Piloto de avião se aproximava de mulheres com filhas e pagava com Pix por imagens, diz polícia
Homem pedia imagens de crianças e pagava, para depois compartilhar via WhatsApp
Polícia Civil revelou que piloto preso por rede de abuso de menores pagava imagens via Pix para avós e mães de crianças. O piloto foi preso durante a "Operação Apertem os Cintos" nesta segunda-feira, 9. A polícia já identificou 10 vítimas e alega que há mais dezenas a serem identificadas.
O piloto de avião Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, preso nesta segunda-feira, 9, por comandar uma rede de abuso sexual de crianças e adolescentes, pagava por Pix pelas imagens de menores de idade que recebia de mães e avós de meninas.
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Segundo a Polícia Civil informou em entrevista coletiva nesta manhã, o homem oferecia entre R$ 50 e R$ 100 aos familiares das meninas de quem se aproximava. Mesmo sendo casado, ele fingia ter interesse em um relacionamento com as mulheres, mas depois admitia que queria fotos e ter relações sexuais com as menores de idade.
Algumas mães e avós cediam e enviavam as fotos das próprias filhas e netas para o homem, em troca do dinheiro.
Sérgio foi preso temporariamente pela "Operação Apertem os Cintos", da Polícia Civil de São Paulo. Além dele, a polícia também prendeu a avó de três meninas que foram abusadas, e a mãe de uma criança foi presa em flagrante.
Familiares enviavam fotos, vídeos e aliciavam menores
Segundo a investigação, o piloto praticava os crimes há, pelo menos, oito anos. Há dezenas de vítimas, segundo consta no celular apreendido pela polícia, mas muitas ainda não foram identificadas.
“É um crime muito grave, e a investigação começou em outubro do ano passado, e hoje a gente conseguiu deflagrar e prendê-lo. Estamos abrindo o celular, com todas as autorizações judiciais, mas são coisas estarrecedoras”, disse o secretário da Segurança Pública de São Paulo Osvaldo Nico Gonçalves.
“É um indivíduo que pagava R$ 50, R$ 100 para mãe, para avó de meninas, para cometer abuso infantil. E já vem fazendo isso há um bom tempo, já vem fazendo isso há mais de oito anos. Então é um crime muito grave também que a gente conseguiu tirar de circulação”, continuou.
Segundo a delegada Ivalda Aleixo, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a investigação apontou que o piloto era o líder e dono da rede de exploração de menores e pornografia infantil. Ele tinha contato com as vítimas diretamente, e as levava para motéis usando um RG falso para as vítimas. “O RG não era delas, porque uma delas começou a ser abusada com oito anos”, disse.
A avó de três meninas foi presa temporariamente por aliciar as menores de idade, para serem abusadas pelo piloto. A polícia também identificou a mãe de outra vítima que permitia os abusos, mandava mensagens e fazia vídeos da própria filha.
“Quando ele tinha um contato físico, real, com essas crianças, ele, então, as estuprava”, segundo a delegada. “Uma delas, que está lá hoje, está toda machucada. Ele bateu nela semana passada em um motel. E a outra irmã nós conseguimos levar agora, uma mais nova, junto com uma tia. Alguns familiares dizem que não sabiam”, revelou Aleixo.
Até o momento, dez vítimas já foram identificadas pela polícia, mas ainda há dezenas de outras que aparecem em imagens, aparentando ter idades entre 12 e 13 anos, que devem ser identificadas.
Vítimas são de vários Estados
O piloto recebia e replicava as imagens de crianças e adolescentes que recebia de familiares pelo Whatsapp. As vítimas eram de diferentes Estados do Brasil, conforme o piloto voava pelo país. Até o momento, apenas vítimas de São Paulo foram identificadas pela investigação.
“Sempre que ele voava, que ele vinha para São Paulo para fazer voos, ele procurava as vítimas aqui de São Paulo. Por exemplo, a avó, a neta, é do Jabaquara, perto do aeroporto”. O homem levava as vítimas sempre para motéis.
"Em alguns casos, ele comprava medicamento para a família. Teve caso de pagar um aluguel e até de comprar uma televisão”, relatou Ivalda Aleixo.

