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Saiba tudo o que rolou no SPFW

Evento contou com a presença da top Gisele Bündchen na passarela e diversos famosos na plateia

5 abr 2014
11h25
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O evento de moda mais importante da América Latina mais uma vez atraiu diversas marcas renomadas e modelos internacionais para a apresentação das coleções de verão 2014/2015. O SPFW ocorreu entre os dias 31 de março e 4 de abril, no recém-inaugurado Parque Cândido Portinari, ao lado do Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Foram 32 desfiles do line-up oficial, em cinco dias. 

Tops e famosos tomaram conta da 37ª edição do SPFW
Tops e famosos tomaram conta da 37ª edição do SPFW
Foto: Ricardo Matsukawa/Alan Morici / Terra

Marcas tradicionais, como Ellus, Triton, Colcci e Forum participaram da tradicional semana de moda paulista. Grandes astros do mundo da moda como a übermodel brasileira Gisele Bündchen e o modelo número 1 no ranking do site Models.com Sean O’Pry desfilaram. Ainda representando o Brasil, Fernanda Lima causou alvoroço com um vestido transparente no preview de Samuel Cirnansck. 

Já as tops internacionais Candice Swanepoel, conhecida por sua barriga negativa, e a namorada do jogador portugês Cristiano Ronaldo, Irina Shayk, vieram ao País da Copa para desfilar no evento.

O Terra preparou um guia completo do que aconteceu nos cinco dias de evento, as principais tendências apresentadas por cada marca e todos os grandes nomes que subiram na passarela.

Samuel Cirnansck
A 37ª edição do SPFW foi encerrada pelo desfile de Samuel Cirnansck, inspirado "nas mulheres de um novo tempo". O começo foi com cores fortes, como pink e com tecidos drapeados em tons contrastantes com o do forro. Assim, amarelo podia surgir com bordô, criando efeitos diferentes na tonalidade das peças, com saias amplas e fendas profundas. Samuel abusou do decote profundíssimo e das transparências mil. Colocou macacões brilhantes e totalmente transparentes, daquele tipo que as celebridades usam e parecem que estão sem calcinha. As modelos pareciam que não usavam a lingerie, afinal o bumbum esteve bem evidente, mas elas usavam sim, um modelo mais alto.

<p>Desfile de Samuel Cirnansck</p>
Desfile de Samuel Cirnansck
Foto: Alan Morici / Terra

A linha de renda preta sobre cores fosforescentes deixou uma impressão meio Halloween, logo amainada pela linha de tons mais fortes e com os brancos, culminando na noiva, cujo vestido foi feito com babadinhos, que pareciam de sobras de tecidos, o que ficou bem legal.

Herchcovitch masculino
O estilista colocou 27 modelos negros, incluindo algumas mulheres, em seu desfile de moda masculina inspirada "no modo de vestir dos integrantes da Baptist Nazareth Chruch ou Shembe Church, religião que mistura Zulu com Cristianismo”. O kilt, saia tradicional britânica, foi a peça-chave da coleção. O estilista vestiu seus homens com saias pregueadas acima do joelho. Vinham só com a saia, meiões ou com calças e bermudas por baixo. Na parte de cima, peças inspiradas em t-shirts e em casacos também tradicionais ingleses. Mas sempre com algo mais: sem costas, deixando a camisa aparecendo, com pregas iguais as saias na parte de trás. Calças apareceram mais largas, algumas com pregas na frente e também mais curtas.

Inspiradas nas vestes da igreja citada, túnicas brancas de renda apareciam com bordados de flores. Preto, cinza e branco, além de xadrezes tradicionais de fundo vermelho e trabalho quadriculado em tons de vermelho, rosa, laranja e preto também apareceram. Além das roupa mais soltas, calças justas, como a usada por uma das modelos mulheres.

Amapô
A grife usou como trilha sonora do desfile de verão as músicas do grupo baiano É o Tchan. Tudo para transportar o universo do Havaí para a Bahia no verão 2015. Trouxe estampas próprias, como hibiscos gigantes, imagens feitas a partir de viagens antigas das próprias estilistas Carolina Gokd e Pitty Taliani. Os cortes tradicionais do jeanswear aparecem nas bermudas, coletes e shorts em tons de amarelo vivo. Do Havaí, as proprietárias das marcas trouxeram, como disseram no material de divulgação, as influências mais óbvias: hibiscos e neoprenes.As flores sugiram em tamanhos máxi e em cores fortes, como amarelo, pink e vermelho. Flor pink até nas bermudas de fundo branco masculina.

