Por que Rússia tentou 'bloquear completamente' WhatsApp no país
Plataforma afirma que governo tenta direcionar usuários para "super aplicativo" desenvolvido pelo Estado com fins de vigilância.
O WhatsApp afirmou em comunicado na noite de quarta-feira (11/2) que o governo russo "tentou bloquear completamente" o serviço da plataforma no país.
"Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia", diz o texto compartilhado pela empresa, que pertence à Meta.
"Continuamos fazendo tudo o que podemos para manter os usuários conectados", conclui a nota.
Ainda segundo o comunicado do WhatsApp, uma das razões para a tentativa de bloqueio do aplicativo seria um esforço para direcionar os usuários da plataforma a um "aplicativo de vigilância estatal".
Há meses o país tem aumentado esforços para fazer com que os russos usem uma plataforma de comunicação desenvolvida pelo Estado chamada Max, que tem sido comparada ao WeChat da China — um chamado "super aplicativo" que combina mensagens e serviços governamentais, mas sem criptografia.
Desde 2025, as autoridades locais exigem que o aplicativo Max seja pré-instalado em todos os novos dispositivos vendidos no país. Funcionários do setor público, professores e estudantes são obrigados a usar a plataforma.
A BBC enviou pedido de posicionamento ao Kremlin, que até o momento não respondeu à reportagem.
O episódio acontece em um momento em que o Kremlin tem escalado as restrições a aplicativos de mensagens no país.
Alegando falta de segurança, agências reguladoras russas vêm limitando o acesso de cidadãos do país também ao Telegram, que se estima que tenha tantos usuários quanto o WhatsApp na Rússia.
O argumento das autoridades locais é de que tanto WhatsApp quanto Telegram se recusam a armazenar os dados dos usuários russos no país, conforme exigido por lei.
Nesse sentido, a agência reguladora de comunicações do país, Roskomnadzor, fez repetidos alertas ao WhatsApp para que cumpra a legislação local.
A agência estatal Tass Media noticiou no início deste ano que o WhatsApp deverá ser bloqueado permanentemente no país em 2026.
"Medidas tão drásticas" são "absolutamente justificadas", visto que a Rússia designou a Meta como uma organização extremista, afirmou Andrei Svintsov, um funcionário do governo russo.
Desde essa classificação em 2022, aplicativos da Meta, como Instagram e Facebook, foram bloqueados na Rússia e só podem ser acessados por meio de redes virtuais privadas (VPNs).
O diretor executivo do Telegram, o empresário russo Pavel Durov, já comentou que o Estado está restringindo o acesso ao seu serviço numa tentativa de forçar a população a usar seu próprio aplicativo com fins de vigilância e censura política.
O Irã tentou uma estratégia semelhante para banir o Telegram e forçar sua população a usar uma alternativa estatal, mas os cidadãos encontraram maneiras de contornar isso, ele escreveu, ao comentar sobre o assunto.
"Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa", disse Durov.