Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Presidente iraniano dá sinal verde para diálogo com os EUA em meio a ameaças de ataque nuclear

O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, ordenou a abertura de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear do país, segundo a agência Fars. A decisão ocorre em meio a forte tensão com Washington, que não descarta ação militar, e a esforços regionais de mediação por Turquia, Arábia Saudita, Egito e Qatar. Teerã mantém seu enriquecimento civil de urânio e rejeita discutir mísseis, tornando as conversas complexas e de alto risco.

2 fev 2026 - 12h04
Compartilhar
Exibir comentários

"O presidente Massoud Pezeshkian ordenou a abertura de conversas com os Estados Unidos", escreveu a Fars, citando uma fonte do governo iraniano. A agência afirmou ainda que "Irã e Estados Unidos manterão discussões sobre a questão nuclear", sem informar datas ou o formato dos encontros. A informação foi repercutida tanto pelo jornal estatal Iran quanto pelo diário reformista Shargh, indicando um raro alinhamento entre diferentes correntes da imprensa iraniana.

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian se pronuncia durante uma visita ao mausoléu do líder da Revolução Islâmica Iraniana de 1979, o aiatolá Ruhollah Khomeini, no sul de Teerã, no Irã, em 31 de janeiro de 2026.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian se pronuncia durante uma visita ao mausoléu do líder da Revolução Islâmica Iraniana de 1979, o aiatolá Ruhollah Khomeini, no sul de Teerã, no Irã, em 31 de janeiro de 2026.
Foto: © Présidence iranienne / WANA (West Asia News Agency) / via Reuters / RFI

Segundo fontes diplomáticas ouvidas em Teerã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, poderá se reunir nos próximos dias com o representante norte-americano Steve Witkoff. O encontro pode ocorrer na Turquia ou em outra capital da região. Ancara, assim como Egito, Arábia Saudita e Qatar, atua há vários dias como mediadora informal, numa tentativa de reduzir as tensões e evitar uma ofensiva militar contra o Irã.

Apesar da sinalização de abertura, Teerã mantém exigências. O governo iraniano insiste na continuidade do enriquecimento de urânio para fins civis e se recusa a negociar seu programa balístico. Washington, por outro lado, exige a interrupção total do programa nuclear e a redução do alcance dos mísseis iranianos. Essas posições antagônicas tornam o caminho das negociações particularmente estreito.

A possibilidade de diálogo havia sido antecipada por Abbas Araghchi em entrevista exibida no domingo (1º) pela rede norte-americana CNN. O chanceler afirmou enxergar "a possibilidade de uma discussão" caso a equipe negociadora dos Estados Unidos siga o que Donald Trump declarou publicamente: a busca por "um acordo justo e equilibrado" que garanta que o Irã não detenha armas nucleares.

Desde então, os contatos diplomáticos se intensificaram. Na manhã desta segunda-feira (2), Araghchi telefonou para seus homólogos da Turquia, da Arábia Saudita e do Egito. Em coletiva de imprensa acompanhada por jornalistas internacionais, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, afirmou que Teerã está "examinando e finalizando os detalhes de cada etapa do processo diplomático", incluindo método e marco de negociação. Segundo ele, a expectativa é concluir essa fase preparatória nos próximos dias.

Sem ultimato

Baghaï também negou que o Irã tenha recebido qualquer ultimato do presidente norte-americano. "O Irã nunca aceita ultimatos", afirmou, em resposta a especulações sobre prazos impostos por Washington.

Do lado norte-americano, Donald Trump adotou um tom ambíguo, combinando disposição para negociar com pressão política. "Espero que encontremos um acordo", disse o presidente à imprensa. "Se não houver acordo, veremos se [o guia supremo iraniano] estava certo ou não", acrescentou, em referência indireta aos alertas feitos pelo aiatolá Ali Khamenei sobre o risco de uma "guerra regional" caso os Estados Unidos levem adiante suas ameaças militares.

A movimentação diplomática ocorre num contexto regional delicado, em que países do Oriente Médio buscam evitar uma escalada que poderia ter impactos diretos sobre segurança, fluxos comerciais e mercados energéticos. Turquia, Egito, Arábia Saudita e Catar atuam como canais de comunicação entre Teerã e Washington, tentando conter o conflito antes que ele ultrapasse o campo retórico.

Os efeitos desse sinal de distensão foram imediatos nos mercados. Na abertura das negociações asiáticas, os preços do petróleo recuaram mais de 3%, refletindo a leitura de que a probabilidade de um confronto armado no Golfo diminuiu, ainda que temporariamente.

Embora o gesto de Pezeshkian represente a mais clara autorização política para o diálogo desde a retomada da pressão norte-americana, analistas alertam que a distância entre as exigências das duas partes segue considerável. A disposição para conversar não elimina o risco de fracasso, mas indica que, ao menos por ora, Teerã e Washington tentam substituir a lógica da ameaça pela da negociação, conscientes de que uma ruptura aberta teria consequências regionais e globais difíceis de controlar.

RFI com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade