Socialista deve derrotar rival de extrema-direita para Presidência de Portugal com ajuda de conservadores
O socialista moderado António José Seguro está próximo de obter uma vitória esmagadora no segundo turno das eleições presidenciais de Portugal, no domingo, mostram as pesquisas de opinião, depois que conservadores proeminentes o apoiaram para impedir a vitória do líder de extrema-direita André Ventura.
Enquanto Seguro e Ventura encerravam suas campanhas em áreas atingidas por tempestades em Portugal nesta sexta-feira, todas as pesquisas apontavam que Seguro obteria de 50% a 60% dos votos, cerca do dobro da porcentagem de Ventura. Aproximadamente dois terços dos entrevistados afirmam que nunca votariam em Ventura.
Conservadores, incluindo o ex-presidente Aníbal Cavaco Silva e alguns ministros do atual governo de centro-direita, bem como a maioria dos candidatos do primeiro turno, apoiaram Seguro contra o que consideram tendências autoritárias de Ventura.
"Isso é bastante incomum na Europa... vê-los (a centro-direita) apoiando um socialista", disse Javier Carbonell, analista político do think tank Centro de Política Europeia.
"Há um elemento de status quo e um elemento de frente democrática que eles acham que precisa ser preservado."
ASCENSÃO DE VENTURA
Ventura, um carismático ex-comentarista esportivo, disse que ficou "estupefato" com o apoio da centro-direita a Seguro. No entanto, espera-se que a votação amplie ainda mais sua influência política, refletindo a ascensão da extrema-direita em toda a Europa.
O seu partido antiestablishment e anti-imigração, Chega, que muitos analistas descrevem como um "show de um homem só", tornou-se a segunda maior força parlamentar nas eleições gerais do ano passado.
Como em grande parte da Europa, a influência da extrema-direita já fez balançar políticas governamentais, particularmente em relação à imigração, levando a uma postura mais restritiva.
Agora, Ventura, que visitou áreas devastadas pelas tempestades e inundações na semana passada e acusou o governo de responder muito lentamente, pode se aproximar ou até mesmo superar os 31,2% de apoio conquistados pela Aliança Democrática, atualmente no poder, nas eleições parlamentares de 2025, de acordo com algumas projeções.
Ventura afirmou que, se eleito no domingo, buscaria mudanças constitucionais para ampliar os poderes limitados do presidente e seria um chefe de Estado mais "intervencionista".
No entanto, depois de obter 23,5% dos votos contra os 31,1% de Seguro no primeiro turno do mês passado, Ventura não conseguiu realizar sua ambição declarada de unir a direita para o segundo turno.
"Parece que a sociedade quer preservar essa ordem democrática e constitucional, enquanto Ventura é uma ameaça ao equilíbrio entre a centro-esquerda e a centro-direita", disse o cientista político Adelino Maltez.
"Ainda assim, qualquer ponto percentual adicional, especialmente se ele ultrapassar a aliança governista, é uma espécie de vitória para ele."