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Sem citar nomes, Barack Obama critica Trump em discurso

Durante funeral do congressista John Lewis, ex-presidente dos EUA criticou quem ataca com precisão cirúrgica o direito ao voto e as minorias

31 jul 2020
09h49
atualizado às 10h02
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O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama criticou nesta quinta-feira (30/07) os que atacam com "precisão cirúrgica" o direito ao voto e as minorias. Embora sem citar nomes, o discurso foi claramente uma referência ao atual presidente, Donald Trump, que tenta desincentivar o voto por correio durante a pandemia de covid-19, e que chegou asugerir o adiamento das eleições de novembro.

Obama: Lewis combateu "os mesmos ataques à democracia que estão circulando neste momento"
Obama: Lewis combateu "os mesmos ataques à democracia que estão circulando neste momento"
Foto: DW / Deutsche Welle

Obama fez um discurso combativo no funeral do congressista John Lewis, líder histórico dos direitos civis, preso diversas vezes por defender o direito da comunidade negra de votar. O ex-presidente elogiou Lewis e lembrou que o congressista, morto aos 80 anos "dedicou seu tempo na Terra a combater os mesmos ataques à democracia que estão circulando neste momento".

"Enquanto estamos aqui, sentados, há gente no poder que está fazendo tudo o que pode para suprimir o voto, fechando locais de votação, atacando minorias e estudantes com leis de identificação restritivas e atacando o nosso direito de voto com precisão cirúrgica, inclusive minando o serviço postal antes das eleições", afirmou o ex-presidente, que foi aplaudido de pé.

Poucas horas antes, Trump sugerira no Twitter que seja adiado o pleito marcado para 3 de novembro, no qual ele concorre à reeleição. O republicano alega supostas "fraudes" que poderiam ocorrer com o voto à distância, modalidade incentivada por organizações civis, autoridades e políticos do Partido Democrata em meio à pandemia de covid-19.

Em 244 anos de existência da república americana, nunca houve um adiamento das eleições, nem mesmo em 1864, quando o país enfrentava o terceiro ano de Guerra Civil. De acordo com a Constituição americana, o presidente não tem autoridade legal para adiar ou cancelar uma eleição. Cabe exclusivamente ao Congresso determinar o calendário do pleito.

Pesquisas de opinião apontam Trump em desvantagem em relação ao candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden. O republicano foi o único presidente vivo a não participar oficialmente das homenagens públicas a Lewis. Além de Obama, George W. Bush e Bill Clinton também discursaram na Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta. O ex-presidente Jimmy Carter, de 95 anos, enviou uma declaração lida durante a cerimônia.

Ao longo de seu discurso, Obama também defendeu o Serviço Postal dos EUA, que se encontra em situação econômica precária, motivo pelo qual os mais céticos acreditam que os correios não conseguirão arcar com a carga de trabalho nas eleições de novembro.

O ex-presidente também sugeriu que o dia das eleições seja feriado, para que todos os americanos possam votar, e criticou o fechamento de alguns centros de votação nos últimos anos, especialmente em áreas pobres.

Obama questionou ainda as leis, aprovadas desde 2013 por alguns estados controlados por conservadores, obrigando os eleitores a mostrarem um documento com foto, apesar de nos EUA não existir uma carteira de identidade nacional, e os cidadãos não serem obrigados a ter esse tipo identificação.

Sempre sem mencionar seu sucessor, Obama criticou os agentes federais que "utilizaram gás lacrimogêneo contra manifestantes pacíficos" e comparou os EUA de Trump às leis de Jim Crow, que institucionalizaram a segregação racial no país no fim do século 19. Recordando Lewis, o ex-presidente pediu para que os americanos prestem atenção aos piores instintos impregnados na história do país.

"[Lewis] sabia, por experiência própria, que o progresso é frágil, que precisamos ter cuidado com as correntes mais sombrias da história do nosso país, da nossa própria história. Onde há redemoinhos de violência, ódio e desespero, o mal pode ressurgir", advertiu.

Lewis e Trump tinham uma relação de inimizade bem conhecida: o congressista não compareceu à posse do atual presidente em 2017 e o criticou diversas vezes pela política de imigração de seu governo e outros assuntos.