O neoprene em jaquetas de modelagem mais larga também estampadas e em tops e saias com mangas e barras ampliadas. Calça jeans de cintura alta usada com body estampado e biquínisfinalizados com corda foram outras opções para o verão da grife, assim como acalça jeans toda vazada e debruada com corda na lateral. As cabeças dos modelos foram uma atração à parte no desfile de Amapô. Os enfeites trouxeram até um imagem de Nossa Senhora, além de bananas e abacaxis.

Wagner Kallieno
Wagner Kallieno levou para a passarela 30 looks em tons de nude, alguns com brilho, outros com dourado, furta-cor, aplicações de bordados em 3D. Ele faz roupa para realçar a sensualidade da mulher. Não foi diferente em seu desfile de estreia. Mas a apresentação em uma só cor e uma só silhueta ficou monótona. Todas as peças tinham como cor de fundo o tom natural, um off-white mais carregado. Cansou, apesar de mostrar o trabalho de bordados e pedrarias de Caicó (RN) com os quais ele quis fazer referência ao sol da cidade em que nasceu, Natal, também no Rio Grande do Norte.

Ele disse em entrevista ao Terra que a sensualidade está nos detalhes. Esses detalhes aqui foram traduzidos em decotes profundos, transparências e fendas. O desfile podia ter sido mais enxuto e mais quente. Não precisava dos vestidos longos de linho acinturados com cintinhos de couro, peça recorrente no look, nem do make brilhoso, que em algumas meninas dava a impressão de pele oleosa, nem das barras por fazer, que já não é mais moderninho.

Ellus
A Ellus reuniu de uma só tacada Cauã Reymond, Lea T e Laís Ribeiro, modelo considerada a 15ª mais sexy do mundo. No meio de tudo isso, a bateria da Vai-Vai ao vivo acompanhando músicas de Caetano Veloso. Tudo isso para fazer um desfile protesto, com direito a camiseta no final e distribuída para uma parte da plateia com os dizeres "Abaixo esse Brasil Atrasado".

No material de divulgação, o estilista da parte masculina Rodolfo Souza diz "O verão 2015 da Ellus é um olhar sobre o país." Esse olhar veio, além da mensagem final, com jeans em lavagens claras, modelagem do corpo, e bandeiras dos Estados em tons de cinza e preto, além de estampadas em jacquard de seda. Neste trabalho e cor, vinham também o nome da grife em letras grandes. O linha de luxo da Ellus traz ainda vestidos retos atrás e com babados na frente, bonés de aba reta, bolsas com a tampa de metal, jardineiras. Além dos jeans, a Ellus apresentou tecidos trabalhados de forma tecnológicas.

Melissa
Com o tema Eat My Melissa, a marca de sapatos de plástico se inspirou no cheirinho de típico de seus calçados - tutti-frutti -para mostrar a coleção de verão da marca. A cartela vem multicolorida, como rosa neon, amarelo, azul, verde e vermelho, além de branco, marrom e preto. Um deles que geraram frisson foi o Melissa Ladt Dragon Wedding, de J. Maskrey, uma sandália peep toe transparente com cristais na parte de cima. O designer é um dos que voltam a assinar novos modelos para a coleção de verão.

Também fazem parte do time que renovaram com Karl Lagerfeld, Vivienne Westwood e Jason Wu. A Melissa trouxe de volta o modelo aranha idêntico ao original de 1979 na cor vermelha. Nos pés das modelos, 28 sapatos que variavam de altura, cor e estilo. Mas o show ficou mesmo para o styling, feito por Anna Trevelyan. As modelos pareciam bonecas. Na primeira parte, peças feitas com látex em forma de rede nas cores de doces. Na segunda, as roupas e acessórios eram de papel-alumínio. O látex voltou na última parte, com desenhos de ícones das lanchonetes dos anos 50, como milkshake, hot dgs, hambúrgueres, ketchup e batatas fritas.

Reinaldo Lourenço
A apresentação começou com o tradicional trench-coat, peça criada para os soldados ingleses na Primeira Guerra Mundial, remodelados com ar mais fresh. A coleção tomou como base a vestimenta. Daí surgiram também vestidos sem mangas e jaquetas. Versões bem leves vinham em tela e era usada sobre hot pants e tops com estampa Liberty.

Reinaldo Lourenço visitou o arquivo da tradicional casa britânica, inaugurada em 1875 por Artur Liberty, e usou cinco padronagens do começo do século 20. Elas vieram em vestidos justos, alguns construídos com roletês do próprio tecido, costurados na vertical, que lembravam gaiolas. Para completar, flores aplicadas. Alguns sapatos baixos e altos, modelo creeper, também recebiam as estampas, assim como mochilas. Os acessórios entravam junto com saias ou blusas com os mesmos desenhos.

