De Tóquio a Londres, ondas de calor fazem com que homens usem bermuda no trabalho
Impulsionados por intensas ondas de calor globais, trabalhadores de centros como Tóquio e Londres têm adotado bermudas e tecidos leves no escritório, desafiando códigos de vestimenta tradicionais. A mudança aqueceu as vendas de roupas frescas no varejo e recebeu o apoio de sindicatos em prol da saúde dos funcionários. Embora algumas empresas financeiras ainda resistam à informalidade total, as mudanças climáticas estão tornando os trajes corporativos cada vez mais flexíveis.
As temperaturas escaldantes do verão conseguiram o que décadas de "sextas-feiras informais" não conseguiram: fazer com que os homens usem bermuda no escritório.
A capital do Japão deu o tom. Este ano, a campanha "Cool Biz" do governo metropolitano — que há muito tempo incentiva o uso de roupas sem gravata e sem paletó — deu um passo adiante, incentivando seus funcionários a deixarem de lado as calças compridas e até mesmo a experimentarem camisetas e tênis.
À medida que as ondas de calor se intensificam por toda a Europa, outros trabalhadores seguiram o exemplo de Tóquio, às vezes com o incentivo das autoridades e da gerência, outras vezes sem.
Grandes varejistas disseram à Reuters que shorts e ternos de linho estavam voando das prateleiras no Reino Unido, já que os homens optaram por tecidos respiráveis mais comumente associados aos climas mediterrâneos.
"A linha divisória entre o estilo 'para o trabalho' e o estilo 'de folga' está ficando cada vez mais tênue", disse Martha Hibberd, compradora de roupas masculinas da loja de departamentos britânica John Lewis.
A Marks and Spencer informou que as vendas de calças masculinas de linho entre junho e julho aumentaram 183% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A H&M — uma das maiores varejistas de moda da Europa — informou que está trazendo roupas mais leves e adiando o lançamento das linhas de outono para o final do ano.
"Parece que não há mais volta quando se trata das mudanças climáticas", disse Andreas Lowenstam, chefe de design de moda masculina da H&M.
A Hugo Boss ampliou sua variedade de bermudas de alfaiataria. Sua linha "Boss by Beckham", em colaboração com o astro do futebol David Beckham, oferece um par de bermudas de algodão por 229 euros (267,27 dólares).
"SHORTS SÃO PARA OS FINAIS DE SEMANA"
A tendência ficou evidente nos centros financeiros da Europa, desde o Canary Wharf, em Londres, até as ruas de Frankfurt. Mas havia alguns limites.
No maior banco da Noruega, o DNB, os funcionários podem usar shorts e saias, disse o porta-voz Vidar Korsberg Dalsbo à Reuters.
"No entanto, provavelmente estamos falando de roupas mais elegantes e com um certo comprimento, em vez de uma saia de bailarina ou um short de futebol ousado no estilo dos anos 1970."
Em junho, Gianfranco Lot, diretor da Swiss Re na Suíça, enviou um email aos funcionários com dicas sobre como se manter fresco.
Junto com a lista de sugestões — como beber água, fazer pausas quando necessário e dar um mergulho no Lago de Zurique, bem em frente ao escritório —, havia um breve lembrete de que "shorts são para os finais de semana".
Contrariando as tradições, havia sinais de que alguns funcionários estavam dispostos a defender o uso de roupas mais leves.
O maior sindicato da Alemanha, o IG Metall, e o sindicato do setor de serviços, o Verdi, disseram à Reuters que acreditam que os códigos de vestimenta devem ser flexibilizados ou suspensos, se necessário, em períodos de temperaturas mais altas.
"Os verões estão ficando mais quentes, as ondas de calor estão se tornando mais frequentes e a pressão sobre os trabalhadores está aumentando visivelmente", afirmou Moriz Tiedemann, especialista em saúde ocupacional do IG Metall.
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