Itália foi 'determinante' para acordo Mercosul-UE, diz Meloni
Premiê afirmou que tratado é 'equilibrado e vantajoso para todos'
A premiê Giorgia Meloni afirmou neste sábado (31) que a Itália foi "determinante" para a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, que criará uma área de livre comércio com 31 países e mais de 700 milhões de consumidores.
Em entrevista ao jornal Il Foglio, a primeira-ministra declarou sempre ter sido favorável à abertura de "novos mercados", mas partindo do princípio de que o comércio "só pode ser livre se também for justo".
"Há muitos anos temos sofrido as pesadas consequências de um processo de globalização que abriu caminho para um livre comércio sem regras entre sistemas econômicos e de produção desiguais. Esse processo criou desigualdades estruturais e acabou por tornar nossas economias mais fracas e vulneráveis, gerando novas dependências estratégicas", disse Meloni.
Segundo ela, a abordagem comercial da UE deve ter como prioridades realocar a produção em "países mais próximos ou amigos", simplificar sua "absurda burocracia" e assegurar "garantias para nossos produtores quando constituir novas áreas de livre comércio".
"Assim como ocorreu com o Mercosul, onde a Itália teve um papel determinante para definir um acordo equilibrado e vantajoso para todos", acrescentou a premiê.
As resistências de Roma chegaram a adiar a votação do tratado comercial na UE em dezembro passado, mas Meloni acabou convencida por um robusto pacote de garantias apresentado por Bruxelas, incluindo a possibilidade de suspender as isenções tarifárias caso haja uma variação superior a 5% nas importações e nos preços de produtos agropecuários do Mercosul, como carne bovina, aves, arroz, mel, ovos, alho, etanol e açúcar.
A Itália também foi tranquilizada por um fundo de compensação de 6,3 bilhões de euros, controles fitossanitários mais rígidos, isenções tarifárias para fertilizantes e a destinação de mais 45 bilhões de euros em subsídios ao agro no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) do bloco.