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Mulheres brasileiras são maioria entre as 'mulas' do tráfico presas na França, diz relatório

Mais de 1.200 pessoas usadas como "mulas" do tráfico vindas do Brasil foram presas na França nos últimos três anos, segundo um relatório do Escritório Antidrogas francês (Ofast), consultado pela rádio RTL. O número representa cerca de dois terços das "mulas" detidas no país nesse período. A maioria delas é de mulheres jovens em situação de vulnerabilidade social.

23 ago 2026 - 11h16
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Resumo
Autoridades francesas alertam que mulheres brasileiras vulneráveis e sem antecedentes criminais são a maioria das "mulas" presas traficando cocaína no país. Aliciadas por aplicativos para receber até € 10 mil, elas chegam a embarcar em grupos de 30 por voo. No esquema, as redes criminosas sacrificam deliberadamente transportadoras com menor volume de drogas para distrair a polícia e facilitar o desembarque de outras, dificultando o controle aduaneiro.

O fenômeno atingiu uma escala tão grande que as autoridades francesas admitem dificuldade para acompanhar o volume de pessoas recrutadas pelas organizações criminosas. Para aumentar as chances de sucesso, os traficantes chegam a embarcar cerca de 30 "mulas" em um mesmo voo. Eles apostam que pelo menos um dos transportadores consiga escapar da fiscalização.  

Mulheres brasileiras em situação de precariedade representam cerca de dois terços das "mulas" do tráfico detidas na França nos últimos três anos, segundo um relatório do Escritório Antidrogas francês (Ofast). (Imagem ilustrativa)
Mulheres brasileiras em situação de precariedade representam cerca de dois terços das "mulas" do tráfico detidas na França nos últimos três anos, segundo um relatório do Escritório Antidrogas francês (Ofast). (Imagem ilustrativa)
Foto: Getty Images/Bloomberg/Dado Galdieri / RFI

A nota da Ofast descreve o tipo recorrente entre os brasileiros recrutados: pessoas entre 25 e 40 anos, geralmente mulheres, e em situação de vulnerabilidade econômica. Elas têm um perfil discreto, sem antecedentes criminais.

As investigações indicam que a maioria dessas "mulas" não integra as organizações criminosas e frequentemente sequer conhece os responsáveis pelo esquema. Para os traficantes, esse modelo reduz os riscos de identificação caso a pessoa seja presa e interrogada pela polícia, diz a reportagem. 

Forma de recrutamento

Embora a maioria das prisões envolva brasileiras, o método de aliciamento é semelhante ao utilizado com mulheres vindas da Tailândia. O recrutamento ocorre por meio de aplicativos de mensagens criptografadas, usados pelas redes criminosas.

As pessoas aliciadas recebem passagens compradas pouco antes da viagem, muitas vezes pagas em dinheiro vivo. Ao desembarcar na França, entram em contato com seus interlocutores pelo WhatsApp, utilizando números brasileiros associados a identidades falsas.

A droga pode ser transportada no corpo ou escondida na bagagem. As brasileiras recrutadas costumam levar cocaína, enquanto mulheres vindas da Tailândia são utilizadas principalmente para o transporte de cannabis, destacou a RTL.

Valores pagos às "mulas"

A remuneração varia conforme a quantidade transportada e pode ficar entre € 1.500 e € 10.000 (algo em torno de R$ 9.000 a R$ 60.000) por viagem de ida e volta. 

Outro aspecto destacado pela emissora é que os grupos criminosos chegam a sacrificar deliberadamente algumas das "mulas". Segundo a nota da Ofast, determinadas pessoas recebem quantidades menores de droga e são deixadas mais expostas à fiscalização para desviar a atenção das autoridades e facilitar a passagem de outras integrantes do esquema. 

Antes das viagens, os transportadores recebem instruções detalhadas das redes criminosas, incluindo orientações para permanecer em silêncio durante eventuais interrogatórios policiais em caso de prisão.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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