Polvo e língua: quais alimentos são indicados na introdução alimentar
Entenda o que é seguro para o bebê, quais alimentos priorizar e o que evitar durante a introdução alimentar.
Quando o assunto é introdução alimentar, os vídeos nas redes sociais chamam muita atenção.
Recentemente, uma empresária mostrou o bebê de seis meses comendo polvo, língua de boi e até carne de rã.
As imagens viralizaram. Muita gente achou curioso. Outras pessoas ficaram com dúvida e até preocupação.
A pergunta aparece logo: isso pode na introdução alimentar? A resposta dos especialistas é mais cuidadosa do que um simples "sim" ou "não".
Polvo e língua na introdução alimentar: o que diz a pediatra
A pediatra Maria de Fátima Alves Soares Mota, do Hospital Saint Patrick, explica que a orientação segue evidências científicas. Ela também está alinhada às diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria para introdução alimentar.
Segundo a médica, aos seis meses o bebê já pode começar a comer outros alimentos além do leite.
Mesmo assim, o sistema digestivo ainda é imaturo. O risco de engasgo, alergias e contaminação é maior nessa fase.
Por isso, alimentos como polvo, língua e rã até podem ser oferecidos em teoria. Mas não são as melhores escolhas para o início da introdução alimentar. Eles não trazem vantagem nutricional em relação às carnes comuns, e ainda aumentam alguns riscos.
Por que alguns alimentos não são ideais no começo
Texturas fibrosas ou elásticas, como as do polvo e da língua, podem dificultar a mastigação. Mesmo quando o bebê usa só a gengiva, a chance de engasgo aumenta.
Existe também o risco de contaminação por bactérias e parasitas. Esse risco cresce quando a carne não está bem cozida ou bem manipulada.
Outro ponto é a sobrecarga digestiva. Preparos com muito sal ou gordura são difíceis para o organismo do bebê. Eles podem causar desconforto, irritação e até reações alérgicas.
A pediatra reforça: o bebê não precisa de alimentos exóticos para ter boa nutrição. Comida simples, bem feita e adequada à idade é suficiente.
Como fazer a introdução alimentar de forma segura
A introdução alimentar deve começar por volta dos seis meses completos. O aleitamento materno, quando possível, continua junto dessa fase.
O ideal é que o processo seja gradual. O bebê precisa de tempo para conhecer sabores, cheiros e texturas.
A orientação é apresentar um alimento novo de cada vez. Assim fica mais fácil perceber se algo causa alergia ou desconforto.
Os pais também devem observar sinais de fome e saciedade. Se a criança virar o rosto ou recusar, não é preciso insistir naquele momento.
O que oferecer na introdução alimentar: frutas, legumes e proteínas
Frutas na introdução alimentar
As frutas costumam ser o primeiro contato do bebê com a comida de verdade. Na introdução alimentar, elas podem ser oferecidas amassadas ou em pedaços grandes e bem macios, que a criança consiga segurar e levar à boca com segurança.
Banana, mamão, pera, maçã cozida ou raspada, abacate e outras frutas maduras são boas opções.
O ideal é usar a fruta in natura, sem açúcar, sem mel e sem misturas industrializadas.
Legumes, verduras e tubérculos
Legumes e verduras entram cedo na introdução alimentar e ajudam a formar o hábito de comer "comida de verdade".
Eles devem ser cozidos até ficarem bem macios e depois oferecidos amassados ou em pedaços grandes, fáceis de amassar com a gengiva.
Abóbora, cenoura, chuchu, abobrinha e outros legumes simples funcionam muito bem.
Tubérculos como batata, mandioquinha e inhame também podem fazer parte do prato, sempre bem cozidos e sem sal.
Grãos, cereais e leguminosas
Arroz, macarrão simples e outros cereais podem aparecer nas principais refeições da introdução alimentar. Eles devem estar bem cozidos e podem ser servidos junto com legumes e proteínas.
Feijão, lentilha e outras leguminosas são importantes fontes de ferro e proteína.