Morto em 17 de julho aos 80 anos, John Lewis era um dos Freedom Riders, ativistas que desafiaram a segregação racial em linhas de ônibus comerciais no sul conservador americano no início da década de 1960. Ele foi o orador mais jovem da marcha de 1963 em Washington, onde Martin Luther King fez o famoso discurso "Eu tenho um sonho".

Obama fez um discurso combativo no funeral do congressista John Lewis, líder histórico dos direitos civis, preso diversas vezes por defender o direito da comunidade negra de votar. O ex-presidente elogiou Lewis e lembrou que o congressista, morto aos 80 anos "dedicou seu tempo na Terra a combater os mesmos ataques à democracia que estão circulando neste momento".

"Enquanto estamos aqui, sentados, há gente no poder que está fazendo tudo o que pode para suprimir o voto, fechando locais de votação, atacando minorias e estudantes com leis de identificação restritivas e atacando o nosso direito de voto com precisão cirúrgica, inclusive minando o serviço postal antes das eleições", afirmou o ex-presidente, que foi aplaudido de pé.

Poucas horas antes, Trump sugerira no Twitter que seja adiado o pleito marcado para 3 de novembro, no qual ele concorre à reeleição. O republicano alega supostas "fraudes" que poderiam ocorrer com o voto à distância, modalidade incentivada por organizações civis, autoridades e políticos do Partido Democrata em meio à pandemia de covid-19.

Em 244 anos de existência da república americana, nunca houve um adiamento das eleições, nem mesmo em 1864, quando o país enfrentava o terceiro ano de Guerra Civil. De acordo com a Constituição americana, o presidente não tem autoridade legal para adiar ou cancelar uma eleição. Cabe exclusivamente ao Congresso determinar o calendário do pleito.

Pesquisas de opinião apontam Trump em desvantagem em relação ao candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden. O republicano foi o único presidente vivo a não participar oficialmente das homenagens públicas a Lewis. Além de Obama, George W. Bush e Bill Clinton também discursaram na Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta. O ex-presidente Jimmy Carter, de 95 anos, enviou uma declaração lida durante a cerimônia.

Ao longo de seu discurso, Obama também defendeu o Serviço Postal dos EUA, que se encontra em situação econômica precária, motivo pelo qual os mais céticos acreditam que os correios não conseguirão arcar com a carga de trabalho nas eleições de novembro.

O ex-presidente também sugeriu que o dia das eleições seja feriado, para que todos os americanos possam votar, e criticou o fechamento de alguns centros de votação nos últimos anos, especialmente em áreas pobres.

Obama questionou ainda as leis, aprovadas desde 2013 por alguns estados controlados por conservadores, obrigando os eleitores a mostrarem um documento com foto, apesar de nos EUA não existir uma carteira de identidade nacional, e os cidadãos não serem obrigados a ter esse tipo identificação.

Sempre sem mencionar seu sucessor, Obama criticou os agentes federais que "utilizaram gás lacrimogêneo contra manifestantes pacíficos" e comparou os EUA de Trump às leis de Jim Crow, que institucionalizaram a segregação racial no país no fim do século 19. Recordando Lewis, o ex-presidente pediu para que os americanos prestem atenção aos piores instintos impregnados na história do país.

"[Lewis] sabia, por experiência própria, que o progresso é frágil, que precisamos ter cuidado com as correntes mais sombrias da história do nosso país, da nossa própria história. Onde há redemoinhos de violência, ódio e desespero, o mal pode ressurgir", advertiu.

Lewis e Trump tinham uma relação de inimizade bem conhecida: o congressista não compareceu à posse do atual presidente em 2017 e o criticou diversas vezes pela política de imigração de seu governo e outros assuntos.

Morto em 17 de julho aos 80 anos, o democrata John Lewis era um dos Freedom Riders, ativistas que desafiaram a segregação racial em linhas de ônibus comerciais no sul conservador, no início da década de 1960. Ele foi o orador mais jovem da marcha de 1963 em Washington, na qual Martin Luther King fez o famoso discurso "Eu tenho um sonho".

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