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Irã ameaça países que apoiarem os EUA e executa homem acusado de colaborar com Washington e Israel

Depois de elevar o tom contra os países que aderirem às novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, o Irã anunciou neste domingo (23) a execução de um homem condenado por colaborar com Washington e Israel. Os dois episódios refletem a escalada das tensões entre Teerã e Washington, quase seis meses após o início da guerra provocada pelos ataques americano-israelenses contra o país.

23 ago 2026 - 05h04
(atualizado às 05h10)
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Resumo
O Irã ameaçou retaliar contra interesses econômicos dos EUA e países aliados que apoiarem novas sanções de Washington, classificando a ofensiva como guerra econômica. A China criticou a pressão americana, enquanto os Emirados Árabes suspenderam transações com Teerã. Paralelamente, o regime executou Majid Adineh por espionagem pró-EUA e Israel, em meio a um aumento histórico nas penas de morte no país, que registrou mais de 1,6 mil execuções no último ano segundo ONGs de direitos humanos.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaï, advertiu que qualquer país que participe da aplicação de restrições econômicas contra Teerã será considerado um "inimigo". Em entrevista à televisão estatal, ele pediu que governos ao redor do mundo não se unam ao que chamou de "guerra econômica" conduzida pelos Estados Unidos.

Mohsen Rezaï, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e ex-comandante da Guarda Revolucionária, ameaçou represálias contra países que apoiem as novas sanções dos Estados Unidos. (Imagem ilustrativa)
Mohsen Rezaï, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e ex-comandante da Guarda Revolucionária, ameaçou represálias contra países que apoiem as novas sanções dos Estados Unidos. (Imagem ilustrativa)
Foto: Atta Kenare AFP/Archivos / RFI

Segundo Rezaï, os países que se recusarem a se distanciar de Washington poderão se tornar alvos de represálias iranianas. O dirigente afirmou que, até o momento, Teerã limitou suas ações a alvos militares e não atingiu interesses econômicos americanos, mas ameaçou mudar de estratégia caso a pressão econômica seja ampliada.

"Até agora, não atacamos nenhum interesse econômico americano. Só atingimos bases militares. Mas, se quiserem nos impor sanções econômicas, os Estados Unidos possuem empresas petrolíferas e outros interesses econômicos na região do Irã e em outras partes do mundo, e nós os atingiremos", declarou.

Rezaï também ameaçou que, se Donald Trump "tomar alguma medida" contra o Irã, o confronto entre os dois países será "como um terremoto".

O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, reconheceu no domingo que a sociedade iraniana está passando por "muitas dificuldades", enquanto os Estados Unidos buscam intensificar a pressão sobre a economia iraniana por meio de uma nova onda de sanções.

Pezeshkian reagiu ao plano americano em seu discurso. "Estamos envolvidos em uma guerra total nos planos econômico, militar e de segurança. O presidente americano Donald Trump afirma sem rodeios que está impondo ao Irã as sanções mais esmagadoras ou mais temíveis", declarou.

Pressão americana e reação chinesa

As declarações foram feitas após Washington anunciar um reforço das sanções destinadas a aumentar a pressão sobre a República Islâmica. O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou, na quinta-feira (20), os Estados Unidos de praticarem "terrorismo econômico", depois que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, prometeu fazer "o regime iraniano desmoronar" com novas medidas restritivas. Bessent deve detalhar na segunda-feira (24) o plano americano para ampliar a pressão sobre Teerã.

Washington apelou a outros governos, especialmente a Pequim, para que participem dos esforços destinados a isolar a economia iraniana. Mas a China, parceira econômica estratégica do Irã, criticou essa iniciativa, considerando que as "sanções e a pressão" americanas não contribuem para resolver o conflito no Oriente Médio.

Entre os principais parceiros comerciais do Irã estão ainda os Emirados Árabes Unidos, que anunciaram na terça-feira (18) a suspensão, por tempo indeterminado, de todas as trocas comerciais e transações financeiras com o país.

Execução por apoio aos EUA e Israel

Ao mesmo tempo, a Justiça iraniana anunciou neste domingo a execução de Majid Adineh, condenado por realizar "ações operacionais" em favor de Israel e dos Estados Unidos durante os protestos antigovernamentais de janeiro.

Segundo o Judiciário, ele foi considerado culpado de colaboração com grupos hostis ao regime, incêndios criminosos, participação em atos violentos e crimes contra a segurança nacional. A sentença incluiu ainda a confiscação de seus bens.

As autoridades iranianas atribuem a onda de protestos e a violência registrada no país à atuação de grupos apoiados por Washington e Tel Aviv. Organizações de defesa dos direitos humanos, por sua vez, acusam as forças de segurança iranianas de terem reprimido os manifestantes com violência.

Número de execuções cresce desde o início da guerra

Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos afirmam que o número de execuções no Irã aumentou desde o início da guerra no Oriente Médio.

Segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, e a organização Ensemble contre la peine de mort (ECPM, Juntos contra a pena de morte, em francês), sediada em Paris, ao menos 1.639 pessoas foram executadas no país no ano passado, o maior número registrado desde 1989. De acordo com a Anistia Internacional, o Irã é atualmente o segundo país que mais realiza execuções no mundo, atrás apenas da China.

Com AFP

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