Irã ameaça países que apoiarem os EUA e executa homem acusado de colaborar com Washington e Israel
Depois de elevar o tom contra os países que aderirem às novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, o Irã anunciou neste domingo (23) a execução de um homem condenado por colaborar com Washington e Israel. Os dois episódios refletem a escalada das tensões entre Teerã e Washington, quase seis meses após o início da guerra provocada pelos ataques americano-israelenses contra o país.
O Irã ameaçou retaliar contra interesses econômicos dos EUA e países aliados que apoiarem novas sanções de Washington, classificando a ofensiva como guerra econômica. A China criticou a pressão americana, enquanto os Emirados Árabes suspenderam transações com Teerã. Paralelamente, o regime executou Majid Adineh por espionagem pró-EUA e Israel, em meio a um aumento histórico nas penas de morte no país, que registrou mais de 1,6 mil execuções no último ano segundo ONGs de direitos humanos.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaï, advertiu que qualquer país que participe da aplicação de restrições econômicas contra Teerã será considerado um "inimigo". Em entrevista à televisão estatal, ele pediu que governos ao redor do mundo não se unam ao que chamou de "guerra econômica" conduzida pelos Estados Unidos.
Segundo Rezaï, os países que se recusarem a se distanciar de Washington poderão se tornar alvos de represálias iranianas. O dirigente afirmou que, até o momento, Teerã limitou suas ações a alvos militares e não atingiu interesses econômicos americanos, mas ameaçou mudar de estratégia caso a pressão econômica seja ampliada.
"Até agora, não atacamos nenhum interesse econômico americano. Só atingimos bases militares. Mas, se quiserem nos impor sanções econômicas, os Estados Unidos possuem empresas petrolíferas e outros interesses econômicos na região do Irã e em outras partes do mundo, e nós os atingiremos", declarou.
Rezaï também ameaçou que, se Donald Trump "tomar alguma medida" contra o Irã, o confronto entre os dois países será "como um terremoto".
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, reconheceu no domingo que a sociedade iraniana está passando por "muitas dificuldades", enquanto os Estados Unidos buscam intensificar a pressão sobre a economia iraniana por meio de uma nova onda de sanções.
Pezeshkian reagiu ao plano americano em seu discurso. "Estamos envolvidos em uma guerra total nos planos econômico, militar e de segurança. O presidente americano Donald Trump afirma sem rodeios que está impondo ao Irã as sanções mais esmagadoras ou mais temíveis", declarou.
Pressão americana e reação chinesa
As declarações foram feitas após Washington anunciar um reforço das sanções destinadas a aumentar a pressão sobre a República Islâmica. O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou, na quinta-feira (20), os Estados Unidos de praticarem "terrorismo econômico", depois que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, prometeu fazer "o regime iraniano desmoronar" com novas medidas restritivas. Bessent deve detalhar na segunda-feira (24) o plano americano para ampliar a pressão sobre Teerã.
Washington apelou a outros governos, especialmente a Pequim, para que participem dos esforços destinados a isolar a economia iraniana. Mas a China, parceira econômica estratégica do Irã, criticou essa iniciativa, considerando que as "sanções e a pressão" americanas não contribuem para resolver o conflito no Oriente Médio.
Entre os principais parceiros comerciais do Irã estão ainda os Emirados Árabes Unidos, que anunciaram na terça-feira (18) a suspensão, por tempo indeterminado, de todas as trocas comerciais e transações financeiras com o país.
Execução por apoio aos EUA e Israel
Ao mesmo tempo, a Justiça iraniana anunciou neste domingo a execução de Majid Adineh, condenado por realizar "ações operacionais" em favor de Israel e dos Estados Unidos durante os protestos antigovernamentais de janeiro.
Segundo o Judiciário, ele foi considerado culpado de colaboração com grupos hostis ao regime, incêndios criminosos, participação em atos violentos e crimes contra a segurança nacional. A sentença incluiu ainda a confiscação de seus bens.
As autoridades iranianas atribuem a onda de protestos e a violência registrada no país à atuação de grupos apoiados por Washington e Tel Aviv. Organizações de defesa dos direitos humanos, por sua vez, acusam as forças de segurança iranianas de terem reprimido os manifestantes com violência.
Número de execuções cresce desde o início da guerra
Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos afirmam que o número de execuções no Irã aumentou desde o início da guerra no Oriente Médio.
Segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, e a organização Ensemble contre la peine de mort (ECPM, Juntos contra a pena de morte, em francês), sediada em Paris, ao menos 1.639 pessoas foram executadas no país no ano passado, o maior número registrado desde 1989. De acordo com a Anistia Internacional, o Irã é atualmente o segundo país que mais realiza execuções no mundo, atrás apenas da China.
Com AFP
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