Surto de ebola pode custar bilhões de dólares e milhares de empregos à África, alerta ONU
A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) ameaça dezenas de milhares de empregos e pode custar à África até US$ 3,6 bilhões (R$ 18,6 bilhões), alertou a ONU nesta quarta-feira (1º). O surto da doença foi declarado em meados de maio e já se arrasta por quase dois meses.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirmou que a epidemia está "desencadeando uma profunda crise socioeconômica que pode empurrar mais 985 mil pessoas para a pobreza".
"A crise também corre o risco de eliminar dezenas de milhares de empregos, interromper serviços de educação e saúde e custar às economias africanas até US$ 3,6 bilhões, caso os impactos regionais e globais mais amplos se intensifiquem", afirmou o PNUD.
A expansão da pobreza — que pode afetar de forma desproporcional as mulheres — teria forte impacto na República Democrática do Congo (RDC) e em países vizinhos, especialmente Uganda, Ruanda e Sudão do Sul, que enfrenta uma das piores crises humanitárias do mundo.
"Embora a ameaça imediata à saúde pública seja grave e exija medidas de contenção, como quarentenas, algumas restrições a viagens e ao comércio estão devastando as economias locais e os meios de subsistência de trabalhadores informais", advertiu a agência.
"Ebola não para na porta do hospital"
Na RDC, foram confirmados até o momento 1.333 casos e 399 mortes, enquanto 189 pessoas se recuperaram da doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
"O ebola não para na porta do hospital", declarou Ahunna Eziakonwa, diretora regional do PNUD para a África.
"Ele afeta os meios de subsistência, a educação, a segurança alimentar, o comércio, as finanças públicas e a confiança. Se tratarmos esse surto apenas como um desafio de saúde, corremos o risco de ignorar a emergência de desenvolvimento muito maior que se desenrola ao seu redor", acrescentou.
O PNUD ressaltou que, mesmo em um cenário em que o vírus seja contido com sucesso na República Democrática do Congo e em Uganda — país que registrou 20 casos confirmados —, os danos econômicos seriam "graves".
Segundo a agência, a RDC poderá registrar "perdas de PIB real superiores a US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,2 bilhões) e a eliminação de 55 mil postos de trabalho".
O PNUD recomenda transferências diretas de renda às populações mais vulneráveis, a substituição dos fechamentos de fronteiras por controles seletivos e a criação de mecanismos emergenciais de financiamento para garantir a continuidade dos serviços de saúde materna, reprodutiva e infantil durante a crise.
Com AFP
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