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África

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País mais jovem do mundo, Sudão do Sul completa 15 anos mergulhado em instabilidade

A mais jovem nação do mundo celebra 15 anos nesta quinta‑feira (9). O Sudão do Sul conquistou sua independência após décadas de guerra contra o Sudão, seguido por um acordo de paz firmado em 2005 e um referendo de autodeterminação realizado em 2011, aprovado por quase 99% dos eleitores.

9 jul 2026 - 12h16
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Alexandra Brangeon, da RFI 

Há vários anos, o governo sul‑sudanês do presidente Salva Kiir deixou de realizar grandes cerimônias para celebrar a independência. Oficialmente, elas são caras demais e o governo afirma ter outras prioridades.

Quinze anos após a emancipação, não há muito o que comemorar, observa Daniel Akech, pesquisador do International Crisis Group (ICG). "O país está praticamente paralisado, nada funciona", diz ele. "Há uma crise econômica, razão pela qual o governo não organiza celebrações. A transição não ocorreu como previsto. Há uma guerra em andamento, milhares de pessoas estão deslocadas, a insegurança é generalizada. As pessoas estão frustradas, querem ver uma transição democrática pacífica".

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Sudão do Sul é o sexto país mais pobre do mundo, com um PIB per capita de US$ 470 em 2025. A receita do petróleo, principal fonte de renda nacional, caiu nos últimos anos, em parte devido à guerra no Sudão vizinho, por onde passam as exportações sul‑sudanesas.

"Os funcionários públicos receberam um mês de salário na semana passada", afirma Edmond Yakani, diretor da organização da sociedade civil CEPO, que ressalta tratar‑se, segundo ele, "do primeiro salário em dois anos".

Apenas 8% da população tem acesso à eletricidade. E o país é classificado como o mais corrupto do continente africano, ao lado da Somália. "Os sul‑sudaneses se consideram reféns do presidente Salva Kiir e do ex‑vice‑presidente Riek Machar", acrescenta Daniel Akech.

Uma rivalidade que sabota a paz

Salva Kiir e Riek Machar participaram juntos do SPLM/A, o movimento armado liderado por John Garang, na luta pela independência do Sudão do Sul em relação a Cartum.

Após décadas de guerra contra o norte, o Sudão do Sul obteve o status de região autônoma em 2005. Salva Kiir foi nomeado presidente e Riek Machar, vice‑presidente, cargos que ambos mantiveram quando o país se tornou oficialmente independente em 9 de julho de 2011, após um referendo de autodeterminação aprovado por 99% da população.

Em Juba, capital do país, a atmosfera era de euforia. Os habitantes, por muito tempo marginalizados dentro do Sudão, viam naquele dia o desfecho de mais de meio século de lutas, guerras e exclusão.

Sudão do Sul celebra o Dia da Independência
Sudão do Sul celebra o Dia da Independência
Foto: RFI

Uma lua de mel de curta duração

Mas, desde o início, a relação entre Kiir e Machar foi difícil. Rivalidade, ambição e desconfiança logo apareceram e, em 2013, apenas dois anos após a independência, Salva Kiir demitiu seu vice‑presidente, acusando-o de cobiçar o cargo de chefe de Estado. A guerra recomeçou.

O conflito durou cinco anos, período em que 400 mil sul‑sudaneses morreram e mais da metade da população foi deslocada. A comunidade internacional e os países da região pressionaram por acordos: vários cessar‑fogos foram assinados e depois violados. Em 2018, os dois líderes firmaram um acordo de paz "revitalizado", que deveria inaugurar uma nova fase de transição. Riek Machar voltou ao cargo de vice‑presidente.

"Foi um pacto entre a classe política que não resolveu os problemas", comenta Jok Madut Jok, pesquisador da Universidade de Syracuse, em entrevista à imprensa internacional.

De fato, os diferentes pontos do acordo "revitalizado" enfrentaram enormes dificuldades para sair do papel: a integração das forças de Machar ao Exército regular, a desmobilização das milícias e a organização das primeiras eleições, previstas para 2015, foram repetidamente adiadas.

A desconfiança entre os dois só aumentou, e o confronto pelo poder se intensificou. Para mobilizar seus apoiadores, ambos recorreram à identidade étnica: Salva Kiir é dinka, o maior grupo do país; Riek Machar é nuer, o segundo maior.

2025: o acordo de paz desmorona e a guerra recomeça

Em março de 2025, um ataque contra uma base do Exército regular fez ruir um equilíbrio político já frágil. O Exército Branco, milícia ligada às forças leais a Riek Machar, lançou uma ofensiva no estado do Alto Nilo e tomou o controle de uma base militar em Nasir. Mais de 250 soldados do Exército regular foram mortos.

Na sequência, o presidente Salva Kiir ordenou a prisão de vários membros da oposição. Riek Machar foi colocado em residência vigiada. Depois, foi destituído do cargo, acusado de ter orquestrado os ataques contra o Exército nacional e indiciado por traição, assassinato e crimes contra a humanidade, junto com outros sete altos dirigentes de seu partido, o Sudan People's Liberation Movement‑in‑Opposition (SPLM‑IO).

Para o movimento de Riek Machar, trata‑se de um processo político destinado a afastá‑lo do poder. No fim de 2025, violentos combates voltaram a eclodir entre as forças governamentais e milícias próximas da oposição, principalmente no estado de Jonglei.

Mesmo que a comunidade internacional hesite em usar o termo, "a guerra está aí", resume o pesquisador Daniel Akech: "seis dos dez estados do país são afetados pela violência". Milhões de sul‑sudaneses foram deslocados pelo conflito.

Eleições após 15 anos de independência?

Enquanto a guerra recomeça e o processo contra o ex‑vice‑presidente Riek Machar se arrasta, o governo de Juba anunciou há alguns meses a realização de eleições no fim do ano. O pleito está marcado para 22 de dezembro de 2026.

Pesquisadores levantam várias questões: O governo tem recursos financeiros para organizar uma votação? É possível realizar um pleito em áreas dominadas pela insegurança? E sem o principal opositor, Riek Machar?

Para Edmond Yakani, diretor da organização da sociedade civil CEPO, o anúncio de eleições até o fim do ano serve apenas para "acalmar a população e administrar seu descontentamento".

"Quando as pessoas falam da independência", afirma Yakani, "elas mencionam corrupção, manipulação, violações de direitos humanos, ausência de Estado de direito e violência comunitária. Não são palavras doces, mas palavras amargas." O ativista reconhece que "a beleza e a doçura da independência se desvanecem ano após ano".

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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