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Por que Rússia tentou 'bloquear completamente' WhatsApp no país

Plataforma afirma que governo tenta direcionar usuários para "super aplicativo" desenvolvido pelo Estado com fins de vigilância.

12 fev 2026 - 05h44
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Agência estatal Tass Media noticiou que WhatsApp deverá ser bloqueado permanentemente na Rússia em 2026
Agência estatal Tass Media noticiou que WhatsApp deverá ser bloqueado permanentemente na Rússia em 2026
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O WhatsApp afirmou em comunicado na noite de quarta-feira (11/2) que o governo russo "tentou bloquear completamente" o serviço da plataforma no país.

"Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia", diz o texto compartilhado pela empresa, que pertence à Meta.

"Continuamos fazendo tudo o que podemos para manter os usuários conectados", conclui a nota.

Ainda segundo o comunicado do WhatsApp, uma das razões para a tentativa de bloqueio do aplicativo seria um esforço para direcionar os usuários da plataforma a um "aplicativo de vigilância estatal".

Há meses o país tem aumentado esforços para fazer com que os russos usem uma plataforma de comunicação desenvolvida pelo Estado chamada Max, que tem sido comparada ao WeChat da China — um chamado "super aplicativo" que combina mensagens e serviços governamentais, mas sem criptografia.

Desde 2025, as autoridades locais exigem que o aplicativo Max seja pré-instalado em todos os novos dispositivos vendidos no país. Funcionários do setor público, professores e estudantes são obrigados a usar a plataforma.

A BBC enviou pedido de posicionamento ao Kremlin, que até o momento não respondeu à reportagem.

Telegram e WhatsApp têm milhões de usuários na Rússia
Telegram e WhatsApp têm milhões de usuários na Rússia
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

O episódio acontece em um momento em que o Kremlin tem escalado as restrições a aplicativos de mensagens no país.

Alegando falta de segurança, agências reguladoras russas vêm limitando o acesso de cidadãos do país também ao Telegram, que se estima que tenha tantos usuários quanto o WhatsApp na Rússia.

O argumento das autoridades locais é de que tanto WhatsApp quanto Telegram se recusam a armazenar os dados dos usuários russos no país, conforme exigido por lei.

Nesse sentido, a agência reguladora de comunicações do país, Roskomnadzor, fez repetidos alertas ao WhatsApp para que cumpra a legislação local.

A agência estatal Tass Media noticiou no início deste ano que o WhatsApp deverá ser bloqueado permanentemente no país em 2026.

"Medidas tão drásticas" são "absolutamente justificadas", visto que a Rússia designou a Meta como uma organização extremista, afirmou Andrei Svintsov, um funcionário do governo russo.

Desde essa classificação em 2022, aplicativos da Meta, como Instagram e Facebook, foram bloqueados na Rússia e só podem ser acessados por meio de redes virtuais privadas (VPNs).

O diretor executivo do Telegram, o empresário russo Pavel Durov, já comentou que o Estado está restringindo o acesso ao seu serviço numa tentativa de forçar a população a usar seu próprio aplicativo com fins de vigilância e censura política.

O Irã tentou uma estratégia semelhante para banir o Telegram e forçar sua população a usar uma alternativa estatal, mas os cidadãos encontraram maneiras de contornar isso, ele escreveu, ao comentar sobre o assunto.

"Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa", disse Durov.

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