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Agronegócio condena saída do Brasil do Acordo de Paris

Para Luiz Cornacchioni, diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio, País tem muito a perder se abandonar o acordo climático

11 jan 2019
14h41
atualizado às 15h19
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A saída do Brasil do Acordo de Paris , conforme cogitado pelo governo Jair Bolsonaro, será negativa para o País e para o agronegócio brasileiro. Essa é a avaliação do diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o engenheiro agrônomo Luiz Cornacchioni, que se preocupa com a possibilidade. "Quem quer sair do Acordo de Paris é porque nunca exportou nada", disse ao Estado. Em 2018, o setor exportou mais de US$ 100 bilhões.

"Em muitas questões, não é preciso apenas ser sustentável. Porque nós somos, mas é preciso mostrar também", afirma. "Muitas vezes, a gente perde negócios por causa da imagem". O País assinou o acordo em abril de 2016, o Congresso Nacional aprovou e, então, tornou-se vigente na lei nacional.

O engenheiro agrônomo Luiz Cornacchioni, diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) 
O engenheiro agrônomo Luiz Cornacchioni, diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
Foto: Associação Brasileira do Agronegócio/Reprodução / Estadão Conteúdo

Para ele, uma eventual saída do acordo climático, que estabeleceu a meta de limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC, até 2100, pode prejudicar o País em negociações. "Se tirarmos a sustentabilidade da equação, ela não fecha".

Segundo Cornacchioni, a Abag e entidades como a Apex-Brasil, a Sociedade Rural Brasileira e a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) têm promovido iniciativas no exterior para mostrar casos de sucesso do agronegócio brasileiro, como a produção de biocombustíveis e projetos de pecuária sustentável. "Com resultados práticos, estamos quebrando alguns paradigmas e desmistificando preconceitos".

Cornacchioni defendeu ainda, a necessidade de o Brasil respeitar as questões ambientais e as certificações internacionais. "Isso não afeta em nada nossa soberania e mostra disposição. Temos a oportunidade de ser protagonistas no agronegócio e ser relevantes nessas discussões".

Ministro diz que Brasil deveria permanecer

Nesta sexta-feira, 11, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o Brasil deveria se manter no Acordo de Paris e disse acreditar que o País vai continuar como signatário do documento.

"Não precisamos sair do acordo do clima. É preciso ter muito cuidado e saber identificar oportunidades de avanços em parcerias e recursos que decorram dessa agenda e, por outro lado, identificar riscos que temos que evitar de ingerência internacional sobre o território, a produção agropecuária e o patrimônio genético", disse o ministro em entrevista à rádio Eldorado.

"O acordo do clima não é totalmente ruim nem bom. É um guarda-chuva sob o qual podemos fazer coisas boas e evitar coisas ruins, e é nessa linha que eu acho que devemos caminhar."

Estadão

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