Alguns alimentos realmente podem causar pesadelos? Saiba o que diz a ciência
Pesquisa aponta que laticínios e doces estão associados a sonhos ruins, enquanto uma dieta equilibrada favorece o sono; entenda
A alimentação interfere muito mais no sono do que se imagina. Em estudo liderado pela Universidade de Montreal, no Canadá, pesquisadores identificaram que alguns alimentos, incluindo laticínios e doces, estão mais associados a sonhos estranhos e pesadelos. A pesquisa foi publicada na revista científica Frontiers in Psychology.
Para chegar a essas conclusões, foram entrevistados quase dois mil estudantes de psicologia, que responderam a questionários sobre hábitos alimentares, horários das refeições, qualidade do sono, frequência e tipos de sonhos, além da percepção pessoal sobre a influência da dieta no mundo onírico.
Pesadelos e o impacto do intestino
O estudo revelou uma relação clara entre alergias alimentares e intolerância à lactose com maior frequência de pesadelos e sono de má qualidade. Observou-se, especialmente, em pessoas com problemas gastrointestinais severos. Uma das hipóteses é que gases e dores estomacais noturnas interrompem o descanso, levando o cérebro a incorporar essas sensações ao conteúdo do sonho - aumentando, assim, as chances de pesadelos.
Por outro lado, pessoas com hábitos alimentares equilibrados, com mais alimentos naturais, menos ultraprocessados e refeições leves à noite, relataram melhor qualidade de sono, sonhos mais lembrados e menos pesadelos. Já aqueles com rotinas alimentares desreguladas, baseadas em comidas calóricas e refeições noturnas pesadas, tiveram mais sonhos negativos e menor recordação deles.
"Essas novas descobertas sugerem que mudar os hábitos alimentares de pessoas com algumas sensibilidades alimentares pode aliviar pesadelos. Elas também podem explicar por que as pessoas frequentemente culpam os laticínios pelos sonhos ruins", afirma o neurocientista Tore Nielsen, da Universidade de Montreal.
Entre o folclore e a ciência
A ideia de que alimentos influenciam os sonhos não é nova, mas estudos mais recentes também sugerem essa ligação. Uma pesquisa de 2007 associou o consumo de alimentos orgânicos a sonhos mais vívidos. Já uma de 2022 relacionou frutas e peixes a sonhos mais lúcidos, enquanto doces e sobremesas estiveram associados a pesadelos.
Ainda assim, os pesquisadores alertam: os resultados são correlacionais. Mais experimentos são necessários para comprovar até que ponto determinados alimentos podem realmente alterar o conteúdo dos sonhos. Para isso, é fundamental estudar mais pessoas de diferentes idades, estilos de vida e hábitos alimentares.
Como reduzir sonhos ruins ligados à alimentação
Com base nos resultados do estudo e em pesquisas anteriores, especialistas sugerem algumas medidas práticas para minimizar distúrbios do sono relacionados à dieta:
- Evite refeições pesadas, doces ou picantes antes de dormir;
- Se você é intolerante à lactose, opte por alternativas sem lactose ou queijos duros e envelhecidos, que têm menor teor da substância;
- Pessoas com alergias alimentares devem evitar consumir alimentos desencadeadores à noite, já que até a ansiedade sobre possíveis reações pode influenciar os sonhos;
- Observe seu corpo: mantenha um diário alimentar e note quais comidas parecem estar ligadas a noites ruins ou pesadelos;
- Invista em uma dieta equilibrada, rica em fibras, frutas, vegetais e proteínas magras - que, além de beneficiar a saúde em geral, pode ajudar a garantir um sono mais reparador.
A principal lição é simples: ouça seu corpo. Se determinados alimentos estão sempre ligados a noites mal dormidas ou sonhos perturbadores, vale a pena ajustar a alimentação. Afinal, cuidar da saúde também pode significar sonhar melhor.