Fogachos no verão roubam o sono e aumentam a fadiga na menopausa
Calor intenso pode agravar os fogachos na menopausa e impactar sono, humor e qualidade de vida
Os fogachos na menopausa podem se tornar ainda mais intensos durante o verão. Em uma época em que o corpo já tenta dissipar o calor ambiental, as ondas súbitas de calor típicas dessa fase ficam mais desconfortáveis.
O resultado pode ser noites mal dormidas, fadiga ao longo do dia e irritabilidade.
Entender o que acontece no organismo ajuda a reduzir culpa e buscar soluções adequadas.
O que são os fogachos na menopausa
Fogachos são ondas repentinas de calor, geralmente acompanhadas de suor, vermelhidão no rosto e palpitações. Eles podem ocorrer durante o dia, mas são mais frequentes à noite.
Na menopausa, a queda do estrogênio desregula o centro de controle da temperatura no cérebro. Isso torna o organismo mais sensível a pequenas variações térmicas.
Segundo a ginecologista Ana Paula Fabrício, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO), essa instabilidade explica por que os episódios são recorrentes e persistentes.
Diferentemente do calor comum, o fogacho surge de forma repentina. Pode acontecer até em ambientes frescos ou no inverno. E costuma cessar tão rápido quanto começou.
Por que o verão piora os sintomas
Durante o verão, o corpo já trabalha para equilibrar a temperatura diante do calor externo. Quando há instabilidade térmica, como ocorre na menopausa, esse esforço aumenta.
O clima quente funciona como gatilho. Algumas mulheres percebem mais episódios. Outras não têm aumento na frequência, mas sentem crises mais intensas.
O ginecologista Igor Padovesi, autor do livro Menopausa Sem Medo, explica que muitas pacientes relatam sensação de calor que parece vir de dentro do corpo. Em outros casos, há sudorese noturna sem a onda típica de calor.
Impacto no sono e na saúde emocional
É comum acordar suada no meio da noite. Muitas mulheres relatam cobrir e descobrir o corpo várias vezes durante o sono.
Essa interrupção frequente prejudica o descanso profundo. Com isso, surgem:
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Fadiga diurna.
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Irritabilidade.
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Dificuldade de concentração.
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Sintomas ansiosos ou depressivos.
A queda na qualidade do sono pode afetar desempenho profissional, relações pessoais e autoestima.
Calor ambiental ou fogacho: como diferenciar
O calor do ambiente incomoda qualquer pessoa. Já os fogachos aparecem de forma súbita e costumam vir acompanhados de suor intenso.
Após o episódio, pode surgir sensação de frio ou calafrio.
Se as crises são frequentes e persistem por meses ou anos, é provável que estejam relacionadas à menopausa.
Estratégias para reduzir o desconforto
Algumas medidas simples ajudam a aliviar os sintomas:
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Usar roupas leves de algodão ou linho.
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Manter ambientes ventilados ou climatizados.
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Evitar álcool, cafeína e alimentos muito condimentados.
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Manter hidratação constante.
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Praticar técnicas de respiração e relaxamento.
Atividade física regular e alimentação equilibrada também contribuem para reduzir a frequência dos fogachos.
Evitar açúcar e excesso de carboidratos à noite pode ajudar na qualidade do sono.
Quando procurar ajuda médica
É importante buscar orientação quando os fogachos começam a prejudicar o sono, a rotina ou a autoestima.
Hoje existem opções de tratamento hormonal individualizado, como terapias transdérmicas ou orais. Também há alternativas não hormonais, incluindo ajustes de estilo de vida e medicações específicas.
Cada caso deve ser avaliado de forma personalizada.
A menopausa é uma fase natural da vida. Com acompanhamento adequado, é possível atravessar esse período com mais conforto, equilíbrio e qualidade de vida.