Partido do premiê tailandês lidera apuração inicial da eleição
O Partido Bhumjaithai, do primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, assumiu a liderança inicial nas eleições gerais deste domingo, embora seja improvável que a disputa entre três partidos dê a qualquer um deles uma maioria clara, o que pode prolongar o espectro da instabilidade política.
Anutin preparou o terreno para as eleições antecipadas em meados de dezembro, em meio a um violento conflito fronteiriço entre a Tailândia e o Camboja, no que analistas consideraram uma manobra do líder conservador para lucrar com o crescente nacionalismo.
Naquele momento, ele estava no poder há menos de 100 dias, tendo assumido o cargo após a destituição da primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra, do populista Partido Pheu Thai, devido à crise cambojana.
Os eleitores tailandeses compareceram em grande número neste domingo. As urnas fecharam às 17h, no horário local (7h no horário de Brasília), e os resultados preliminares foram divulgados ao longo da noite.
Com cerca de 30% das seções eleitorais apuradas, os primeiros resultados parciais divulgados pela comissão eleitoral mostraram o Partido Bhumjaithai com uma vantagem confortável sobre o Partido Popular, em segundo lugar, seguido pelo Partido Pheu Thai.
O Pheu Thai, apoiado pelo bilionário ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi preso poucos dias após a destituição de sua filha, está em baixa, mas não fora da disputa, de acordo com pesquisas.
"Fizemos tudo o que podíamos", disse Anutin aos repórteres, após votar na cidade de Buriram, reduto do Partido Bhumjaithai, a nordeste de Bangcoc. "Esperamos que o povo confie em nós."
O progressista Partido Popular, com sua mensagem de mudança estrutural e reformas para a segunda maior economia do Sudeste Asiático, liderou a maioria das pesquisas de opinião durante a campanha eleitoral.
"Esta eleição é sobre se a Tailândia vai sair da sua rotina, se a Tailândia vai romper com a instabilidade política e a estagnação econômica que têm persistido", disse Thitinan Pongsudhirak, cientista político da Universidade Chulalongkorn, em Bangcoc.
"Minha conclusão preliminar, infelizmente, é que isso não vai acontecer."
Um fluxo constante de eleitores entrou nas seções eleitorais em Bangcoc nas horas após a abertura das urnas, entre eles Suwat Kiatsuwan, um trabalhador de 44 anos.
"Não quero mais as mesmas pessoas", disse ele, após votar. "Se votarmos nos mesmos de antes, nada mudará. Não chegaríamos a lugar nenhum."
PESQUISA PRÉ-ELEITORAL
Mesmo com a ascensão do Partido Popular nas pesquisas pré-eleitorais, ele enfrentava a perspectiva de repetir o destino de seu antecessor.
Em uma pesquisa realizada durante a última semana da campanha e divulgada neste domingo, o Instituto Nacional de Administração do Desenvolvimento projetou que o Bhumjaithai seria o vencedor com entre 140 e 150 cadeiras na Câmara dos Deputados, composta por 500 membros, à frente do Partido Popular, com 125-135 cadeiras.
O partido precursor do Partido Popular venceu a última eleição em 2023, mas foi impedido de formar um governo pelo Senado nomeado pelos militares e por parlamentares conservadores, abrindo caminho para a Pheu Thai assumir o poder.
Essa longa disputa entre a poderosa elite monarquista-conservadora e os movimentos democráticos populares tem criado períodos prolongados de incerteza, pontuados por protestos de rua, episódios de violência e golpes militares.
REFERENDO CONSTITUCIONAL
Os eleitores tailandeses também foram convidados a decidir, durante a votação, se uma nova Constituição deveria substituir a Carta de 2017, um documento apoiado pelos militares que, segundo os críticos, concentrava o poder em instituições antidemocráticas, incluindo um poderoso Senado escolhido por meio de um processo de seleção indireta com participação pública limitada.
A contagem preliminar da comissão eleitoral mostrou que os eleitores apoiaram o referendo por uma margem de quase dois para um.
A Tailândia teve 20 constituições desde o fim da monarquia absoluta em 1932, com a maioria das mudanças ocorrendo após golpes militares.
Se os eleitores apoiarem a elaboração de uma nova carta nacional, o novo governo e os parlamentares poderão iniciar o processo de emenda no Parlamento, com mais dois referendos necessários para adotar uma nova Constituição.