Pernambuco valida plano para fortalecer a capoeira e preservar tradição cultural
Documento elaborado com participação de mestres e praticantes orienta políticas públicas e ações de valorização da manifestação no estado.
Pernambuco validou o Plano de Salvaguarda da Capoeira durante reunião no Iphan com a participação de capoeiristas e da Fundarpe. Construído desde 2014 com consultas na capital e no interior, o documento reúne diretrizes em quatro eixos para valorizar, proteger e transmitir a tradição cultural às futuras gerações. A iniciativa orienta ações do poder público e dos praticantes para fortalecer a manifestação, que é reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Pernambuco validou o Plano de Salvaguarda da Capoeira, documento que reúne diretrizes para proteger, valorizar e transmitir essa manifestação cultural às próximas gerações. A aprovação aconteceu na terça-feira, 27 de outubro, em uma reunião na sede estadual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O encontro reuniu capoeiristas e representantes da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), com participação presencial e pela internet. As sugestões acertadas durante a reunião serão incorporadas à versão que será publicada.
O plano organiza prioridades para a atuação dos praticantes e do poder público. Também oferece uma referência para acompanhar as iniciativas de preservação e reivindicar sua implementação nos municípios, no estado e na esfera federal.
Documento reúne quatro eixos
As propostas estão divididas em quatro frentes: mobilização social e alcance da política; gestão participativa no processo de salvaguarda; difusão e valorização; e produção e reprodução cultural.
Cada eixo apresenta objetivos e ações. A organização busca fortalecer a participação dos próprios capoeiristas nas decisões sobre a continuidade de seus saberes e práticas.
Construção envolveu capital e interior
O processo de elaboração do plano pernambucano vem sendo desenvolvido desde 2014, com mobilização do Iphan e das comunidades ligadas à capoeira. A proposta considera as características de cada território e a diversidade dos grupos.
Entre dezembro de 2025 e março de 2026, fóruns regionais passaram por Salgueiro, Arcoverde, Caruaru, Palmares, Igarassu e Recife. As reuniões abriram espaço para demandas de representantes do Sertão, Agreste, Zona da Mata e Região Metropolitana.
As contribuições também foram recebidas por consulta pública na internet. O mecanismo ampliou a participação de mestres, mestras, contramestres, professores, jovens praticantes, pesquisadores e agentes culturais que não puderam comparecer aos encontros presenciais.
Tradição reúne luta, música e transmissão de saberes
A roda de capoeira integra a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco desde 2014. O reconhecimento destaca uma prática afro-brasileira que combina luta, dança, música e conhecimentos transmitidos entre gerações.
Na roda, os participantes alternam funções: jogam, cantam, batem palmas e tocam instrumentos. Mestres e mestras têm papel fundamental na preservação do repertório, na orientação dos integrantes e na continuidade dos códigos que organizam a prática.
Esse aprendizado acontece também pela observação e pela convivência. A preservação da capoeira envolve, portanto, tanto suas formas de expressão quanto as pessoas e os espaços responsáveis por manter essa tradição viva.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.