Papa Leão 14 defende estrangeiros ao encerrar Ano Santo da Igreja Católica
O papa Leão 14 encerrou o Ano Santo da Igreja Católica nesta terça-feira selando a Porta Santa na Basílica de São Pedro e incentivando os cristãos de todo o mundo a ajudarem os necessitados e a tratarem os estrangeiros com bondade.
Leão 14, que fez do cuidado com os imigrantes um tema central do início de seu papado, disse em uma cerimônia no Vaticano que os 33,5 milhões de peregrinos que visitaram Roma durante o Ano Santo, um número recorde, deveriam ter aprendido a não tratar os seres humanos como meros "produtos".
"Ao nosso redor, uma economia distorcida tenta lucrar com tudo", disse o papa. "Depois deste ano, seremos mais capazes de reconhecer um peregrino no visitante, um buscador no estrangeiro, um próximo no forasteiro?"
O ano santo, ou jubileu, geralmente ocorre a cada 25 anos e é considerado um período de paz, perdão e indulto. Os peregrinos que visitam Roma podem entrar pelas "Portas Santas" em quatro basílicas romanas e assistir a audiências papais ao longo do ano.
Às 5h41 (horário de Brasília) desta terça-feira, Leão, vestido com vestes adornadas com ouro, fechou a porta especial de bronze da Basílica de São Pedro, encerrando oficialmente o ano.
O próximo jubileu não é esperado antes de 2033, quando a Igreja poderá realizar uma celebração especial para marcar os 2.000 anos da morte de Jesus.
Autoridades do Vaticano e da Itália disseram na segunda-feira que os peregrinos que foram a Roma para o jubileu de 2025 vieram de 185 países, com Itália, Estados Unidos, Espanha, Brasil e Polônia liderando o grupo.
O jubileu de 2025 foi marcado por uma raridade histórica que não se via há 300 anos. Foi aberto por um papa, Francisco, e encerrado pelo seu sucessor, Leão 14.
Francisco morreu em abril, após 12 anos à frente da Igreja, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. O último jubileu celebrado sob o pontificado de dois papas ocorreu no ano de 1700, quando Clemente 11 encerrou o ano santo iniciado por Inocêncio 12.
Leão, que prometeu manter as principais políticas de Francisco, como acolher católicos gays e discutir a ordenação de mulheres, ecoou nesta terça-feira as frequentes críticas do falecido papa ao sistema econômico global.
Primeiro papa norte-americano, ele lamentou que os mercados "transformem os anseios humanos de busca, viagem e recomeço em um mero negócio".