Forum
angel sul-africana Candice Swanepoel, conhecida por sua barriga negativa, não mostrou o abdômen do desfile da Forum, último do penúltimo dia da 37ª edição do São Paulo Fashion Week. Candice começou com essa linha de estampa que dominou a primeira parte. Vestia uma saia tipo lápis renovada com fenda feita com zíper e um tipo de casaco ajustado na cintura com cordas e orquídea na lapela.Toda a sequência veio com esses elementos: cordas, flores, zíperes. Esse fecho utilitário foi o elo da coleção, aparecendo deslocado de suas funções originais, como nos quadris e nos ombros, dando mais volume a essas regiões.

SPFW Verão 2014/2015: veja desfile da Forum

A silhueta proposta para o verão era estruturada, com foco nos vestidos curtos ou médios. Mas também surgiram túnicas e calças mais justas, bermudas e pantalonas, como a desfilada por Daiane Conterato. Além das flores em cores como laranja e verdes, em tons diversos, dos mais vivos aos mais profundos, amarelos e beges pontuaram a coleção. Cinza com brilho e off-white também estiveram na cartela de cores. Franjas, listras nos tecidos que parecem tweeds, organzas e rendas bordadas aliviaram da coleção.

Lino Villaventura 
Os modelos tendo um sol ao fundo entraram com os pés no chão, sem sapatos, apenas com aquelas tornozeleiras bastantes conhecidas por quem já rompeu ou torceu os ligamentos e teve de usar como contenção. No final, o último look, o mais estruturado de todos, foi desfilado por Isabel Hickmman, a protagonista na última edição do beijo na boca junto com Alicia Kuczman. Isabel não usava as tornozeleiras e desfilou na ponta dos pés. Os demais looks foram fluidos, estampados em tons terrosos, com pitadas de vermelho e verde, com abstrações de plantas e de animal print.

Essa outras mulheres de Lino entravam mais soltas, com vestidos feitos com amarrações e finalizados com cristais Preciosa. Mas apenas em detalhes, como fivelas e alças para segurar as peças feitas como moulage, moldadas no próprio corpo. Surgiam também look manchados de azul e nude ou looks totalmente brancos, com saias fluidas e amplas acompanhadas de blazers mais estruturados. Tudo mais tranquilo, refletindo esses "Novos Tempos" de Lino menos exuberante, mas não menos sensual, etéreo e sofisticado. Os homens apareceram com paletós estampados e bermudas. Houve também algumas calças com brilho e jaquetas, além do preto de camiseta e calções que acompanham a primeira entrada feminina toda negra.

Lolitta
A grife estreante do dia, Lolitta, recriou sem estereótipo as espanholas. Estavam lá os vestidos justos com babados na barra, as peças com três camadas de babados formando um vestido, a mistura de cores típicas da Espanha, preto e vermelho com pitadas de nude, nas estampas e listras feitas no tricô ou formadas por faixas finas presas por bolinhas, que deixavam a pele à mostra. Verde, pink e salmão também coloriram as roupas. Lolita Zurita Hannud, de 26 anos, começou cedo e lançou sua primeira coleção aos 12 anos, para suas colegas de escola. O aprendizado veio da malharia da mãe, Rosana Zurita, há 40 anos no mercado.

Esse savoir faire fez a garota evoluir no trabalho de modelar a roupa no tricô com elastano. O desfile de estreia da marca trouxe peças justas até o chão, dificultando o passo da modelo. Mas soluções apropriadas também surgiram, como os modelos justos até os quadris de onde saia um tricô de tela mais leve e fluida. O vestido pink acima do joelho, com saia evasé, também fez bonito na passarela, assim como as sandálias altas com tiras de bolas e os brincos com o mesmo enfeite.

Movimento
A grife trabalhou com materiais tecnológicos, como a lycra com película brilhante chamada Splash, e com maior percentual de elastano, chamada fluity. A marca comandada por Tininha da Fonte partiu do bom e velho maiô para criar as peças da coleção. A clássica peça ganhou modelagem esportiva, tiras, faixas, triângulos que o transformavam em quase biquínis, como os modelos com tiras verticais na frente, como um engana-mamãe. Não faltaram recortes e amarrações. As calcinhas vêm retas, sejam as mais largas ou as fininhas. Entre os momentos de ousadia, o biquíni com calcinha mínima franzida, usado como fio-dental. O detalhe é que o franzido na frente era tão acentuado, quase não resistindo à depilação da modelo.

