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Trabalhadores envolvidos na resposta ao Ebola no Congo protestam por causa dos salários

9 jul 2026 - 12h35
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Profissionais envolvidos na resposta ‌ao Ebola no nordeste da República Democrática do Congo realizaram protestos em frente a três centros de tratamento nesta quinta-feira, alegando que não haviam recebido todo o pagamento devido pelo trabalho realizado.

O surto já infectou 1.759 pessoas e resultou em 600 mortes confirmadas desde que foi declarado, há quase dois meses, de acordo ⁠com os dados mais recentes do governo divulgados na quarta-feira.

A Organização Mundial da Saúde ‌informou nesta semana que a transmissão dessa forma rara do Ebola continua; a doença mata de 30% a 50% das pessoas infectadas e não há vacina ‌nem cura.

Dezenas de membros das equipes de resposta ‌ao Ebola se reuniram nesta quinta-feira em frente aos centros de tratamento ⁠Centre Medical Évangélique (CME), Elikya e Salama, em Bunia, capital da província de Ituri, que é a mais afetada.

A polícia dispersou um dos protestos, em frente ao CME.

Não ficou claro imediatamente se os protestos haviam interrompido as operações nos centros de tratamento.

Em declarações à imprensa em Bunia, o ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba, reconheceu ‌que havia problemas com "o pilar de recursos humanos da resposta", ou seja, com a ‌garantia de que as ⁠listas de pessoas que ⁠precisavam ser pagas estivessem atualizadas e precisas.

Uma autoridade da principal agência de saúde pública da ⁠África disse em uma coletiva de imprensa ‌online que a agência estava ‌trabalhando com as autoridades congolesas para acelerar os pagamentos aos profissionais de saúde da linha de frente.

"Isso é muito importante para manter o moral", disse Wessam Mankoula, do CDC da África. Ele afirmou que o CDC da ⁠África havia fornecido ao Congo cerca de US$2 milhões para apoiar sua resposta ao Ebola, parte dos quais poderia ser usada para efetuar "pagamentos atrasados" aos profissionais de saúde.

Um funcionário da área de saúde congolês, que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a falar com ‌a imprensa, disse à Reuters que estavam em andamento negociações com os profissionais que ameaçavam entrar em greve, mas que, até o momento, nenhuma greve havia ⁠começado.

TRABALHADORES DIZEM QUE PAGAMENTO ESTÁ ATRASADO E NÃO REFLETE A CARGA DE TRABALHO

Em uma carta datada de 5 de julho e endereçada ao governador de Ituri e às autoridades de saúde, os profissionais envolvidos na resposta ao Ebola afirmaram que não haviam recebido remuneração pelos serviços prestados desde o início do mais recente surto de Ebola, anunciado em 15 de maio.

A carta afirmava que isso havia resultado em "dificuldades socioeconômicas significativas" e afetado gravemente as condições de vida dos trabalhadores.

Os trabalhadores também reclamaram que os valores das remunerações eram muito baixos em relação aos riscos e à carga de trabalho envolvidos na resposta ao Ebola.

Eles exigiram um aumento nos subsídios diários e solicitaram a eliminação das deduções do Imposto de Renda, argumentando que os subsídios constituíam bônus, e não salários.

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