Presidente do México diz que nenhum interesse pessoal está acima do interesse nacional, após o retorno do governador
A presidente do México criticou a ambição pelo poder e afirmou que nenhum interesse pessoal supera o nacional, após o governador de Sinaloa, Rubén Rocha, reassumir o cargo. Rocha é acusado pelos EUA de conspirar com o Cartel de Sinaloa no tráfico de medicamentos em troca de propina e apoio político. Ele nega os crimes e diz ser alvo de perseguição política. O caso amplia as tensões diplomáticas com Washington e gera atritos internos no partido governista Morena.
A presidente do México afirmou neste sábado que nenhum interesse pessoal pode estar acima do interesse do país e criticou a "ambição descarada" pelo poder de alguns servidores públicos, um dia depois de o governador do Estado de Sinaloa ter reassumido o cargo após ser acusado de tráfico de medicamentos pelos Estados Unidos.
A posição da chefe de Estado, que até então não havia se pronunciado sobre a ação do governador Rubén Rocha, membro do partido governista Morena, está em consonância com a expressa na véspera tanto pela coalizão governista quanto pela Secretaria de Governo (Ministério do Interior).
"Nenhum interesse pessoal pode, jamais, estar acima dos interesses do povo e da Nação. E muito menos quando o que se pretende colocar acima do México não é o bem-estar de seu povo, mas a ambição descarada pelo poder em si", afirmou Sheinbaum em sua conta no X.
"O México merece servidores públicos que compreendam que os cargos são passageiros, mas a responsabilidade perante a nação é eterna", acrescentou.
A decisão de Rocha, de 77 anos, ameaça aprofundar as tensões entre o México e os Estados Unidos, e possivelmente até mesmo dentro do Morena. Rocha, que negou ter cometido qualquer crime, disse que voltava "com a testa limpa e erguida".
Em abril, promotores norte-americanos acusaram Rocha e outros nove funcionários atuais e ex-funcionários de conspirar com uma facção do Cartel de Sinaloa conhecida como Los Chapitos, ajudando-a a traficar medicamentos para os Estados Unidos em troca de apoio político e subornos.
A medida de Washington marcou uma rara ampliação das ações contra os cartéis para além dos chefes do tráfico, ao incluir um político mexicano de alto escalão no exercício de suas funções. Rocha descreveu o processo nos Estados Unidos como um ataque motivado politicamente contra o movimento de Sheinbaum.
O governo mexicano havia declarado anteriormente que Washington não havia apresentado provas suficientes para justificar a prisão ou a extradição do governador, embora seu governo tenha aberto sua própria investigação.
A Reuters informou no ano passado que Washington havia revogado os vistos de pelo menos 50 políticos e funcionários mexicanos, em meio à ofensiva do governo de Donald Trump contra os cartéis de medicamentos e seus supostos aliados políticos.
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