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El Niño pode encarecer alimentos como café e arroz; veja os produtos que podem ser afetados

Fenômeno climático pode reduzir a produção agrícola e pressionar os preços nos supermercados

8 jul 2026 - 22h28
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O El Niño pode encarecer alimentos nos próximos meses e voltar a pesar no bolso dos consumidores brasileiros. De acordo com uma reportagem publicada pelo 'g1', economistas e especialistas do setor agropecuário afirmam que o fenômeno climático pode comprometer a produção de diversos alimentos, reduzindo a oferta e elevando os preços.

Café, arroz, milho e outros alimentos podem ter a produção afetada pelo El Niño, cenário que preocupa especialistas e pode pressionar os preços nos próximos meses
Café, arroz, milho e outros alimentos podem ter a produção afetada pelo El Niño, cenário que preocupa especialistas e pode pressionar os preços nos próximos meses
Foto: Canva / Bons Fluidos

O mesmo é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, alterando o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo. Como consequência, algumas regiões enfrentam estiagens prolongadas, enquanto outras registram excesso de chuva, condições que afetam diretamente a agricultura. Segundo estimativas da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe mais de 60% de probabilidade de o fenômeno atingir forte intensidade entre novembro e janeiro.

Como o El Niño pode encarecer alimentos?

De acordo com especialistas, o impacto depende da intensidade do fenômeno e do momento em que ele ocorre durante o calendário agrícola. Ainda assim, a preocupação é que as mudanças climáticas prejudiquem desde o plantio até a colheita. "O impacto nos preços dos alimentos é praticamente inevitável se houver prejuízos nas janelas de plantio ou na produção", afirmou o pesquisador Leandro Gilio, do Insper Agro Global em entrevista ao veículo.

Inicialmente, os efeitos devem aparecer nas hortaliças, que costumam responder rapidamente às alterações climáticas. Posteriormente, produtos de safra, como café, milho, arroz e frutas, também podem apresentar redução na oferta.

Café está entre os alimentos mais preocupantes

Entre os produtos que podem sofrer maiores impactos está o café, especialmente o arábica. O excesso de calor e a irregularidade das chuvas podem provocar floradas fora de época, prejudicar o desenvolvimento dos grãos e reduzir a qualidade da safra. Além disso, o conilon já enfrenta atrasos na colheita em algumas regiões produtoras devido ao excesso de chuva, situação que favorece o surgimento de fungos e reduz a produtividade. Para Celírio Inácio da Silva, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), esse cenário pode diminuir a oferta do produto e aumentar a pressão sobre os preços da matéria-prima, refletindo no valor pago pelo consumidor.

Milho, arroz, frutas e leite também podem sofrer impactos

Além do café, outros alimentos também aparecem na lista dos mais vulneráveis. O milho pode sofrer redução de produtividade, principalmente na segunda safra brasileira. Isso acontece porque o atraso no plantio da soja interfere diretamente no período ideal para cultivar o cereal. Como consequência, produtos que dependem do milho, como carnes, ovos e leite, também podem registrar aumentos de preço, já que o grão é um dos principais componentes da alimentação animal.

As frutas e hortaliças igualmente preocupam. Excesso de chuva pode favorecer doenças, atrasar plantios e comprometer a qualidade de alimentos como tomate, cebola, cenoura, batata, maçã e uva. Em outras regiões, a falta de água pode prejudicar culturas como manga, mamão e laranja. Já o arroz e o trigo também podem enfrentar perdas dependendo do comportamento das chuvas ao longo do ciclo produtivo.

Nem todas as regiões serão prejudicadas

Apesar das preocupações, os efeitos do El Niño não são iguais em todo o país. Algumas culturas podem até ser beneficiadas pelas mudanças climáticas. No Nordeste, por exemplo, temperaturas mais elevadas e menor volume de chuva favorecem a produção de melão, melancia e, em algumas áreas, feijão. Ainda assim, especialistas alertam que o saldo geral tende a ser negativo para a produção agrícola brasileira caso o fenômeno se confirme com maior intensidade.

O consumidor deve sentir os impactos?

Ainda não é possível afirmar quando os aumentos chegarão aos supermercados ou qual será sua intensidade. No entanto, economistas acreditam que uma redução da oferta tende a pressionar a inflação dos alimentos nos próximos meses. Por isso, acompanhar a evolução do El Niño será fundamental tanto para produtores quanto para consumidores. Afinal, além de influenciar o clima, o fenômeno pode alterar o comportamento do mercado agrícola e afetar diretamente o preço de produtos presentes diariamente na mesa dos brasileiros.

Bons Fluidos
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