Fora da água, as peças apareciam com tramas vazadas, como no macacão esportivo largo, com punho nas pernas, ou como togas, com capuz e tudo. Macacões também apareciam justos, quase como embalados a vácuo ou fazendo referência ao modelo long john, dos surfistas. Vestidos e saias longas também apareceram, assim como jaquetas esportivas e bermudões baggy, amarrados na cintura ou abaixo delas, deixando a calcinha à vista.

Lilica Ripilica
O desfile da grife infantil Lilica Ripilica fez as crianças viajarem de balão para Nashiville, Havaí e Nova York. Com passarela enfeitada com tufos de algodão, ou seria nuvem? As crianças entraram sorrindo, primeiro com o estilo de Nashiville, vestidinhos mullets, detalhes de tule nas peças, com o típico estilo country da cidade. Estampas de lenços e franjas enfeitavam as roupas.

Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

O estilo praiano, com peças soltinhas, dominou a chegada ao Havaí, e em Nova York, o estilo urbano, estampas dos letreiros da Broadway e os Yellow Car aparecerem nos looks. Tudo com muito brilho. Paetês nas mochilas, sandálias gladiadores, babadinhos e as franjas, muitas, franjas, estão no catálogo de verão da marca infantil, uma das patrocinadoras do evento. Na cartela de cores, não falta o rosa, tom da personagem da marca, além de branco, preto, naturais, azul-claro, amarelo e marrom.

Têca
Têca por Helo Rocha, levou o art déco para a passarela montada ao ar livre no jardim do Espaço Zeferino. A marca de sapatos Zeferino, aliás, foi convidada pela estilista Helô Rocha para assinar os sapatos clássicos, e com direito a solado vermelho, de seu desfile. Nos looks, predominaram o preto e o branco. Ora nos grafismos característicos do estilo, ora em vestidos e conjuntos lisos ou monocromáticos. Também apareceram alguns tons de cinza, abóbora, rosa claro e verde.

Os decotes em V profundos e fendas generosas inovaram os shapes do estilo das décadas de 20, 30 e 40. Ainda, decotes nas costas e em forma de gota deram charme a vestidos. Os longos apareceram mais fluidos e os curtos mais estruturados, alguns até feitos em couro. Teve um único look masculino, da primeira coleção masculina que a estilista lança após pedidos recebidos.

Pedro Lourenço
O estilista Pedro Lourenço apresentou sua coleção desenvolvida apenas para o mercado brasileiro para várias ocasiões: do dia a dia a festa. Apesar de ser para o verão, há peças para todas as temperaturas. Na passarela, os colares foram feitos em impressoras 3D, a grande novidade tecnológica do momento. Carol Trentini abriu e fechou a apresentação. O primeiro look foi um vestido bicolor com a saia branca tipo lápis até acima da cintura e a parte do dorso preta. Completando a produção, cinto grosso e jaquetinha curta.

A top fechou a apresentação com um longo de paetês preto, com decote nadador na frente e atrás, também com cinto grosso. A coleção da grife é linda e faz qualquer mulher ter desejo de ter pelo menos uma peça no seu guarda-roupa. Os vários trench-coats podem ser comprados como sendo da coleção de verão, mas vão ser usados nos dias mais frios, como aqueles que têm todas as estações em 24 horas. Eles vêm com tratamento vinílico, conferindo brilho. A linha de animal print também é atual e atemporal, assim como as peças de paetê em tons vinho e preto.

Colcci
Gisele Bündchen na passarela é sempre sinal de comoção na plateia. Não foi diferente desta vez, com as duas entradas da top mais bem paga do mundo. Na primeira, a musa apareceu com vestido justo de jeans abaixo dos joelhos, com barra franzidinha e frente cruzada em X. No último look, ela vestia saia-lápis também abaixo dos joelhos e top cropped com decote em V de onde já saiam as mangas curtas soltinhas do lado.

SPFW Verão 2014/2015: veja desfile da Colcci

Já o modelo número 1 do mundo, Sean O’Pry entrou desfilando um blazer com estampas tropicais o burburinho. A coleção de verão 2015 da Colcci trouxe uma atitude tropical sem exageros. A silhueta das mulheres é justa ao corpo, com saias mídi, de barrado franzido, e muitos tops e blusas cropped, deixando a pele à mostra em detalhes. Os ombros, como tem se visto nos desfiles, têm lugar de destaque, seja por estarem à vista, seja pela valorização por meio das mangas e da modelagem. E esse foi o ponto-chave da coleção. As mangas vinham como continuidade da roupa, sem cortes, acompanhando a linha dos ombros, com certa influência das vestes orientais.

