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Presidenciáveis tentam atrair apoio da indústria; Lula não vai a evento da CNI

No encontro, Simone Tebet fala em tirar o País do mapa da fome, Ciro propõe crédito popular e Bolsonaro critica STF e PT

29 jun 2022 - 21h26
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BRASÍLIA e SÃO PAULO - Os principais pré-candidatos à Presidência cumpriram nos últimos dias agendas de encontro com empresários. Em um cenário no qual a economia deverá estar no centro do debate eleitoral deste ano, três presidenciáveis participaram ontem de um evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O presidente Jair Bolsonaro (PL), Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) prestigiaram o ato da indústria, em Brasília.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compareceu. Antes resistente a encontros com representantes da elite econômica, o petista adotou recentemente nova postura e passou a se reunir reservadamente com o empresariado.

A retomada econômica em um contexto de inflação e desemprego elevados, além da consequente perda do poder aquisitivo da população, pautou os debates na CNI. A indústria nacional, conforme dados oficiais, enfrenta processo decrescente da fatia no Produto Interno Bruto (PIB) - fechou em 22,5% em 2021, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Presidenciável Simone Tebet (MDB) no evento da CNI, em Brasília Foto: Iano Andrade / CNI

Ao se reforçar como alternativa à polarização política, Simone disse que tem otimismo com a recuperação econômica do Brasil e afirmou que o País precisa, com urgência, sair "do mapa da fome". Em respostas a empresários e representantes da indústria, a emedebista se comprometeu a concretizar a reforma tributária nos seis primeiros meses de governo, caso seja eleita.

Simone mencionou o que classifica como "demora dos governos do PT" em fazer parcerias com a iniciativa privada. "A iniciativa privada, por meio da indústria, tem condições de gerar os empregos necessários para a população, e o governo precisa fazer sua parte."

Crédito

Ciro reiterou que, entre os seus projetos para a retomada econômica do País, está a criação de uma política pública de crédito popular para a população, além de um fundo de reestruturação de crédito empresarial. Segundo ele, é preciso recuperar o consumo familiar. "Emprego e renda vêm depois que o País cresce, e hoje estão deprimidos os dois em nível recorde", afirmou, ressaltando a necessidade de uma política de reestruturação de crédito para as empresas. "O governo impõe um juro tão impagável que hoje 6 milhões de empresas estão no Serasa."

Presidenciável Ciro Gomes defendeu uma política pública de crédito popular para a população Foto: Iano Andrade/CNI

Pré-candidato à reeleição, Bolsonaro apelou para o discurso do medo da volta do PT ao poder e repetiu críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente disse que o Brasil sofre uma "ameaça de mudar de cor", em referência ao vermelho da bandeira petista, e afirmou que o País pode se tornar uma Venezuela.

Jantares

Ausente da solenidade da CNI, Lula tem feito rodada de jantares com empresários nas últimas semanas, para romper mal-estar gerado entre o PIB e o PT, cultivado especialmente após o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff. Na próxima semana, Lula e seu candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), irão à Fiesp apresentar o plano de diretrizes de governo para o presidente da entidade, Josué Gomes.

Anteontem, o petista participou de um jantar na casa do advogado Sérgio Renault, nos Jardins, em São Paulo. O tom do encontro não foi o de sabatina, mas de uma reunião informal. Lula ficou em uma roda de conversa com os empresários Candido Pinheiro (Hapvida), Carlos Sanchez (EMS), José Eduardo de Lacerda Soares (Arsenal), João Camargo (Esfera) e Wilson Quintella Filho, ex-presidente da Estre Ambiental.

Cerca de 30 pessoas estavam presentes, uma parte delas levada por Lula, como o economista Gabriel Galípolo, o ex-ministro Aloizio Mercadante e o deputado estadual Emídio de Souza. O ex-presidente prometeu que seu governo não trará surpresas no âmbito econômico. "Nunca rasguei um contrato", afirmou.

Estadão
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