Pacheco se distancia do PT e aguarda convite do União Brasil e do MDB por governo de Minas Gerais
Movimento do ex-presidente do Senado representa uma dificuldade para Lula, que precisa ter um candidato forte para defendê-lo na disputa estadual
BRASÍLIA - O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) aguarda um sinal do União Brasil ou do MDB para decidir se será candidato ao governo de Minas Gerais, apurou o Estadão/Broadcast. De qualquer forma, o senador se distanciou do PT nos últimos meses, e é pequena a chance de os petistas estarem na mesma chapa que Pacheco em outubro deste ano, de acordo com fontes ouvidas pela reportagem.
Aliados do senador não veem benefícios em estar tão próximos ao governo federal. Esse também é o motivo, por exemplo, para ele descartar uma filiação ao PSB.
O movimento do ex-presidente do Senado representa uma dificuldade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter um candidato forte para defendê-lo na disputa estadual. Desde o ano passado, o presidente vem falando publicamente que deseja ter Pacheco como candidato no Estado. Lula o via como uma figura suficientemente forte para garantir a ele um palanque competitivo para sua campanha à reeleição.
Hoje, o cenário mudou. Aliados do ex-presidente do Senado dizem que, caso ele decida concorrer, o melhor cenário seria sem o PT na chapa. Querem repetir o que foi feito em 2024 na eleição pela prefeitura de Belo Horizonte, quando o PT teve um candidato (o deputado federal Rogério Corrêia), o PL também (o deputado estadual Bruno Engler) e o PSD lançou o então prefeito Fuad Noman com o apoio do União Brasil.
Pacheco decidiu que sairá do PSD, depois que o partido filiou o atual vice-governador de Minas, Mateus Simões, aliado de Romeu Zema (Novo). Simões será candidato com o apoio do governador. Diante desse cenário, o ex-presidente do Senado afunilou suas conversas com União Brasil e MDB.
A disposição de Pacheco em se recolocar no tabuleiro para a disputa pelo governo de Minas representa uma mudança em relação aos últimos meses. Depois de ser preterido por Lula na indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF), Pacheco disse que deixaria a vida pública.
Agora, o Estadão/Broadcast ouviu de fontes próximas ao senador que ele está de volta na disputa. O principal motivo foi a movimentação feita no fim do ano passado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para frear a aproximação do PP com o vice de Zema.
O União Brasil e o PP formaram uma federação em nível nacional. Isso significa que as duas legendas têm de andar lado a lado em todos os Estados e municípios. O PP, que é liderado no Estado pelo secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro, caminhava para apoiar o vice-governador em outubro deste ano.
O recado dado ao entorno de Pacheco é que a federação União Brasil-PP pode sair da coligação de Mateus Simões. Isso abriria espaço para sua filiação ao partido e também significaria uma vaga para o PP nessa chapa que vem sendo planejada.
No caso do MDB, a maior dificuldade é que já há um candidato lançado, o ex-vereador Gabriel Azevedo. Ainda assim, aliados do senador acreditam que há espaço na legenda para ele se filiar e disputar o governo do Estado. Pacheco já foi filiado ao MDB, de 2009 a 2018, quando migrou para o DEM (que acabou se tornando o União Brasil posteriormente).
A decisão do senador será tomada somente após uma sinalização concreta de um desses dois partidos em recebê-lo e oferecer a ele uma estrutura competitiva para disputar as eleições. Alcolumbre tem sido o principal entusiasta e articulador da campanha até aqui.