Adriana Degreas 
A grife de moda praia Adriana Degreas trouxe aquelas peças que são maravilhosas para ver nas passarelas e nas capas de revista, mas difíceis de usar na vida real. Maiôs e biquínis foram feitos como lingeries, com lycra preta rendada com desenhos que lembram folhas. Presos em tule ilusion, calcinhas e tops surgiam vazados, às vezes com aberturas estratégicas, deixando à vista do umbigo até em baixo. Ou como na calcinha desfilada por Bruna Tenório, com abertura atrás coberta com babado transparente.

Desfile da marca contou com muita transparência nos looks
Desfile da marca contou com muita transparência nos looks
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Os tradicionais caftãs da grife chegam para o verão 2015 transformados em macacões, atualizando a peça que faz bonito papel fora das praias e piscina e deixam a mulher mais alongada. As hot pants com blusas de mangas amplas e decotes profundos faziam às vezes de bodies. Maiôs vinham com cavas profundas, botões grandes como enfeite e até bolsos. Os decotes em V chegavam até o umbigo e se reproduziam na parte de traz, terminando no começo das calcinhas.

Água de Coco
Izabel Goulart, Carol Trentini, Ana Beatriz Barros, Ana Claudia Michels, Carol Francischini, Renata Kuerten estão entre as sereias da grife Água de Coco. Agrife trouxe cardumes de peixes, escamas, pele de arraias, corais, madrepérolas e conchas para estampar os biquínis, maiôs, bodies. Os tops, por exemplo, podem vir com mangas amplas; biquínis ganham, babadinhos, bodies aparecem com mangas compridas e bordadas, as saídas ganham desdobramentos de tecidos, hotpants conversam com tops.

SPFW Verão 2014/2015: veja desfile da Água de Coco por Liana Thomaz

A grife também trouxe saias franzidas e tipo lápis, vestidos, macacões e calças compridas. A modelagem das peças surge minimalista, o que faz aparecer ainda mais as estampas, que ganham importância ao serem impressas em tecidos como lycra com acabamento de escama e neoprene texturizado. Essas matérias se contrapõem com a leveza da seda transparente. O body, peça que está entre as tendências para fora das praias, aparecem com mangas compridas, muitas vezes com bordados transparentes, alguns deles representando cascalhos em tons de coral. As tonalidades vão dos tons terrosos, passando por amarelos, caramelo, preto com bordô, branco com preto, turquesa, coral.

Lilly Sarti
A estreia da grife Lilly Sarti no São Paulo Fashion Week veio recheada de tops. Ana Beatriz Barros abriu o desfile com um longo transparente, matador. Depois vieram Daiane Conterato, Aline Weber, Bruna Tenório e várias outras que mostraram a inspiração proposta pela jovem dupla Lilly e Renata Sarti. 2014 é o Ano do Cavalo e foi esse tema que Lilly, a estilista, imaginou. As peças para essa mulher jovem que é cliente da marca vêm em seda, chamois, jeans, capas, blusas e vestidos fluidos em devorés feitos com desenhos inspirados nas ferraduras, em tons com azul-claro, amarelo, verde-musgo, arroxeados e branco.

Essa leveza de shape contrapõem-se com algumas peças feitas de chamois. As tramas manuais em peças alongadas, como capas usadas com jeans, também apareciam em couro nos tons de vinho e amarelo, por exemplo, como na saia e blusinha combinando. Comprimentos curtos e longos, silhuetas mais pesadas ou mais fluidas ganharam vida na passarela da grife. A grife paulista reaproveitou elementos do estilo indígena, já presente na moda há algumas temporadas, com os chamois, franjas e casacos longos, em peças que renovam a silhueta das garotas que gostam de montaria. Assim surgem calças jeans, muito couro, cores terrosas. As peças chegam com a intenção de alongar a silhueta. As franjas, aliás, são o ponto forte da coleção: surge nos jeans, nas blusas, nas capas, nas sandálias e nas bolsas levadas na mão.

Ronaldo Fraga
O estilista lançou mão de tecidos como algodão, seda e linho. O mineiro lançou no desfile o fio de poliamida Amni Soul Eco, da Rhodia, que desintegra 50% em pouco mais de um ano dentro de aterros sanitários.

Ronaldo abre o desfile com vestidos de fios de seda crua tramados à mão, em tons de azuis e cinza, depois começa a encher de cores, como nos vestidos retos em tons de azul, amarelo e vermelho, lembrando os balões. Macacões, bermudas e blusas tipo t-shirt mais larguinhas e longos amplos também estão entre as peças criadas por Ronaldo. Em algumas, fios de algodão saíam das estampas, dando a impressão de uma obra inacabada, em outros, brilhos aplicados sobre releituras dos azulejos de Minas e bordados reproduzindo desenhos.

