Trump, Musk, Bill Gates, príncipe Andrew: os poderosos citados em novo lote dos arquivos Epstein
Casa Branca divulgou 3 milhões de páginas sobre empresário morto em 2019 e acusado de comandar esquema de exploração sexual que incluía menores.Figuras proeminentes da política são citadas no novo lote de documentos do caso Epstein divulgado nesta sexta-feira (30/01) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos .
Condenado por aliciamento de menores e morto em 2019, Jeffrey Epstein tinha bom trânsito entre os ricos e poderosos , e era famoso por suas festas regadas a sexo com mulheres jovens e até mesmo adolescentes, segundo denúncias apresentadas contra o milionário americano.
Epstein se matou na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento sob a acusação de comandar um esquema de exploração sexual de mulheres e adolescentes. A mulher dele, Ghislaine Maxwell, chegou a ser condenada por ajudá-lo a traficar menores.
Os documentos publicados desta vez pelas autoridades americanas trazem menções ao presidente Donald Trump , ao fundador da Microsoft, Bill Gates , ao multibilionário Elon Musk e ao atual secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, dentre outros.
O novo lote contém 3 milhões de páginas, 180 mil fotos e 2 mil vídeos. A divulgação ocorre com seis semanas de atraso, segundo prazo estabelecido em lei assinada pelo próprio Trump.
Parlamentares democratas de oposição sugeriram que a Casa Branca ainda estaria retendo documentos relevantes sobre o caso Epstein. A mesma alegação foi feita por representantes das supostas vítimas de Epstein, que reclamaram por terem tido seus nomes expostos pela Casa Branca.
"Como sobreviventes, nunca deveríamos ser nomeadas, escrutinizadas e retraumatizadas enquanto os facilitadores de Epstein continuam a se beneficiar do sigilo", afirmou, em nota, uma representante de Virginia Giuffre, que denunciou Epstein às autoridades e, anos depois, acabou se suicidando .
Veja, abaixo, quem aparece nos arquivos Epstein e em qual contexto.
Elon Musk
O bilionário e dono da Tesla aparece em inúmeras mensagens supostamente trocadas com Epstein. Numa delas, em novembro de 2012, Musk teria perguntado a Epstein quando ele organizaria a "festa mais selvagem em sua ilha".
Em outra mensagem por volta da mesma época, Musk teria perguntado se Epstein estava planejando alguma festa, porque ele precisava "relaxar".
Não há, contudo, indícios de que Musk tenha de fato estado na ilha de Epstein.
Musk reagiu via X afirmando estar "bem ciente de que algumas correspondências de email com [Epstein] poderiam ser mal interpretadas e usadas por detratores para manchar meu nome".
"Não ligo para isso, mas o que me importa é que nós pelo menos tentemos processar aqueles que cometeram crimes sérios com Epstein, especialmente envolvendo a exploração abominável de garotas menores de idade", disse Musk.
As mensagens, porém, parecem contradizer a narrativa de Musk sobre Epstein, com quem ele negava ter intimidade.
Em 2019, Musk dissera à revista Vanity Fair que Epstein era "obviamente um nojento" e teria tentado atraí-lo diversas vezes à sua ilha. "Eu recusei", justificou-se o dono da Tesla à época.
Os dois teriam supostamente trocado mensagens por emails anos depois de Epstein ser condenado, em 2008, por aliciamento de menores.
Andrew Mountbatten-Windsor, ex-membro da família real britânica
O britânico, que perdeu o título de príncipe após ser envolvido no escândalo de Epstein, chegou a convidar Epstein em 2010 para visitá-lo no Palácio de Buckingham, sede da família britânica.
"Poderíamos jantar no Palácio de Buckingham e [ter] bastante privacidade", escreveu o primo do rei Charles 3º.
A proposta teria sido feita um mês depois de Epstein apresentar o ex-membro da família real a uma mulher russa de 26 anos, que Andrew disse que "adoraria" encontrar.
