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América Latina

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Conheça os desafios de Lula e Flávio para conquistar o voto dos eleitores indecisos

O RFI Convida entrevistou o analista Rodolfo Marques, doutor em ciência política e professor da Universidade da Amazônia, sobre a acirrada disputa entre os dois principais candidatos à presidência da República: Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Ele afirmou que enquanto o primeiro precisa quebrar resistência de setores como a classe média, o segundo precisa mostrar que tem capacidade administrativa e não é apenas a sombra do pai.

24 ago 2026 - 11h44
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Resumo
De olho nos eleitores indecisos, Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam desafios distintos na disputa eleitoral. Lula precisa dialogar com setores resistentes, como evangélicos e agronegócio, além de blindar a campanha de desgastes familiares. Já Flávio tenta atrair a direita não bolsonarista e o eleitorado feminino, lidando com apurações financeiras. Ambos apostam no horário eleitoral de rádio e TV para furar bolhas e alcançar o público ainda não definido.

Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Os candidatos do PT e do PL têm desafios diferentes, mas o mesmo objetivo de alcançar a maioria dos eleitores para ocupar a principal cadeira política da República brasileira. O foco de ambos se volta para uma parcela importante do eleitorado, os indecisos. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, 72% dos eleitores estão totalmente certos de qual número vão apertar na urna em outubro. Os demais ainda hesitam.

Para o analista político Rodolfo Marques, "Lula precisa preservar sua base e dialogar com setores que hoje têm resistência ao governo, por exemplo, a classe média, o segmento evangélico e parte do agronegócio. E também precisa evitar que problemas envolvendo integrantes da sua família ou aliados contaminem a campanha".   

Rodolfo Marques, doutor em ciência política e professor da Universidade da Amazônia.
Rodolfo Marques, doutor em ciência política e professor da Universidade da Amazônia.
Foto: RFI

"Flávio Bolsonaro, por sua vez, precisa transformar a força política do sobrenome Bolsonaro em uma candidatura capaz de conquistar eleitores que não são exatamente bolsonaristas. Seria a direita não bolsonarista. E parte dessa direita não bolsonarista esteve com Lula em 2022. São desafios bem grandes para os dois principais candidatos", afirmou Marques.

Investigações

Sobre os casos em investigação, o professor avalia que as apurações, relacionadas de alguma forma aos dois candidatos, podem ter peso importante, mas não necessariamente ser determinantes. Segundo ele, "o ponto central é o eleitor entender se existe responsabilidade direta do candidato ou do partido nesses casos."

"Lula precisa descaracterizar e tentar afastar toda essa questão do Lulinha. E Flávio Bolsonaro precisa explicar a questão das conexões financeiras e comerciais que ele já demonstrou ter com Daniel Volcaro, inclusive pedindo milhões de reais para o filme Dark Horse. Flávio tenta enterrar a situação, mas ela ainda está muito ativa."

Aliados de Lula têm criticado vazamento de informações do caso Lulinha, enquanto apontam que outras investigações, como a do Banco Master, não avançam. Já apoiadores de Flávio Bolsonaro tecem críticas a setores do judiciário. O analista reconhece o momento delicado e destaca o papel relevante das instituições tanto na apuração quanto na demonstração de que não estão agindo politicamente.

"Existe de fato uma tensão importante. É bom ressaltar que Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário precisam investigar e cumprir suas funções, independentemente do calendário eleitoral. O problema emerge quando a sociedade passa a interpretar cada decisão institucional a partir da disputa político-eleitoral. As instituições precisam atuar com independência, mas também precisam preservar a percepção de imparcialidade", frisou.

Religião e gênero

Rodolfo Marques lembrou que nichos específicos não são homogêneos, como os evangélicos, os produtores rurais ou o eleitorado feminino. Mas disse que existem sim desafios peculiares para cada candidato nessas áreas.

"Há uma lacuna muito grande da campanha do PT e da coligação do governo em relação aos evangélicos e ao agronegócio, mas acredito que seja possível abrir um canal de diálogo com esses setores, principalmente a partir da habilidade política e de comunicação de Lula. Já Flávio tem um histórico muito negativo em relação às mulheres, não só ele, mas o próprio pai, Jair Bolsonaro, e o irmão, Eduardo. Então, a campanha de Flávio tem essa cruzada para buscar o voto feminino, mas tende a ter mais dificuldades."

Propagando eleitoral

A partir do próximo dia 28 a campanha passa a contar também com o horário eleitoral exibido no rádio e na televisão. O analista político diz que mesmo com impacto limitado em tempos digitais, trata-se de uma ferramenta importante na campanha.

"Nos dias de hoje, o eleitor recebe conteúdo político de forma muito mais personalizada nas redes sociais, por vezes criado dentro de uma bolha a partir dos algoritmos. Já o rádio e a televisão têm uma característica importante no sentido de atingir um público amplo e diversificado, ainda que o alcance não seja como antes".

Na propaganda eleitoral, o eleitor acompanha um programa na sequência do outro e não apenas o material do seu candidato. Justamente por ser uma forma menos nichada, pode atingir quem ainda não se decidiu. "Na televisão, e no rádio, existe um pouco daquela propaganda sem interrupção. Os candidatos e as candidatas conseguem falar com quem não estava prestando atenção neles ou com quem eventualmente ainda não se decidiu. E os recortes desses programas vão para as redes sociais. A propaganda, assim, pode ter certa influência. Mas é claro que os eleitores vão tomar suas decisões a partir de vários elementos."

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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