta (Fotos: Rosângela Espinossi)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

Depois de uma apresentação sufocante, com máscaras cobrindo o rosto dos modelos - reflexo da pandemia - e, em seguida, a necessidade de escapismo, com roupas coloridas, ambas em versões digitais, o estilista João Pimenta trouxe uma moda tranquila, confortável, com bom corte e sobreposição em tons de bege, branco, cinza, preto, mas sem exageros para aquele homem moderno, como uma volta à normalidade.

Rocio Canvas

Desfile de Rocio Canvas teve todas as peças pretas
Desfile de Rocio Canvas teve todas as peças pretas
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

A marca Rocio Canvas apostou no preto básico - a cor mais usada no inverno - para apresentar sua coleção. Criadas pelo estilista Diego Malicheski, as peças fizeram uma releitura das roupas ícones da Rocio, que mantém a essência da marca, mas com a inovação. "A opção por trabalhar a coleção inteira em preto é que ele representa a força da estrutura da roupa para a marca em diferentes texturas e construções", explica o designer. 

Weider Silveiro

Na passarela, casacos amplos, vestidos, algumas peças com corset estruturado
Na passarela, casacos amplos, vestidos, algumas peças com corset estruturado
Foto: Rosângela Espinossi / Elas no Tapete Vermelho

O estilista Weider Silveiro trouxe inspiração do rock dos anos 1980 e 1990, em que veio um grunge suavizado, com xadrez, mangas compridas, tricô e malhas em peças que ora vinham mais amplas, ora mais secas. Um pé nos anos 2000 também apareceu com o rosa à la Paris Hilton, personalidade cujo estilo tem marcado tendência atualmente, dentro da tendência Y2K. O inverno 2022 do estilista vem ainda com estampas de flores sobre fundo escuro, a chamada dark flower.

Von Trapp

A coleção Matronae remete às mães e ao feminino
A coleção Matronae remete às mães e ao feminino
Foto: Marlon Brambila/Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

A grife Von Trapp teve um desfile de estreia na SPFW que abusou da paleta de cores. A coleção Matronae remete às mães e ao feminino. Tendo isso como ponto de partida, as peças são coloridas, ombros marcados, há o uso de lenços, os vestidos têm corte reto. Tudo um caminho forte que leva a moda para a espiritualidade, fator bastante  presente na maternidade. O designer Marcelo Von Trapp mostra a vontade de criar de forma tridimensional - foram três grupos, com uma única coisa em comum: o uso de máscaras, que denotam o bem, o mal e o poder. 

Walério Araújo

Luciano Szafir cumprimenta Sasha na passarela de Walério Araújo
Luciano Szafir cumprimenta Sasha na passarela de Walério Araújo
Foto: Rosângela Espinossi / Elas no Tapete Vermelho

Com Luciano Szafir na passarela e Sasha na plateia, Walério Araújo mostrou a coleção "Noite Ilustrada", nome em homenagem à coluna da jornalista Erika Palomino, na Folha de São Paulo, que mostrava as personagens que movimentava noite paulistana, incluindo o próprio estilista, no começo dos anos 1990.

Johnny Luxo no desfile de Walério Araújo
Johnny Luxo no desfile de Walério Araújo
Foto: Rosângela Espinossi / Elas no Tapete Vermelho

Para isso, não se furtou a desfilar o que sabe fazer tão bem: bordados, incluindo vestido todo com pérolas aplicadas, brilhos, e outros que formavam o W de seu nome. O estilista customizou peças a partir de seu próprio acervo, incluindo roupas vintage de grifes internacionais, como Lanvin e Versace, que ganharam aplicações e os trabalhos feitos à mão.

ÀLG

Peças transparentes e democráticas marcaram looks da ÀLG
Peças transparentes e democráticas marcaram looks da ÀLG
Foto: Divulgação / Elas no Tapete Vermelho

Tendo como base a ideia de 'uma moda para todos', a ÀLG trouxe o colorido das peças esportivas para a passarela. Peças oversized, com composições impensáveis e transparências, o look da grife é tudo que um jovem gosta. 'Reproduzimos os best sellers da marca neste tecido transparente de alta tecnologia e que originalmente era destinado a calçados, fizemos mudanças na trama e na maciez para que pudesse ser vestível. Além da transparência, o material permite a troca de ar interno e externo quando vestido. Tênis Manobra desenvolvido em parceria com Olympikus completa todos os looks", explica o estilista Alexandre Herchcovitch.

Ellus

Ellus, prestes a completar meio século, imprimiu seu DNA nas peças (Fotos: Ze Takahashi/Divulgação)
Ellus, prestes a completar meio século, imprimiu seu DNA nas peças (Fotos: Ze Takahashi/Divulgação)
Foto: Elas no Tapete Vermelho

A Ellus deu início às comemorações dos 50 anos da grife. Para tanto, mantêm-se o espírito urbano com o uso de puffer jackets, jaquetas biker de couro, coturnos e calças utilitárias. Os clássicos foram atualizados com novidades no jeanswear. "As peças de denim são as mais especiais da coleção; são itens que possuem grande valor agregado, feitos em tecidos de alta qualidade, tecnologia e com diversos processos de lavanderia, essenciais para a produção de um jeans premium". As costuras são marcadas e o jeans parece lavado. Os tons são terrosos e o verde, mais próximo do militar.

Para compor os looks, aparecem os coturnos, bolsas de couro e náilon - com correntes - que lembram o estilo rock´n´roll tradicional da Ellus.

Elas no Tapete Vermelho
Publicidade
Publicidade