Andrew também aparece interagindo com mulheres em duas fotos que circularam em tabloides britânicos logo após a Casa Branca divulgar o novo lote dos arquivos Epstein.
Howard Lutnick, secretário de Comércio de Trump
O empresário teria planejado almoçar na ilha de Epstein no Caribe em dezembro de 2012. "Estamos indo em direção a você de São Tomás [parte das Ilhas Virgens]", escreveu a esposa de Lutnick a um funcionário de Epstein, perguntando-lhe onde eles poderiam ancorar seu barco.
Lutnick diz ter se afastado de Epstein há décadas e chamou-o de "nojento" numa entrevista concedida em 2025.
Steve Bannon, ex-guru de Trump
Os documentos divulgados nesta sexta-feira contêm ainda centenas de mensagens de texto amistosas entre Epstein e Steve Bannon nos meses que antecederam o suicídio do empresário, em agosto de 2019.
Bannon, que atuou como estrategista da Casa Branca no início do primeiro mandato de Trump, perguntou a Epstein em 29 de março de 2019 se ele poderia disponibilizar seu avião para buscá-lo em Roma: "É possível trazer seu avião aqui para me buscar?"
Epstein disse que seu piloto e a tripulação "estão fazendo o melhor possível", mas se ofereceu para arcar com os custos de um voo fretado: "Fico feliz em pagar". Momentos depois, confirmou que "meus caras" poderiam buscá-lo e o convidou para jantar.
Nas conversas, os dois às vezes mencionavam um documentário que Bannon afirmava estar planejando para tentar polir a reputação manchada de Epstein.
"Agora você pode entender por que Trump acorda no meio da noite suando quando ouve que você e eu somos amigos", escreveu Epstein a Bannon numa outra mensagem, em 28 de junho de 2019. Não está claro, porém, do que ele falava. Bannon só respondeu: "Perigoso."
Donald Trump
Os arquivos incluem uma lista de denúncias de abuso sexual supostamente praticado por Donald Trump. A lista foi compilada pelo FBI, a polícia federal americana, e inclui diversas denúncias anônimas e informações não averiguadas.
Enquanto algumas denúncias parecem ter sido prontamente descartadas pelos agentes, que as teriam considerado muito inverossímeis, outras parecem ter sido levadas a sério e investigadas.
Embora tenha sido acusado por Epstein , Trump nunca foi formalmente denunciado no caso, e sempre negou ter feito qualquer coisa de errado. O republicano diz que manteve uma relação de amizade com o milionário, mas que rompeu com ele há muitos anos e que não sabia de seus crimes sexuais.
"Alguns dos documentos contêm alegações inverossímeis e sensacionalistas contra o presidente Trump que foram submetidas ao FBI logo antes da eleição de 2020", ressaltou o Departamento de Justiça americano ao divulgar o novo lote de arquivos. "Para sermos claros, as alegações são infundadas e falsas."
Bill Gates
Em um rascunho de email, Epstein alega que o bilionário tinha casos extraconjugais, e diz tê-lo ajudado a "conseguir remédios para lidar com as consequências do sexo com meninas russas" e facilitado "suas escapadas com mulheres casadas".
As alegações "absurdas e completamente falsas" foram dispensadas por um porta-voz de Gates citado pela BBC. "A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter uma relação duradoura com Gates e os extremos a que ele iria para emboscá-lo e difamá-lo."
Richard Branson, empresário do ramo da música
"Foi muito bom vê-lo ontem [...]. Adoraria vê-lo a qualquer momento, quando você estiver na área. Desde que você traga seu harém", teria escrito o bilionário britânico e empresário da música Richard Branson, fundador do Grupo Virgin, em email de 2013 a Epstein.
Um representante da empresa de Branson afirmou na sexta-feira que "qualquer contato [...] com Epstein ocorreu apenas em poucas ocasiões, há mais de doze anos, e se limitou a ambientes de grupo ou de negócios".
"Richard acredita que as ações de Epstein foram repugnantes e apoia o direito à justiça para suas muitas vítimas", disse o representante.
ra (AFP, EFE, AP, ots)