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O que está por trás das propostas do Irã para viabilizar um acordo com os EUA em Genebra

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que está em Genebra, participa nesta terça-feira (17) da segunda rodada de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear do país. Após meses de trocas de ameaças militares, os dois países tentaram retomar o diálogo em 6 de fevereiro, em Omã. O Irã também busca atenuar as sanções internacionais, diante da grave crise econômica que atinge o país.

16 fev 2026 - 09h05
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Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã

O chanceler iraniano declarou nesta segunda-feira (16) em Genebra que conversaria com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, com quem terá "discussões técnicas aprofundadas", antes do encontro desta terça. Ele afirmou ter "ideias concretas para alcançar um acordo justo e equilibrado" e reiterou que "a submissão diante das ameaças" está fora de discussão. 

A AIEA exige que Teerã esclareça o destino do urânio altamente enriquecido e pede a retomada completa das inspeções, incluindo nos locais bombardeados pelos EUA em junho. O Irã, por sua vez, afirma que esses locais não oferecem a segurança necessária para as vistorias e pede que a agência esclareça sua posição sobre as ofensivas contra o país.

Teerã cancelou em setembro um acordo para permitir verificações mais detalhadas de suas centrais nucleares, após o restabelecimento de sanções da ONU por potências ocidentais. O Irã afirma estar disposto a aumentar a transparência "para garantir que o enriquecimento continuará sendo pacífico". 

Na tentativa de diminuir a tensão com os EUA, o país levou a Genebra vários contratos com empresas americanas nos setores de petróleo, gás e mineração, além da compra de aviões comerciais. Para os iranianos, a obtenção de um compromisso está nas mãos dos Estados Unidos.

"Para garantir a durabilidade de um acordo, é essencial que os Estados Unidos também se beneficiem de áreas com retorno econômico alto e rápido", afirmou Hamid Ghanbari, vice-diretor da diplomacia econômica do Ministério das Relações Exteriores iraniano, em entrevista à agência iraniana Fars. 

"Os interesses comuns nos setores de petróleo e gás, investimentos em mineração e até compras de aeronaves fazem parte das negociações", disse Ghanbari. Segundo ele, o acordo nuclear de 2015 com as grandes potências não garantiu interesses econômicos americanos. 

A Casa Branca confirmou que seu emissário Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, viajarão a Genebra esta semana para participar das negociações, que também incluirão encontros com representantes da Rússia e da Ucrânia. 

Irã pode reduzir enriquecimento de urânio 

O Irã está disposto a fazer concessões em seu programa nuclear, incluindo a redução do nível de enriquecimento de urânio e a diluição de estoques enriquecidos a 60%. Mas Teerã recusa negociar seu programa de mísseis balísticos — ponto de bloqueio diante das exigências dos EUA e de Israel. 

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, que está em viagem pela Europa, declarou que o presidente Donald Trump deixou claro que prefere a diplomacia e um acordo negociado. "Ninguém jamais conseguiu fechar um acordo com o Irã, mas vamos tentar", afirmou. 

A repressão a grandes protestos em janeiro, seguida por ameaças públicas de intervenção militar feitas por Trump, aumentou a tensão entre Washington e Teerã. 

Países ocidentais e Israel, considerado por especialistas como a única potência nuclear do Oriente Médio, suspeitam que o Irã busque desenvolver armas nucleares. Teerã nega e insiste em seu direito de manter um programa nuclear civil. Sem um acordo, Trump ameaçou o país com consequências "traumáticas" e mencionou até a possibilidade de mudança de regime. 

Antes dos ataques israelenses e americanos de junho de 2025, o Irã enriquecia urânio a 60%, muito acima do limite de 3,67% previsto no acordo de 2015. O urânio enriquecido a 90% pode ser usado para fabricar armas nucleares. 

Netanyahu impõe condições para um acordo 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu neste domingo o "desmantelamento" da capacidade iraniana de enriquecimento de urânio, durante discurso na Conferência dos Presidentes das Organizações Judaicas Americanas. 

"A primeira condição" para um acordo entre EUA e Irã "é que todo o material enriquecido deixe o Irã", disse Netanyahu. "A segunda condição é que não haja nenhuma capacidade de enriquecimento — não se trata apenas de parar o processo, mas de desmontar os equipamentos e infraestruturas que o permitem", acrescentou. 

Netanyahu reiterou que exige também um acordo sobre o programa de mísseis balísticos e o "desmantelamento do eixo do terror construído pelo Irã", referência aos grupos armados apoiados por Teerã no Oriente Médio, como os houthis no Iêmen, o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Palestina. "Devem existir inspeções reais, substanciais, não inspeções anunciadas com antecedência, mas inspeções eficazes sobre todos esses pontos", afirmou. 

Reza Pahlavi pede intervenção militar "urgente" 

O filho do xá deposto, Reza Pahlavi, voltou a pedir a Donald Trump uma intervenção militar "urgente" no Irã e reiterou sua proposta de liderar uma "transição" política, em entrevista à Fox News neste domingo, 15 de fevereiro. 

"Espero que o presidente entenda como uma intervenção urgente poderia salvar vidas e nos ajudar a acabar com este regime indesejado", afirmou Pahlavi, exilado nos EUA e que vem multiplicando apelos contra a República Islâmica. "A primeira demanda dos iranianos, dentro e fora do país, é um pedido de ajuda", disse. "Essa intervenção seria humanitária, para salvar vidas que, de outra forma, continuarão sendo perdidas." 

Na quinta-feira (12), os EUA anunciaram que o USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, deixará o Caribe para se juntar ao USS Abraham Lincoln, que já está estacionado na região do Golfo.

Nesta segunda (16), a Guarda Revolucionária do Irã iniciou exercícios no estreito de Ormuz. O objetivo das manobras, segundo Teerã, é testar o nível de preparação das forças operacionais iranianas diante de "eventuais ameaças de segurança e militares", segundo informou a agência iraniana Tasnim.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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