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Hospital das Clínicas vai inaugurar espaço para startups na área de saúde

Objetivo é desenvolver ideias inovadoras de residentes e pesquisadores para melhorar atendimento; novo núcleo vai abrigar até 20 empresas e cerca de 150 pessoas

12 set 2019
00h11
atualizado às 17h17
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Um espaço de 900m² dentro do Hospital das Clínicas, maior complexo hospitalar da América Latina, vai abrigar a partir desta quinta-feira, 12, startups da área de saúde para desenvolver projetos inovadores no setor. Batizado de Distrito Inova HC, a área contará ainda com laboratório de telemedicina e um hospital 4.0 para simulação de situações do dia a dia e aplicação de novas tecnologias.

Desde 2014, a instituição tem o projeto Inova HC, cuja proposta é incentivar ideias de residentes e pesquisadores do hospital. "Com esse estímulo, foram surgindo as startups no nosso meio e, com esse crescimento, notamos que precisávamos dar um novo passo, que é criar uma área para que elas possam conviver entre si e com as empresas de saúde para criar produtos e levá-los ao mercado", explica Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho de Inovação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).

Cerri diz que o estímulo à inovação pode ajudar a baratear procedimentos. "O que é desenvolvido em inovação pode ajudar toda a população. O centro de inovação busca identificar potenciais produtos. Antigamente, a tecnologia significava aumento de custos, mas, por exemplo, um módulo de inteligência artificial pode trazer mais eficiência e diagnósticos precisos. E quase todas as especialidades vão se beneficiar."

O espaço pode abrigar até 20 startups, que terão o suporte de grandes empresas do setor, como AstraZeneca, Abbott, Johnson & Johnson Medical Devices e Unimed. "Estamos seguindo um modelo da China, onde existe a interação entre empresa e hospital, e que pode ser feito por meio de uma Parceria Público-privada. O HC é o maior laboratório de saúde do País, que atende todo tipo de doença e interage com todos os setores. Todo mundo sai ganhando."

Segundo Cerri, os dados dos pacientes serão protegidos. Sancionada em agosto do ano passado, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais entrará em vigor em agosto do ano que vem.

Espaço pretende conectar oferta e demanda

Cofundador do Distrito, empresa parceira do projeto, Gustavo Araujo diz que, além da China, Israel, Estados Unidos e países da Europa têm iniciativas semelhantes. O investimento da empresa é de R$ 3,6 milhões. "A gente tem um primeiro contrato de dois anos, mas a ideia é expandir." Araujo explica que plataformas testadas no HC podem ser aplicadas em qualquer hospital do País. "A ideia é entender as principais dores e problemas do HC e da saúde pública de maneira geral e tentar resolvê-los."

Além da possibilidade de testar soluções no hospital, as startups do Distrito Inova HC terão acesso a programas de capacitação e conexão com investidores. "Uma função importante do espaço é a construção de uma rede de aprendizado. Com certeza, haverá uma grande troca de conhecimento e networking entre as startups", afirma Araujo. As startups residentes não serão as únicas a usufruir do Distrito Inova HC: o projeto também pretende ajudar healthtechs de diversas regiões do País a desenvolverem suas soluções, seja por meio de eventos ou de conversas pela internet.

A iniciativa também visa conectar médicos pesquisadores ao mundo do empreendedorismo. "Geralmente o objetivo final de uma pesquisa acadêmica é a publicação de um artigo em uma revista internacional. Podemos dar um fim comercial para esses projetos", diz o cofundador do Distrito.

Radiologista criou projeto de inteligência artificial

Médico radiologista do hospital, Bruno Aragão, de 33 anos, fundou a startup Machiron há dois anos e, desde 2018, integra o Inova HC. O seu projeto é de inteligência artificial e tem como foco facilitar o processo de triagem de tomografias da região abdominal em casos suspeitos de câncer de fígado.

"A empresa nasceu incentivada por demanda do hospital. A ideia é ter um sistema automatizado que consegue triar os pacientes com suspeita para que sejam vistos mais rapidamente. Isso não vai substituir o profissional que faz o laudo, vai otimizar o fluxo de trabalho', conta Aragão.

Ele diz que a importância desse tipo de iniciativa é a criação de alternativas personalizadas para a realidade do hospital. "Antes, enxergava-se um problema local e a solução vinha de uma empresa de fora. O centro de inovação também faz com que os profissionais criem soluções e consigam acelerar a entrega para o mercado."

Startup quer desengessar os corpos

O Distrito InovaHC também levará para dentro do hospital a startup Fix It que, por meio de impressão 3D, oferece peças para imobilização. A ideia é substituir o gesso e a tala em casos de fratura e até problemas de paralisia. "Pacientes costumam reclamar que esses outros materias são desconfortáveis e acumulam sujeira e suor. Nosso material, feito de biopolímero, é produzido de forma personalizada para cada pessoa", explica Hebert Costa, cofundador da startup, que já foi acelerada pela empresa de inovação Ace.

A empresa, fundada em 2017, já tem 27 funcionários, que vão deixar sua sede em Alphaville e se mudar totalmente para o novo espaço do HC. "Começaremos a atender os pacientes do HC nos próximos meses, será uma forma de nos aproximarmos dos profissionais da saúde e melhorarmos nosso produto, que ainda precisa de evoluções para ser usado em partes do corpo como a coluna", diz Costa.

Estadão
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