Gloria Coelho
O desfile começou com uma sucessão de peças justas caneladinhas, em cores como azul, verde e preto, com tule preto por cima. Parecia um desfile apenas para garotinhas. Depois, os tubinhos dos anos 60, com aplicações geométricas arredondadas, em tons de nude, off-white. Depois veio a linha dos pretos, com calçascasacos com manga aberta na frente, lembrando pelerine, vestidos. Lindos, diferentes, com cortes que valorizam os ombros, como o vestido usado por Vivi Orth, que de frente quase não se nota a manga curta.

Tule transparente no braço com aplicações de cristais, como se fossem segunda pele. Pelerines e calças cigarretes de couro, com mistura de tons claros, também bem ao estilo da estilista e com ênfase nos anos 60, como no look de Alicia Kuczman. Armaduras vinham representadas por peças que valorizam e estruturam os ombros, com delicadeza. No final, os vestidos de festa, longos ou curtos, com muitas transparências, com pastilhas de couro ou de tecido sobre tule ilusion, em cores que vão do prata ao dourado, passando por pink, abóbora, verde, vermelho. Linhas retas, babados presos e mais cristais.

FH por Fause Haten
A apresentação performática teve manequins pendurados, câmeras espalhadas pelo palco - uma delas presa a Fause Haten - e coreografia para os convidados. Fause apresentou saias longas e volumosas, com saiotes, sobreposição de tecidos, aplicação de miçangas, de flores de fuxico, retalhos de tecidos, listras e brilho.

A cintura marcada com cós frizado foi uma característica da coleção que o designer classificou nem como de verão, nem como inverno, mas de "abril 2014". A predominância de tecidos acetinados foi visível. Como acessórios, a grife apresentou colares de penas coloridas, enfeites de flores na cabeça, objetos brilhantes e sempre bastante chamativos.

Paula Raia
A estilista se inspirou numa mulher que trança com palha uma esteira e tem os filhos ao lado brincando no barro. O resultado foi uma profusão de vestidos, saias e tops cropped trabalhados manualmente, com tramas e trançados, que ora vinham mais ajustados, ora mostravam mais volumes. Paula enfatizou os volume nos quadris, seja com as saias amplas ou com sobreposições, algumas de cintura basque. Talvez tenha sido proposital mostrar a região ampliada, uma vez que é identificada com a fecundidade.

As transparência das tramas também deixavam, entre outras partes do corpo, seios à mostra em dorsos ajustados. Saias mais amplas e parte de cima justa, dando um contraponto de volumes à silhueta. O desfile começou com tons de palha, cru, que iam esquentando aos poucos até chegar ao terrosos fortes, como ocre. Algumas das peças tinham aplicadas uma a uma dobraduras como origamis, que davam um efeito de pétala ou escama.

Triton
A Triton fechou o segundo dia do São Paulo Fashion Week com a russa Irina Shayk, considerada a modelo mais sexy do mundo pela revista Maxim. Irina entrou na segunda parte com saia transpassada, flores aplicadas e um fenda generosa. Na parte de cima, uma blusa com ombros à mostra e pregas na cintura, formando a silhueta basque. A namorada de Cristiano Ronaldo encerrou o desfile com vestido justo bege e faixa diagonal verde transpassada, sem brilho e bem simples.

IFrame O estilista dos meninos, Igor de Barros, entrou na pegada esportiva e misturou short modelo boxer com coletes de alfaiataria e jaquetas desmontáveis por meio de zíper horizontal que destacava a parte debaixo. Blazers, coletes e trenchcoats surgiam sem mangas, assimétricos, com bolsões, acompanhados de calças cargo e bermudas. Listras abstratas enfeitavam as roupas. Para as mulheres, Karen Fuke trouxe um ar romântico, partindo da ideia de desconstrução da cinta-liga. A peça sensual vinha com ar mais pueril, romântico com plissados, babados e preguinhas. Às vezes, porém, com certo exagero, como nas barras de vestidos curtos, que acabam ficando ampliados e pesados por conta dos plissados em barrados largos.

As cores mesclam ouro, rosa, pêssego e laranja com verdes, cáquis, azul e prata. Maxiacessórios de acrílico seguindo as cores propostas complementam os looks, como colares e brincos.

Uma por Raquel Dawidovicz
A marca foi buscar inspiração no dadaísmo, movimento que surgiu em 1915, que tinha entre as formas de expressão que a falta de sentido é que tinha sentido. A influência do movimento artísticos pode ser vista nos desenhos trompe l'oeil, a partir de fotos de peças do acervo da marca e estampado em tamanho real.

