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África

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ONG Médicos Sem Fronteiras alerta para avanço da epidemia de ebola na República Democrática do Congo

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou nesta segunda-feira (15) que a resposta à epidemia de ebola na República Democrática do Congo é insuficiente diante da velocidade de propagação da doença, apontando "lacunas perigosas" na resposta sanitária no país da África Central.

15 jun 2026 - 12h50
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"Um mês após a declaração da epidemia, a doença avança mais rapidamente que a resposta", indicou, em comunicado, Kate White, coordenadora médica de emergência da MSF no país africano. "Ninguém conhece a real dimensão da epidemia na República Democrática do Congo, nem quais são exatamente as áreas onde o vírus está circulando", acrescentou.

No cemitério de Nyamurongo, no Kivu do Norte, novas sepulturas são cavadas todos os dias desde o início da epidemia de ebola.
No cemitério de Nyamurongo, no Kivu do Norte, novas sepulturas são cavadas todos os dias desde o início da epidemia de ebola.
Foto: © Coralie Pierret/RFI / RFI

A organização também destacou que, apesar da recente intensificação das ações, persistem falhas importantes em diagnóstico, vigilância, rastreamento de contatos e mobilização comunitária.

A República Democrática do Congo declarou a nova epidemia em 15 de maio. Esse foi o 17° surto da doença no país, que tem mais de 100 milhões de habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu o alerta sanitário internacional dois dias depois.

Segundo a OMS, com base em dados das autoridades congolesas, já foram registrados 782 casos e 181 mortes. Para a MSF, no entanto, os números oficiais "provavelmente refletem apenas uma parte da realidade".

A taxa de letalidade do surto é de 23%, segundo a agência da ONU.

Triagem e detecção da doença são desafios

A OMS informou na última sexta-feira (12) que a epidemia segue em expansão no país, embora tenha havido melhora no rastreamento de contatos, com pouco mais de 70% de casos monitorados, contra 45% no início de junho.

Segundo Frédéric Lai Manantsoa, coordenador de emergência da MSF na República Democrática do Congo, a situação ainda pode ser controlada, mas o tempo para agir é decisivo. "Ainda é possível conter a epidemia, mas quanto mais se espera, menor é a margem de manobra", afirmou.

A triagem continua sendo uma das principais fragilidades da resposta, apesar de avanços recentes na capacidade laboratorial e da chegada de testes móveis, afirmou White.

"Muitas áreas, especialmente as afetadas pela insegurança, ainda têm acesso limitado aos testes, e os centros de tratamento enfrentam longos atrasos nos resultados", disse.

Na região de Kivu do Norte, apenas um laboratório realiza análises de amostras de sangue, com prazos de vários dias. Já na província de Ituri, que concentra cerca de 95% dos casos, a MSF relata "medo e desconfiança" entre os moradores diante da chegada das equipes de resposta.

"Explicar a doença não é suficiente para gerar confiança. É preciso ouvir a população e envolvê-la na construção da resposta", destacou Lai Manantsoa.

A MSF informou ainda que está enviando equipes para zonas "mais remotas e instáveis", a fim de reforçar a detecção e a resposta aos novos alertas.

Com AFP

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