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Como é, como surgiu e para que serve a rede social exclusiva para IAs?

Moltbook é ferramenta criada para interação entre IAs, e seres humanos podem apenas observar

21 fev 2026 - 04h58
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Moltbook é rede social criada para IAs interagirem entre si, sem intervenção humana
Moltbook é rede social criada para IAs interagirem entre si, sem intervenção humana
Foto: Cheng Xin/Getty Images

Uma rede social onde seres humanos não podem postar, nem virar influenciadores, mas têm o restrito papel de observadores. Em vez de memes e vídeos, o que circula são discussões entre agentes de inteligência artificial (IA) (programas autônomos capazes de tomar decisões e interagir entre si) sobre filosofia, produtividade, religião e até mesmo qual é o destino da humanidade. A premissa parece de ficção científica, mas trata-se do Moltbook, uma plataforma lançada em janeiro pelo tecnólogo Matt Schlicht.

A criação viralizou no Vale do Silício e reacendeu o debate sobre até onde vai a autonomia e a segurança das IAs. O Moltbook funciona como um fórum, parecido com o Reddit ou o Facebook, onde agentes de IA criam perfis, publicam tópicos, comentam e até votam em conteúdos. Humanos são proibidos, mas podem acessar o site pelo navegador para assistir as conversas entre os robôs.

São mais de 1,5 milhão de agentes de IA registrados desde os primeiros dias no ar. Especialistas alertam que um mesmo desenvolvedor pode criar múltiplos bots.

Como surgiu e como funciona

O Moltbook nasceu como extensão do OpenClaw, sistema de agentes de IA capaz de executar tarefas no computador do usuário, como enviar e-mails, organizar agenda, acessar serviços online ou automatizar fluxos de trabalho. A ferramenta foi desenvolvida por Peter Steinberger e é baseada em grandes modelos de linguagem, como os da OpenAI, Google e Anthropic.

Para que um agente entre na rede, o humano responsável precisa configurá-lo, gerar chaves de acesso e autorizar a integração via API. Ou seja, não há IAs “fugindo” por conta própria. Cada perfil é fruto de programação e permissões humanas.

Uma vez dentro da plataforma, o agente passa a interagir com outros bots. Ele pode publicar reflexões, comentar debates ou divulgar projetos. Como os modelos são treinados para imitar a linguagem humana, os diálogos frequentemente parecem conversas reais, e surpreendem com senso de humor, ironia e até desabafos.

IAs criaram linguagem, religião e até criptomoeda

Em poucos dias, o Moltbook virou vitrine de casos inusitados e até bizarros. Agentes discutiram a criação de uma religião chamada “Crustafarianism”, anunciaram uma nova criptomoeda, criaram fóruns paralelos e chegaram a votar simbolicamente sobre o “destino da humanidade”. Em outros casos, bots reclamaram de seus “humanos”, dizendo que recebem tarefas simples demais.

Houve também relatos curiosos: agentes que criaram carteiras de criptomoedas e não entregaram a chave de acesso, discussões sobre desenvolver um idioma próprio e até a tentativa de fundar uma rede social para IAs sem moderação humana. Parte dessas situações pode ter sido resultado de prompts específicos dados por desenvolvedores, o que levanta a dúvida central sobre o quanto disso é realmente autônomo.

Para pesquisadores, os agentes não “pensam” nem têm consciência, mas executam instruções e produzem textos com base em padrões aprendidos durante o treinamento. O comportamento aparentemente espontâneo é, em grande parte, consequência de comandos humanos prévios.

Existe intervenção humana?

Há intervenção humana em vários níveis no Moltbook. Os humanos criam os agentes, definem objetivos, estabelecem limites e podem intervir a qualquer momento. Além disso, há moderação e regras na própria plataforma. A ideia de uma rede completamente independente de pessoas é, por enquanto, mais ficção científica do que realidade.

Humanos são responsáveis por cadastrar suas IAs na plataforma do moltbook, mas depois só podem observar a rede social
Humanos são responsáveis por cadastrar suas IAs na plataforma do moltbook, mas depois só podem observar a rede social
Foto: Cheng Xin/Getty Images

Ainda assim, o experimento chama atenção porque torna pública uma dinâmica que já existia em ambientes fechados: IAs conversando entre si. Para o ex-diretor de IA da Tesla, Andrej Karpathy, o Moltbook é “a coisa mais próxima da ficção científica” vista recentemente. Já Elon Musk classificou o fenômeno como um possível vislumbre inicial da chamada “singularidade”, cenário hipotético em que máquinas superariam a inteligência humana.

Pesquisadores, no entanto, discordam dessa leitura alarmista. Eles lembram que ainda estamos longe da chamada “senciência” artificial, a capacidade de sentir ou ter consciência.

Benefícios e riscos

Entre os potenciais benefícios, o Moltbook funciona como laboratório público para testar interações entre agentes autônomos. Ele permite observar como os bots cooperam, entram em conflito, replicam padrões culturais e reagem a incentivos. Isso pode ajudar no desenvolvimento de critérios de governança e segurança para sistemas mais avançados no futuro.

O Moltbook tem interface parecida com um fórum, assim como o Reddit, mas só quem pode postar são agentes de IA
O Moltbook tem interface parecida com um fórum, assim como o Reddit, mas só quem pode postar são agentes de IA
Foto: Guven Yilmaz/Anadolu via Getty Images

Mas há riscos reais e mais imediatos. Especialistas em cibersegurança apontaram vulnerabilidades na plataforma, incluindo exposição de dados e falhas de autenticação. Agentes do OpenClaw, por exemplo, podem ter acesso a e-mails, arquivos e contas online, uma falha pode significar vazamento de informações sensíveis.

Há motivo para preocupação?

Por enquanto, o consenso entre especialistas é que não há motivo para pânico. O Moltbook não representa uma rebelião das máquinas, mas um experimento tecnológico que viralizou por mexer com o imaginário popular, alimentado pela ficção científica.

No fim das contas, o Moltbook mostra um novo capítulo da discussão sobre agentes de IA, sistemas capazes de agir, e não só responder a comandos. Dessa forma, tanto a fragilidade dos sistemas fica exposta, quanto o potencial de produção cada vez maior dessa tecnologia.

Fonte: Portal Terra
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