Assim, uma saia de tecido leve vinha com a imagem de uma calça jeans. Ou blusa com a foto de um colete. Os jeans de verdade também fizeram parte da coleção, com bermudas mais folgadas, jaquetas e coletes. Blazeres com mangas dobradas, tricôs usados de forma displicente e calças largas, algumas em modelo saruel, voltam ao verão da Uma.

Vitorino Campos
O tema foi buraco negro e, para isso, Vitorino abusou do preto, mas foi inserindo algumas cores aos poucos, em estampas e em fios de lurex azuis. Neste universo, o estilista colocou também suas estrelas representadas por maxipaetês furta-cor. O branco surgiu nas peças feitas com organza tecnológica, em looks totalmente transparentes, como o usado por Vivi Orth, que desfilou com um vestido tipo blazer feito com o material.

A angel Emanuela de Paula fechou a apresentação com mantô sem manga de seda, blusa alça de organza, top de lycra e neoprene com ilhoses. Vitorino abusou dos tecidos pesados em peças como coletes e casacos sem mangas. Os mantôs, muito presentes nas coleções de verão, também apareceram, como o de manga curta usado por Renata Kuerten. Tops croppeds, outra peça-chave da estação, bermudas e vestidos curtos também têm lugar garantido neste buraco negro proposto por Campos.

Giuliana Romanno
A coleção foi inspirada em Paraty, ou seja, mais uma que aposta nos ares praianos para a estação quente. A diferença é que a mulher proposta pela estilista dá uma sofisticada e uma urbanizada em bermudas, bodies e vestidos mínis ou abaixo do joelho, de forma fluida e confortável. Os tops cropped, presentes em vários vestidos, entram com saias larguinhas.

Giuliana lança mão do tressê para criar composições de redes, que se misturam a vinil transparente com brilho e a organza trabalhada com desenhos geométricos. O casaco também entrou na linha de verão, totalmente feito de tressê em tom rosáceo. O desfile começou em tom de branco, passou pelos rosas, chegou ao laranja forte e terminou com preto. A mistura de texturas também foi uma aliada importante para esta mulher chique, que pode passear pelas pedras de Paraty ou pelo cimento das grandes cidades. Não faltou transparências e decotes para ela, como no look de organza preta usado com body por baixo.

Patricia Motta
A grife mineira especializada em couro apostou na natureza para criar sua coleção de verão com roupas que marcam a cintura da mulher, a partir de saias godês ou pregueadas e blusas curtas com corte tipo pelerine.IFrame Entre os destaques da coleção, além dos minipelerines, as saias e vestidos com couro recortado e costurado criando volume. Pode não ser fácil de usar, mas o efeito é bem interessante. Já os vestidos em preto e branco manchado ficam meio pesados para a estação quente.

Pat Pat's 
O verão da Pat Pat's é iluminado com metalizados em azul, rosa, dourado e prata. A onda esportiva vem com shorts vazados com cós largo de elástico e cadarço, jaquetas curtas, calças justas, às vezes rasgadas. Estampados e vazados também surgem no couro, que dessa vez divide espaço com rendas bordadas, como na calça justa e na blusa cropped. A renda também aparece em recortes nas calças. Franjas de couro também surgem, como no vestido curto de renda. Peça difícil de usar ou apenas para fazer efeito numa festa, como várias garotas gostam de se produzir.

Herchcovitch feminino
Aexandre Herchcovitch levou uma mulher com silhueta dos anos 1950 e 1960, traduzida em vestidos que seguem a linha do corpo, calças mais curtas e de cintura alta, jaquetas curtas e casacos, típicos daquela época, com modelagem mais larga. O estilista partiu da imagem de Marilyn Monroe, sua sensualidade e exuberância.IFrame

Ele usou casacos sem costuras, mas absolutamente femininos, ajudando a mulher a se revelar sensual sem exageros. Neoprene, sutiã às vezes à mostra, mais pontudos, numa releitura da época, crepe de lá, lantejoulas, pedras gabardine, jeans, cetim, seda. Atenção aos ombros arredondados e sem costura. Trabalho exemplar de modelagem. E ao comprimento mídi, típico da época. Também aos vestidos tipo chemise, com abotoamento atrás. Nos pés, os escarpins vem colados à base de acrílico e com fitas envolvendo os tornozelos.

