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África

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Ataques xenófobos deixam ao menos cinco moçambicanos mortos na África do Sul

Moçambique informou que ao menos cinco de seus cidadãos foram mortos nos últimos dias em "ataques xenófobos" na África do Sul, país abalado por uma nova onda de manifestações e ações relâmpago anti-imigrantes. A polícia sul-africana contesta esse número e informou, nesta terça-feira (2), um total de duas mortes na cidade portuária de Mossel Bay, no sul do país. Os ataques levaram centenas de imigrantes moçambicanos a fugir do território sul-africano.

2 jun 2026 - 10h57
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Orfeu Lisboa, correspondente da RFI em Maputo, com AFP

Manifestação contra a imigração clandestinha em Durban, na África do Sul, reuniu milhares de pessoas no dia 6 de maio de 2026.
Manifestação contra a imigração clandestinha em Durban, na África do Sul, reuniu milhares de pessoas no dia 6 de maio de 2026.
Foto: AFP - RAJESH JANTILAL / RFI

Essas foram as primeiras mortes registradas no país desde o início da atual onda de violência xenófoba, que tem como alvo especialmente estrangeiros em situação irregular na África do Sul. Centenas de moçambicanos foram visados por ataques iniciados na sexta-feira (29) em Mossel Bay, no extremo sul do país.

Um comunicado divulgado na noite de segunda-feira (1°) pelo governo de Maputo afirma que "sete moçambicanos morreram, sendo cinco em decorrência direta de agressões xenófobas e dois devido a um acidente de trânsito enquanto retornavam de carro a Moçambique".

"Não é verdade que cinco pessoas foram mortas", declarou na terça-feira à AFP a porta-voz da polícia da província do Cabo Ocidental, Novela Potelwa. "Dois moçambicanos perderam a vida na favela de Asla Park, na periferia da cidade, na noite de sexta-feira, um de 27 anos e outro de 43 anos", detalhou.

Os ataques foram confirmados à reportagem da RFI pelo líder da comunidade moçambicana na província sul-africana, Manuel Canhane. Além dos cinco mortos, ele também mencionou diversos feridos.

"Várias pessoas foram hospitalizadas, mas não houve mortes no hospital. Também temos 311 moçambicanos que no sábado procuraram meios para voltar à nossa terra natal", indicou Manuel Canhane.

Detalhes dos ataques

Muitas vítimas "foram esfaqueadas ou atingidas por pedras. Foi assim que nossos irmãos moçambicanos perderam a vida no bairro de Mossel Bay", detalhou Manuel Canhane. Ele afirmou que os incidentes começaram na noite de quinta-feira e culminaram em ataques a residências de moçambicanos e de outros estrangeiros.

"Quase todas as casas de moçambicanos naquele bairro foram atingidas. Os estrangeiros começaram a reagir para se defender. Por isso aconteceram essas mortes", explicou.

Na segunda-feira (1º), outro grupo de moçambicanos que teve as casas incendiadas deixou o território sul-africano. De acordo com o Serviço Nacional de Migração de Moçambique, cerca de 600 moçambicanos vítimas de xenofobia retornaram ao país.

Mais de 800 moçambicanos ainda estão em Mossel Bay e atualmente estão sob a proteção das autoridades municipais, informou Manuel Canhane. Segundo ele, "estamos seguros onde estamos. Forneceram comida e algumas roupas para quem perdeu seus bens e suas casas".

Os ataques contra estrangeiros residentes na África do Sul se intensificaram nas últimas semanas. O preconceito contra imigrantes de países vizinhos tem aumentado no país, que enfrenta uma grave crise econômica há muitos anos. Trabalhadores estrangeiros são frequentemente acusados de contribuir para o aumento do desemprego entre a população sul-africana.

No início de maio, uma manifestação contra a imigração terminou em ataques a pequenos comércios de propriedade de estrangeiros na província do Cabo Oriental, no leste do país.

Moçambique tem cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul, onde trabalham principalmente no setor de mineração. Diante do recrudescimento da violência, segundo a presidência moçambicana, "milhares" de expatriados optaram por retornar ao país.

Retórica anti-imigrante

Economia mais industrializada do continente, a África do Sul há muito tempo atrai numerosos trabalhadores africanos, em situação regular ou irregular, apesar do alto nível de desemprego e da pobreza. O ressentimento contra imigrantes africanos empregados é elevado, e eles acabam sendo usados como bodes expiatórios, segundo analistas.

Há vários meses, manifestações xenófobas ocorrem em diversas regiões do país, com partidos alimentando uma retórica anti-imigração, vista como um argumento de campanha eficaz para conquistar cadeiras nas eleições locais previstas para o início de novembro.

O país tem cerca de três milhões de imigrantes em situação regular (5,1% da população), segundo estatísticas oficiais. Quase dois terços vêm de países da África Austral em crise econômica (Zimbábue, Malawi) ou da República Democrática do Congo (RDC).

Alguns também vêm da África Ocidental e, na semana passada, Gana fretou um voo para repatriar cerca de 300 de seus cidadãos da África do Sul.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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