Brincar com a comida ajuda na introdução alimentar? Especialista explica
Saiba como a bagunça dos bebes durante as refeições pode estimular o paladar e facilitar a aprendizagem de novas palavras
A introdução alimentar começa aos seis meses e costuma ser um desafio para muitos pais. Ver o bebé a espalhar comida pelo rosto e pela mesa pode gerar aflição.
Contudo, essa "bagunça" é fundamental para o desenvolvimento infantil. Deixar os pequenos explorarem os alimentos com independência promove uma aceitação muito melhor dos novos sabores.
Ao contrário do que parece, brincar com a comida é uma forma valiosa de aprendizagem. É neste momento que a criança descobre texturas, cheiros e cores de forma lúdica.
O papel da autonomia no paladar
Estimular o ato de comer de forma prazerosa e criativa é a melhor estratégia. Segundo a fonoaudióloga Carla Deliberato, a interação direta com o alimento facilita o aprendizado alimentar.
Boca, queixo e mãos sujas são sinais de que o bebé está a processar informações novas. Se a criança sente desconforto ou proibição, pode começar a rejeitar a comida.
Refeições em família devem ser momentos tranquilos e divertidos. Utensílios coloridos e receitas em conjunto ajudam a criar uma relação positiva com a nutrição.
Tato e linguagem: a ligação científica
Um estudo da Universidade de Iowa revelou um benefício surpreendente da interação manual. Bebés que tocam na comida reconhecem e aprendem palavras novas mais rapidamente.
O contacto direto ajuda a identificar melhor as texturas de leites, sopas e papas. Ao sentirem os materiais com as mãos, os pequenos processam a informação sensorial de forma eficaz.
Quando a brincadeira exige atenção?
Embora a exploração seja saudável, os pais devem observar o comportamento a longo prazo. A fonoaudióloga alerta que a criança precisa, eventualmente, de começar a ingerir o alimento.
Se o bebé apenas brinca e nunca chega a comer, pode existir um problema alimentar. Nesses casos, é indispensável procurar uma avaliação profissional para investigar as causas.
Dicas para uma introdução alimentar tranquila:
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Paciência: Aceite que a sujidade faz parte do processo de descoberta.
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Variedade: Ofereça diferentes cores e texturas para estimular todos os sentidos.
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Exemplo: Coma junto do seu filho para que ele imite os seus movimentos.
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Sem pressão: Não force a ingestão; deixe que o interesse surja naturalmente.
Bagunça que educa
A introdução alimentar é uma fase de descobertas que vai muito além da nutrição. É um momento de construir autonomia e fortalecer o vínculo com a comida.
Permitir que o seu filho brinque e se suje é investir no seu futuro alimentar. Com paciência e orientação, essa transição será prazerosa para toda a família.