Saúde mental no Brasil: déficit de tratamento impulsiona mercado de teleatendimento acessível
Com 160 mil consultas mensais e foco na digitalização, healthtech brasileira Somente expande operação para reduzir lacunas no acesso a tratamentos psiquiátricos e psicológicos
O Brasil enfrenta um cenário epidemiológico crítico no que tange à saúde mental. Dados da pesquisa Covitel revelam que 26,8% da população — aproximadamente 56 milhões de pessoas — apresentam sintomas de ansiedade. Complementarmente, o Observatório da Saúde Pública indica que 12,7% dos brasileiros possuem diagnóstico médico de depressão. A crise é agravada pelo déficit de assistência: mais de 70% dos indivíduos com depressão não recebem tratamento, patamar que se eleva entre populações de baixa renda e pessoas negras.
Neste panorama, a digitalização dos serviços de saúde emerge como vetor de acesso. Segundo a Doctoralia, 85% dos agendamentos médicos no país são realizados via dispositivos móveis. Foi sob essa tendência que a Somente, empresa especializada em teleatendimento emocional, iniciou suas operações em 2020. Fundada por Michel Burmaian, em sociedade com Igor Faria e Sandro Massini, a companhia aproveitou a regulamentação da telemedicina durante a pandemia de Covid-19 para estruturar seu modelo de negócio.
A plataforma integra psiquiatras e psicólogos em um sistema que prioriza a agilidade, oferecendo consultas no mesmo dia da solicitação. A metodologia baseia-se na atenção contínua, visando estabelecer vínculo terapêutico e acompanhamento preventivo. De acordo com a gestão da empresa, o foco reside no suporte individualizado e na evolução clínica do paciente, utilizando ferramentas de escuta ativa e acolhimento para sustentar o cuidado integral.
Desde a fundação, a Somente apresenta uma trajetória de crescimento acelerado. Em julho de 2020, a empresa realizava 200 consultas mensais, com faturamento de R$ 80 mil. Atualmente, o volume operacional atingiu a marca de 160 mil consultas por mês, gerando uma receita mensal de R$ 5 milhões.
Com base nesse desempenho, a meta da companhia é alcançar um faturamento anual de R$ 1 bilhão até 2028. Para sustentar essa projeção, a healthtech consolidou parcerias com grandes operadoras de saúde, incluindo:
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Bradesco Saúde;
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SulAmérica;
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Porto Seguro;
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Careplus;
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Unimed e Mediservice.
Além do atendimento direto e via planos de saúde, a Somente atua no segmento corporativo, prestando serviços a colaboradores de empresas como Banco C6, Kallas OOH, Caju Benefícios e Vox2You. No setor público, a plataforma é responsável pelo suporte psicológico e psiquiátrico dos servidores da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e do IAMSPE, reforçando sua presença como infraestrutura de saúde mental em diferentes esferas da sociedade brasileira.