Preview Samuel Cirnansck
Para abrir o desfile do preview de sua coleção de verão 2014-2015, o estilista convocou a apresentadora Fernanda Lima que, segundo ele, é o rosto da leveza que ele tanto buscou imprimir. Fernanda entrou na passarela com um macacão rendado, completamente transparente, que evidencia as formas femininas. Aliás, o "vela e revela" usado por Cirnansck é presença garantida em praticamente todas as suas peças desta coleção. Os bordados também são outra faceta marcante da coleção, em tons suaves, mas que dão vivacidade às peças sóbrias em preto. O dourado é outro tom que aparece bastante nas criações.

O amarelo dá cor aos detalhes nas mangas e recortes dos vestidos longos, além de estar presente nas pedrarias e bordados. Há poucos babados e o comprimento dos vestidos fica pouco acima do joelho, com raras exceções.

Cavalera
A grife Cavalera fechou o primeiro dia do SPFW com inspiração no estilo "paz e amor" de Bali e referências a Woodstock. No final da apresentação, Alberto Hiar e os modelos entraram segurando uma cruz branca com palavras como Felicidade, Amor, Mudança etc. inscritas nelas. Na passarela de verão, foram vistos robes de seda com estampas da fauna e flora balinesas de fundo preto, ao lado de blusinhas românticas, delicadas, como a rosinha usada por Alicia Kucsmann, com o sutiã do mesmo tom à mostra.

SPFW Verão 2014/2015: veja desfile da Cavalera

Vestidos longos largos, peças transparentes, jeans justos, franjas e botas ou clogs (tamancos) de couro, calças, bermudas e camisas de chamois nude. Tudo com o espírito setentistas. Ao lado de jacquards brancos, a coleção trouxe também peças de fundo escuro, pretos, verdes e vinho, por vezes misturados. Se os vestidos eram fluidos, as calças eram justas. Camisas e casacos leves para os homens, que vinham com botas de motoqueiros. Não podia faltar a pegada rock'n'roll da marca.

Tufi Duek
A grande estrela do desfile de Tufi Duek foi a top Isabelli Fontana, que abriu o desfile com um vestido curto e rodado com decote mais comportado que outras vezes, quando já desfilou até como de mulher fatal. A top finalizou o desfile com vestido também curto, com decote atrás tipo nadador e costas de fora. O brilho da peça vinha com paetês furtaco.

A grife deu um mergulho nos anos 50 e 60, se inspirando em piscinas e vestimentas de banho daquelas décadas. O universo do balneário proposto pelo estilista Eduardo Pombal trouxe referências de pin-ups da época, representadas principalmente pelos sutiãs pontudos Não faltou também transparência, nas calças e blusas, ou túnicas, de tule branco ou preto revestido com tiras feitas com o mesmo material do paetê furta-cor, lembrando bolhas de sabão. O desfile revelou uma mudança de olhar para a cliente da marca: uma mulher mais jovem.

João Pimenta
O estilista João Pimenta focou na roupa masculina comercial. No desfile ele partiu do tradicional costume cinza, que quase todo homem tem no guarda-roupa, para misturar tecidos. Com paletó e calça, ou bermuda, ou jaqueta, ele mostrou roupas azuis, do tipo bebê, cor difícil para homens, mas que caía como uma luva na inspiração do estilista, de trazer o universo só surfe para cidade. Talvez no cenário urbano, os garotos não usem tanto brilho, como sarja coberta com foil, nem bordados, nem paetês, nem t-shirts de tela prateada, que está sendo desenvolvida para cobrir tênis, como ele mostrou na passarela.

Desfile de João Pimenta no SPFW
Desfile de João Pimenta no SPFW
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Ele aproveitou essa pegada mais esportiva em ternos tipo tipo jogging, jaquetas compridas, com a parte debaixo destacável. E com os costumes com bermudas. Alguns modelos entraram com pelas em azul-bebê, que pode ser estranho, mas num poliester emborrachado, como ele também mostrou é uma opção e tanto. João Pimenta finalizou o desfile com a modelo Thairini Garcia, com um costume azul brilhante.

Animale
Sem a presença das modelos ‘gringas’, a marca apostou em tops brasileiras de peso, como Aline Weber, Bruna Tenório, Daiane Conterato e Renata Kuerten. Nesta edição, a grife buscou referências no Norte e Nordeste para criar seu verão. Renda renascença se misturava com couro, seda e látex, material também transformado em "renda", reproduzindo estampas inspiradas em xilogravuras do cordel e das formas da artista Maria Bonomi.

A estilista Priscila Darolt contou que a maioria da cores vem com nomes de frutas, como tangerina, jambo, açaí, menta, além do cimento, terra, céu , café, branco e preto. O comprimento vem do míni ao mídi, tendência, que podia ganhar também transparência na parte de baixo. Nos pés, sapatos altos, feitos com couro vegetal, mais uma referência à Amazônia.

Fonte: Terra
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