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África

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Protesto contra centro de quarentena de ebola no Quênia termina com um morto em confronto com polícia

Nanyuki, no centro do Quênia, voltou a ser palco de protestos nesta terça-feira (9) contra a criação de um centro de quarentena destinado a cidadãos americanos sob risco de contágio por ebola. Uma pessoa morreu após ser atingida por um disparo na cabeça durante confrontos entre manifestantes e a polícia queniana.

9 jun 2026 - 16h21
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Albane Thirouard, enviada especial da RFI a Nanyuki, com agências

Policiais nas ruas de Nanyuki durante protestos contra centro de quarentena para casos suspeitos de ebola (9/6/26).
Policiais nas ruas de Nanyuki durante protestos contra centro de quarentena para casos suspeitos de ebola (9/6/26).
Foto: REUTERS - Monicah Mwangi / RFI

O centro de quarentena, voltado a cidadãos americanos afetados pelo vírus do ebola, deve ser instalado em uma base aérea próxima a cidade, a cerca de 200 quilômetros da capital Nairóbi. Desde o anúncio do projeto, no entanto, a iniciativa enfrenta forte resistência local. O Quênia não registrou até agora nenhum caso da doença.

Depois de protestos realizados na semana passada, que terminaram com duas mortes, novas manifestações reuniram centenas de pessoas nesta terça-feira. Logo nas primeiras horas da manhã, a polícia se posicionou em grande número nas ruas do centro da cidade.

Confrontos foram registrados em diferentes pontos de Nanyuki. Manifestantes ergueram barricadas e lançaram pedras contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo e jatos de água. Pouco depois, disparos foram ouvidos. A agência AFP informou que um homem havia sido atingido por um tiro na cabeça, e uma ONG local de defesa dos direitos humanos confirmou no final da tarde que ele não resistiu aos ferimentos.

Dezenas de pessoas foram detidas, algumas por agentes armados à paisana. A polícia queniana é frequentemente criticada por organizações de direitos humanos pelo uso excessivo da força.

Apesar da repressão, os manifestantes mantiveram os protestos, entoando palavras de ordem contra o projeto. Alguns carregavam caixões simbólicos, enquanto outros vestiam trajes de proteção médica.

Medo de contágio e impacto econômico

A base aérea onde o centro deve ser instalado fica nos arredores da cidade, protegida por um forte dispositivo de segurança. Mas parte da população teme que a proximidade com o vírus represente um risco direto para suas famílias.

Há também preocupação com os impactos econômicos: Nanyuki é conhecida por seu dinamismo turístico, servindo como porta de entrada para safáris, trilhas e expedições no Parque Nacional do Monte Quênia.

O projeto do centro de quarentena está suspenso pela Justiça queniana desde 28 de maio. Ainda assim, segundo a agência Reuters, aviões militares americanos já chegaram ao local, transportando material e pessoal.

As autoridades quenianas intensificaram as declarações para tentar tranquilizar e convencer a população. O ministro da Saúde afirmou que o centro também poderia receber pacientes quenianos.

O argumento, no entanto, não tem surtido efeito. "Não aceitaremos o vírus do ebola em nosso país", repetiram vários manifestantes à RFI na manhã desta terça-feira.

O presidente William Ruto defendeu a instalação do centro de quarentena destinado a cidadãos norte-americanos potencialmente expostos ao mais recente surto do vírus ebola. "Quando o presidente Trump pediu ao governo do Quênia que o apoiasse criando um centro na base aérea de Laïkipia, eu dei meu aval porque se tratava de um acordo e de uma parceria com amigos que trabalham com o Quênia há 30 ou 40 anos", justificou o chefe de Estado, que ainda não havia se manifestado sobre a polêmica.

O centro, que estava quase concluído no fim da semana passada, deve contar com 50 leitos de isolamento e será administrado por americanos. Os Estados Unidos prometeram US$ 13,5 milhões para apoiar os esforços de prevenção do Quênia contra o ebola.

A atual epidemia de doença pelo vírus ebola, febre hemorrágica extremamente contagiosa, foi declarada em 15 de maio no nordeste da República Democrática do Congo. A vizinha Uganda, que confirmou 11 infecções, uma delas fatal, é o único outro país para o qual o vírus se propagou até o momento. Mais de 1.100 casos suspeitos e cerca de 250 mortes foram registrados nos dois países, segundo um balanço do Africa CDC, agência de saúde da União Africana (UA).

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