Nessa fase, é melhor oferecê-los bem cozidos e amassados, para facilitar a aceitação e a digestão.
Carnes e ovos bem cozidos
Carnes fazem parte da introdução alimentar porque contribuem com ferro e outros nutrientes.
Elas devem ser muito bem cozidas e oferecidas desfiadas, picadas ou moídas, sempre em pedacinhos macios.
Frango desfiado, carne bovina bem cozida e carne moída simples costumam ser boas escolhas.
O ovo também é permitido, desde que esteja totalmente cozido, com a gema firme, sem sal e sem fritura.
Água e temperos naturais
A partir do início da introdução alimentar, a água deve ser oferecida em pequenos goles, principalmente após as refeições. Ela ajuda na hidratação e na adaptação do bebê à nova fase.
Para temperar, a orientação é usar apenas temperos naturais, como alho, cebola e ervas.
Nada de caldos prontos, molhos industrializados ou excesso de sal. Assim, o bebê aprende a sentir o sabor real dos alimentos e começa a construir uma relação saudável com a comida.
O que evitar até 1 ano de idade
Sal, açúcar e mel
Até 1 ano, o bebê não deve consumir sal. O organismo ainda é imaturo e o excesso de sódio pode sobrecarregar rins e alterar o paladar.
O açúcar também não é indicado nessa fase. Ele aumenta o risco de cáries, obesidade infantil e cria preferência por sabores muito doces desde cedo.
O mel é proibido antes dos 12 meses. Mesmo sendo natural, ele pode conter esporos de bactérias que causam botulismo infantil, uma infecção rara, porém grave.
Frituras e ultraprocessados
Frituras não combinam com introdução alimentar. Elas têm alto teor de gordura e não trazem benefício para o bebê.
Alimentos ultraprocessados também devem ficar fora do prato. São produtos cheios de aditivos, corantes, conservantes e sal em excesso. Eles não foram pensados para a rotina de um bebê e podem prejudicar a saúde a curto e longo prazo.
Refrigerantes, sucos prontos e outras bebidas açucaradas
Refrigerantes, mesmo em pequena quantidade, não são adequados para crianças menores de 1 ano.
Eles concentram açúcar, aditivos e gás, sem oferecer nutrientes importantes.
Sucos industrializados também devem ser evitados. Assim como outras bebidas açucaradas, podem alterar o apetite do bebê e atrapalhar o consumo de alimentos mais nutritivos.
Nessa fase, a prioridade de líquidos é leite (materno ou fórmula, conforme orientação) e água.
Embutidos e carnes processadas
Salsicha, presunto, peito de peru e outros embutidos não são indicados no primeiro ano de vida. Esses produtos costumam ter muito sal, gordura e aditivos químicos.
Mesmo em pequenas porções, não são boas opções para quem está começando a formar hábitos alimentares. As melhores escolhas são as carnes frescas, bem cozidas e sem excesso de tempero.
Café, chás estimulantes e outras bebidas com cafeína
Café, chás com cafeína e energéticos não devem ser oferecidos ao bebê. Eles podem interferir no sono, na frequência cardíaca e no desenvolvimento da criança.
Mesmo alguns chás que parecem "inocentes" podem ser inadequados. Por isso, a orientação é evitar bebidas estimulantes e sempre conversar com o pediatra antes de oferecer qualquer tipo de chá.
Introdução alimentar não é lugar de modismo
Vídeos com polvo, língua e outros alimentos "inusitados" podem parecer divertidos. Eles rendem comentários, curtidas e compartilhamentos.
Mas a introdução alimentar não deve ser guiada por modismos de internet. Ela é um momento importante do desenvolvimento. Envolve segurança, nutrição e educação alimentar.
A prioridade é que o bebê crie uma relação saudável com a comida. Isso começa com escolhas simples, seguras e adequadas à idade.
Em caso de dúvida, o melhor é sempre conversar com o pediatra da criança. Cada bebê é único. O profissional pode orientar de forma personalizada, com base em ciência, e não em tendência de rede social.