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Dieta cetogênica: os riscos por trás do emagrecimento rápido

A dieta cetogênica pode acelerar a perda de peso, mas no verão traz riscos como desidratação e perda muscular.

9 fev 2026 - 12h44
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A dieta cetogênica virou protagonista nas redes sociais durante o verão. Promessas de emagrecimento rápido, barriga seca e menos fome atraem milhares de mulheres. Especialmente no período pré-Carnaval, o método ganha ainda mais visibilidade.

Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Reprodução/Shutterstock
Foto: Saúde em Dia

Mas o que quase não aparece nos vídeos e depoimentos é o outro lado da história. No calor intenso, a dieta cetogênica pode gerar riscos importantes à saúde. Quando feita sem orientação, os efeitos colaterais podem ser silenciosos e perigosos.

A estética acelerada costuma esconder sinais de alerta do próprio corpo. Tontura, fraqueza e cansaço extremo não devem ser normalizados. Em muitos casos, o problema não é "falta de força de vontade", mas desequilíbrio metabólico.

Segundo especialistas, o verão exige cuidados extras com qualquer estratégia alimentar restritiva. E, no caso da dieta cetogênica, a atenção precisa ser redobrada.

O que é a dieta cetogênica e por que ela promete emagrecimento rápido

A dieta cetogênica propõe uma mudança radical no funcionamento do organismo. O consumo de carboidratos é reduzido de forma drástica. Com isso, o corpo passa a usar gordura como principal fonte de energia.

Esse estado metabólico é chamado de cetose. Nele, o organismo queima gordura para produzir energia. Isso explica a perda de peso rápida observada nas primeiras semanas.

Segundo a nutricionista Thays Klein Pegoraro, da Hapvida Bauru, o método parece sedutor. À primeira vista, ele se encaixa bem na busca por resultados imediatos. Porém, o funcionamento não é tão simples quanto parece.

No início da dieta, o corpo elimina grandes quantidades de água. Isso acontece porque os estoques de glicogênio são esvaziados. Cada grama de glicogênio armazena água no organismo.

Emagrecimento real ou perda de água?

Um dos maiores enganos está na interpretação da balança. Grande parte do peso perdido no começo é líquido corporal. Isso não significa, necessariamente, redução de gordura.

Quando a ingestão de proteínas não é bem ajustada, outro risco surge. O corpo pode usar massa muscular como fonte de energia. Essa perda é especialmente preocupante após os 50 anos.

Segundo Thays, músculo perdido nessa fase é difícil de recuperar. O emagrecimento rápido pode cobrar um preço alto no médio prazo. E o corpo sente esse impacto.

Verão, calor e dieta cetogênica: uma combinação delicada

No verão, o corpo já enfrenta desafios naturais. O aumento da temperatura provoca mais suor e maior perda de líquidos. A hidratação adequada se torna essencial.

Na dieta cetogênica, essa perda é ainda maior. Ao entrar em cetose, o organismo elimina mais líquidos e sais minerais. O processo acontece principalmente pela urina.

Segundo Thays Pegoraro, a soma desses fatores é preocupante. Calor, suor intenso e hidratação inadequada criam um cenário de risco. O resultado pode ser desidratação e desequilíbrio de eletrólitos.

Sódio, potássio e magnésio são minerais essenciais ao corpo. Na dieta cetogênica, esses nutrientes costumam ficar em níveis baixos. Isso afeta pressão arterial, músculos e funcionamento do cérebro.

Sintomas comuns que não devem ser ignorados

Muitas pessoas acreditam que passar mal faz parte do processo. Essa ideia é perigosa e equivocada. Sintomas persistentes indicam que algo não vai bem.

Sinais de alerta comuns incluem:

  • Tontura frequente.
  • Dor de cabeça constante.
  • Fadiga fora do normal.
  • Cãibras musculares.
  • Palpitações.
  • Dificuldade de concentração.
  • Constipação e enjoo.

Segundo a nutricionista, esses sinais não são normais quando se prolongam. Na maioria das vezes, indicam desequilíbrio de eletrólitos. Ignorar esses sintomas pode levar a complicações maiores.

O que a ciência diz sobre os riscos da dieta cetogênica

Estudos recentes reforçam a necessidade de cautela. Pesquisas da Universidade de Utah trouxeram novos alertas. Os dados apontam possíveis impactos metabólicos a longo prazo.

Um dos pontos de preocupação é o retorno abrupto aos carboidratos. Após longos períodos em cetose, o organismo pode reagir mal. Alterações glicêmicas e inflamações foram observadas em alguns casos.

Além disso, dietas muito restritivas são difíceis de manter. O efeito sanfona é comum quando não há acompanhamento profissional. Isso gera frustração e desgaste emocional.

Para quem a dieta cetogênica exige ainda mais cuidado

A dieta não é indicada para todos os perfis. Algumas pessoas correm mais riscos do que benefícios. Nesses casos, a avaliação médica é indispensável.

Perfis que exigem atenção redobrada:

  • Pessoas com problemas renais ou hepáticos.
  • Gestantes.
  • Diabéticos em uso de insulina.
  • Idosos mais frágeis.
  • Pessoas com histórico de transtornos alimentares.
  • Quem pratica atividade física intensa regularmente.

Para esses grupos, a dieta pode sobrecarregar o organismo. O risco supera qualquer benefício estético momentâneo.

Nem vilã, nem solução milagrosa

Apesar dos alertas, a dieta cetogênica não deve ser demonizada. Ela possui indicações médicas bem estabelecidas. O tratamento da epilepsia é um exemplo clássico.

Em alguns casos de obesidade e resistência à insulina, pode ser utilizada. Sempre por tempo limitado e com acompanhamento profissional. Nessas situações, atua como ferramenta terapêutica.

O problema surge quando vira moda ou estilo de vida permanente. Sem orientação, o corpo entra em modo de sobrevivência. E isso não deveria ser o objetivo de um processo de emagrecimento.

Segundo Thays, emagrecer bem é diferente de emagrecer rápido. O melhor caminho continua sendo o equilíbrio. Uma alimentação sustentável respeita o corpo e o contexto de cada pessoa.

No verão, esse cuidado precisa ser ainda maior. Calor, rotina alterada e hidratação inadequada exigem atenção redobrada. Antes de seguir tendências das redes sociais, vale ouvir o próprio corpo.

A dieta cetogênica pode até trazer resultados rápidos. Mas saúde não combina com pressa. E nenhum corpo merece pagar caro por uma promessa estética.

Saúde em Dia
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