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94% dos empreendedores já enfrentaram questões de saúde mental: como prevenir?

5 abr 2024 - 05h00
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Pesquisa lança um sinal de alerta: quase todos os empreendedores já enfrentaram alguma questão de saúde mental
Pesquisa lança um sinal de alerta: quase todos os empreendedores já enfrentaram alguma questão de saúde mental
Foto: iStock

Com um mercado com vagas formais mais escassas e salários que deixam a desejar, cada vez mais gente se lança na estratégia de empreender. Liberdade, autonomia, ganhos potencialmente mais altos atraem parte da força de trabalho. Mas uma nova pesquisa lança um sinal de alerta: quase todos os empreendedores já enfrentaram alguma questão de saúde mental. O que fazer?

O estudo Saúde e Performance de pessoas empreendedoras, da Endeavor Brasil, entrevistou 118 empreendedores de alto impacto (líderes de start-ups e scale-ups). 94% deles já enfrentaram alguma questão de saúde mental em sua vida. 

A ansiedade (como esperado) foi a condição mais comum, seguida por burnout, ataque de pânico (outra forma de ansiedade) e depressão. Quase 65% dos entrevistados trabalham mais de 50 horas por semana 60% consideram sua rotina estressante ou muito estressante. 

Desequilíbrio entre trabalho e vida pessoal, medo do fracasso, situação financeira da empresa, captação de recursos, situação econômica do mercado, contratação e gestão de pessoas e relacionamento com os sócios foram os fatores que mais impactam a saúde e a performance dos empreendedores.

Em um país que enfrenta, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os maiores índices de ansiedade e de depressão do mundo, a situação dos empreendedores pode ser vista como mais uma faceta dessa complexa matriz que encontramos por aqui. 

Se de um lado, existe um universo de potencialidades e chances de sucesso, do outro há um grau de incerteza, insegurança e dificuldades que acabam frustrando as expectativas e minando a saúde mental. É como se no pacote do “custo Brasil” entrasse na conta um grande risco para o bem-estar e qualidade de vida. 

No cenário tão bem descrito pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, professor da Universidade de Berlim, e autor do livro Sociedade do Cansaço (2015), vivemos em um momento histórico em que o desempenho e a performance são focos permanentes de nossa atenção. Trabalhamos para produzir cada vez mais e somos chefes muito cruéis com nós mesmos. O preço a pagar é o cansaço, a fadiga, o esgotamento e o adoecimento mental. 

Com reverter esse cenário? No contexto mais sistêmico, seria importante pensar em um país que reduzisse as abissais desigualdades sociais, garantisse acesso à saúde e educação de qualidade para todos, aumentasse o grau de segurança social da população e reduzisse os níveis de violência, preconceitos e discriminação. A percepção das pessoas em relação às suas lideranças precisaria mudar também. Corrupção, desconfiança e descrédito são péssimos motores na construção de uma sociedade mais justa e feliz. 

No plano individual, cada um de nós deveria repensar as longas jornadas, as sobrecargas de diversas naturezas, a pressão por resultados e performance, o excesso de responsabilidades e a dependência crescente de telas e tecnologias, que borram os limites entre o que é trabalho e o que é lazer. 

Além disso seria importante criar uma rotina de atividade física regular e alimentação adequada, sono de qualidade, mais tempo e maior investimento nas relações sociais significativas e melhor manejo do estresse diário, com estratégias de relaxamento, meditação, contato com a natureza e atenção plena. E, claro, para quem precisa, acompanhamento de um profissional de saúde mental. 

O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, que parece uma matemática difícil de calcular, pode estar mais próximo do que imaginamos. Mas é preciso começar para, então, transformar essas mudanças em um novo estilo de vida, em que o foco seja você, não  aquilo que você produz. 

*Jairo Bouer é médico psiquiatra e escreve semanalmente no Terra Você. 

Fonte: Jairo Bouer
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